A Casa Senhorial

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Fazenda Pau Grande

Fazenda Pau Grande
XVIII
1770
Brasil
Arquitectura

Localizada no município de Paty do Alferes, distrito de Avelar no Rio de Janeiro, a Fazenda Pau Grande é uma propriedade rural construída no século XVIII com função original de engenho de cana de açúcar. O edifício principal foi erguido sobre pequena elevação, tendo à sua frente uma área ajardinada, seguida de um extenso terreno em nível inferior, onde outrora se situava o grande terreiro de café. Três escadarias de pedra conduzem ao jardim suspenso e à entrada da sede principal. Nos fundos, uma encosta arborizada tangencia toda a construção e seus arredores, sendo o terreno à direita constituído pelo antigo engenho. 

Uniformidade e horizontalidade caracterizam esta grandiosa casa de vivenda composta por dois pavilhões laterais simétricos e um corpo central, o qual constitui o eixo da construção. Com telhados em quatro águas, os blocos laterais flanqueiam o centro do edifício encimado por frontão triangular, destacando o local onde se situa a capela. Esta morfologia sugere, embora simplificada, a padronização para a frontaria das casas rurais e urbanas palladianas. A construção com planta em “U” composta por dois pavimentos no frontispício, apresenta as laterais estendendo-se em um único piso, em função do terreno ascendente na direção da encosta montanhosa. No lado direito do terreno encontra-se o antigo engenho, inicialmente de açúcar e depois de café, do qual se destaca a altíssima chaminé.

A fachada principal é imponente com sua extensão longilínea e com o formalismo repetitivo das dezesseis porta-janelas com balcões que se alinham ao longo de segundo pavimento. No térreo, as doze janelas enfileiradas compartilham a frontaria com duas portas laterais e uma principal, as quais dão acesso ao interior. No corpo central, delimitado por par de pilastras que se estendem até a cornija, o frontão triangular é coroado com crucifixo e a porta dupla do térreo conduz diretamente à entrada, sob o coro da capela. As quinas da fachada são rematadas com canal de cantoneira. Em terreno mais elevado, toda fachada principal é precedida de um jardim suspenso cercado por gradil de serralheria, o qual é acessado por três escadas de pedra localizadas em correspondência com as entradas principais da casa sede.

As fachadas secundárias correspondem às faces laterais dos dois pavilhões simétricos da construção, que se prolongam formando duas alas estreitas em direção ao fundo do terreno, compondo assim a planta em forma de “U”. A área central no interior constitui um grande pátio aberto voltado para as três fachadas internas do edifício.

Todas as janelas e porta-janelas possuem alisares retos e planos, formando arcos abatidos nos lintéis, e os vidros com caixilhos em cruz. Os balcões têm os guarda-corpos em serralheria com gradis decorados. Da fachada principal destaca-se a janela óculo de contorno oval com acabamento decorativo semelhante ao das demais janelas da construção. Sob o extenso beiral, a cornija saliente percorre o alto de toda a edificação e arremata também o contorno interno do frontão.    


INEPAC. Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense, 2007. Disponível em Apurado em 20.01.2018 

MORAES, Roberto Menezes de. Outras Visões para a observação de algumas famílias que atuaram no Vale do Paraíba Fluminense durante o ciclo cafeeiro. Disponível em <www.institutocidadeviva.org.br/inventarios/sistema/wp-content/uploads/2009/11/27_roberto-menezes.pdf> Apurado em 20.01.2018

MUAZE, Mariana. As Memórias da Viscondessa. Família e poder no Brasil Império. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2008.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagens pela Província do Rio de Janeiro ‒ 1816 e 1819. Rio de Janeiro, Typ. do Jornal do Commercio Rodrigues & C, 1937,

TELLES, Augusto C. da Silva. O Vale do Paraíba e a arquitetura do café. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2006.

1839 – Depois de concluído o inventário é assinada escritura na qual a propriedade passa a ser uma sociedade familiar, a Avellar & Cia, composta por Joaquim e as irmãs Mariana Luiza, Ana Angélica e Maria Angélica. A partir da década de 30 a fazenda passa a substituir gradativamente a cultura da cana-de-açúcar pelo plantio de café em larga escala. Morre Luis Gomes Riberio deixando como herdeiros os treze filhos.

1840 – A fazenda Pau Grande já é uma próspera fazenda de café com mais de setecentos escravos.

1847 - Joaquim Ribeiro de Avellar recebe o título de Barão de Capivary.

1849 – Casamento de Joaquim Ribeiro de Avellar Junior e Mariana Velho da Silva.

1863 – Morre o Barão de Capivary deixando aos familiares um vasto patrimônio econômico, além de terras, escravos e cafezais. Após concluído seu inventário, um terço da herança fica para os netos, filhos de Mariana Velho de Avellar e Joaquim Ribeiro de Avellar Junior, futuro Visconde de Ubá, que passa a administrar sozinho todos os negócios da família.

1870 – A fazenda Pau Grande passa por um período de grande prosperidade econômica com a lucrativa produção de café que contava com mão-de-obra escrava e também de imigrantes assalariados.

1880 – A partir da década de 80 os negócios e as atividades da fazenda iniciam um processo de declínio com o empobrecimento das terras pelo intenso cultivo do café e pelo fim da mão-de-obra escrava que já se anunciava.

1887 – Joaquim Ribeiro de Avellar Junior recebe o título de Visconde de Ubá.

1888 – Falecimento de Joaquim Ribeiro de Avellar Junior, Visconde de Ubá, deixando como herdeiros de vasto patrimônio, a viúva Mariana Velho de Avellar, três filhas, dois filhos e um neto.

1945 -  A fazenda, embora em estado de abandono, continua em mãos da família Avellar, sendo a proprietária em meados do século XX, D. Mariana Albuquerque de Avellar.

19xx – A fazenda deixa de pertencer aos Ribeiro de Avellar e com sua área reduzida a apenas 20 alqueires é adquirida pelo colecionador de artes Plácido Gutierrez.

19xx – Lilly de carvalho Marinho adquiri a Fazenda Pau Grande.

1980 – Na década de 80 o empresário Walter Soares Ribas adquiriu a propriedade, iniciando uma grande obra de restauração, a qual acarretou em uma série de reformas e intervenções, alterando assim a planta e a distribuição original dos espaços da casa sede. Hoje a fazenda tem como principal atividade a criação de cavalos manga-larga marchador, e a antiga tulha abriga um moderno estábulo para criação de vacas leiteiras. Fechada à visitações, a Fazenda Pau Grande é atualmente uma residência privada.


" A Fazenda do Pau Grande

Ao cabo de tres dias de viagem chegamos ao Pau Grande, o mais importante engenho de assucar que vi no Brasil, com exceção talvez dos engenhos da fazenda do Collegio, nas proximidades de São Salvador de Campos, e construido pelos jesuítas.

"Após o percurso por uma região na qual só de longe em longe se encontram traços da atividade do homem, o viajante fica surpreso de ver uma casa tão grande cercada de grandes usinas. Pau Grande lembra menos o aspecto de um dos nossos castelos do que o de um mosteiro. A residência de seu proprietário tem um pavimento afóra o de rez do chão, e contam-se dezesseis janelas de frente, com sacadas de ferro, fundidas na Europa. Ao centro do edifício e no mesmo nível, há uma grande capella, cuja cobertura, no entanto, é bem diversa. O outro lado da casa, que fica encostada a um outeiro, tem duas alas com pateo permeio.

Os costumes. Divisão dos aposentos.

O rez do cão, como nas residências portuguesas e hespanholas, não é ocupado pelo proprietário. Uma escada de madeira, bastante mal construída, conduz aos aposentos: os posteriores são reservados às senhoras; os da frente apresentam uma série de grandes salas que se comunicam e providas de pouco mobiliário. Ao fundo destas salas, pequenas alcovas, escuras com portas, servem de dormitórios. Esta distribuição não é peculiar somente à casa de Pau Grande, mas commum às casas antigas, um tanto importantes, e se adapta aos hábitos de seus moradores. As mulheres, que pouco convivem com os extranhos, e pouco aparecem, passam o dia em aposento inteiramente separado. Os homens, ignorando o prazer da leitura e do estudo, entregues aos seus afazeres externos, têm apenas necessidade de um aposento onde possam reunir-se. Para dormir, pouca importa que os quartos sejam escuros ou cheios de claridade; a alcova sem luz é preferida por aquelles que querem dormir durante o dia.

Os engenhos e as senzalas dos escravos da fazendo Pau Grande, ficam mais ou menos em um semi-círculo em frente à residência do proprietário. A distillaria, as caldeiras, o moinho de canna, seguem-se nesta ordem, montados em um grande edifício construído de madeira e barro”. (SAINT-HILAIRE, Auguste de, 1937. p. 31 a 34)

Programa Interior
Programa Geral - tipologia e planta

A Fazenda Pau Grande é uma edificação de frontispício retangular e alongado com dois pavimentos, passando a um único piso nas laterais estendidas sobre o terreno inclinado, compondo assim a planta em “U”. Esta particularidade faz com que o piso superior se apresente como térreo na parte posterior da construção.

Seguindo a padronização comum à maioria das fazendas de café oitocentistas, a casa sede tem seu programa definido a partir da setorização do interior em ala social e privada.  As salas e salões destinados ao convívio social localizam-se essencialmente no primeiro pavimento. A capela, ocupando posição central em ambos os pisos, determina o eixo simétrico da construção. Nos fundos, os cômodos ao redor do pátio interno definem a ala privada e serviços.

Hoje a Fazenda Pau Grande, de uso e propriedade particular, embora em bom estado de preservação, apresenta inúmeras modificações e alterações na planta, que discordam das características descritas por Saint-Hilaire em visita à fazenda em 1816.  

Piso 0

O piso térreo apresenta-se como a entrada principal da casa, a qual é acessada por duas portas laterais que conduzem diretamente aos vestíbulos da cada pavilhão. Pela porta dupla central se adentra à nave seguida do altar-mor da capela. A planta simétrica dos dois pavilhões exibe quartos destinados aos hospedes enfileirados nas laterais, e ao centro, pequenas alcovas com igual função, que se alinham perpendicularmente em direção à capela. Na planta original, uma única escada de quatro lanços no vestíbulo direito conduz ao primeiro pavimento.

Piso 1

De acordo com a planta original, no piso superior, voltados para frente do edifício, encontra-se uma sequência de salas e salões interligados entre si, sendo que duas saletas contíguas à capela dão acesso direto ao coro. Em posição equivalente ao térreo, pequenas peças e alcovas com função de dormitórios se comunicam com os salões frontais e com a parte posterior do edifício, que abrigava os espaços destinados às mulheres.

Azulejaria

Estuques

Pintura Decorativa

Decoração Diversa
Piso 0 - divisão xx  Capela

Equipamento Móvel

Equipamento Diverso



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PTCD/EAT-HAT/11229/2009