A Casa Senhorial

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Chácara do Chalet

Chácara do Chalet
Chalet do Parque São Clemente
XIX - XX
1860
Brasil
Arquitectura

Casa de chácara, situada em Nova Friburgo, município do estado do Rio de Janeiro, foi construída na década de 1860, pelo Barão de Nova Friburgo, em estilo chalet. Em sua área de 3,87km², a chácara possuía pomar, lagos, jardins, repuxos, casa para morada do administrador e dos empregados, casa do hospital, senzala, escravos, paiol, estrebaria, moinho, gado bovino e criação de porcos. Coube a Glaziou, projeto paisagístico de toda a propriedade.


Edificação térrea, sobre porão alto, com acesso principal por meio de varanda frontal, há acessos pela fachada lateral e posterior.
Fachada principal voltada para o nascente, com escada de acesso pela varanda, com porta e duas janelas, que se sobressai em meio ao corpo principal, com duas jaelas em cada lateral.

Fachadas laterais divididas em dois blocos, separados por corredor que atravessa o edifício, em cujas extremidades há escadas.  O primeiro bloco com oito janelas e uma varanda com escada de acesso externo de cada lado. Os blocos posteriores possuem seis, o do lado direito, e cinco vãos, e estão voltados para pátio interno.

Fachada Posterior:

A fachada posterior é ocupada pelo pátio interno arrematado por um belvedere.








"A Estrada de Ferro de Cantagallo". O mosquito, anno 5, Rio de Janeiro 27 de janeiro 1873, no. 224, p. 3 a 6. Disponível em: 3, 4-5 a 6>

AMADURO, Camila Dias. Os jardins da Chácara do Challet - Uma análise da atuação de Glaziou em Nova Friburgo. 19&20, Rio de Janeiro, v. IV, n.2, abr. 2009. Rio de Janeiro, v. IV, n.2, abr. 2009. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/arte%20decorativa/jardins_glaziou.htm>.

FOLLY, Luiz Fernando Dutra, OLIVEIRA, Luanda J. Nascimento e FARIA, Aura Maria Ribeiro Faria. Barão de Nova Friburgo: impressões, feitos e encontros. Rio de Janeiro: UFRJ/EBA, 2010.

OLIVEIRA, Luanda J. Nascimento, FOLLY, Luiz Fernando Dutra e MELNIXENCO, Vanessa Cristina. Chácara do Chalet:  pequena história de um sonho.  Rio de Janeiro: UFRJ/EBA, 2010.

NOVA FRIBURGO. Cartório do 2º Oficio. Escritura pública de venda do Parque São Clemente. Vendedores Braz de Nova Friburgo, sua mulher e outros. Compradores Dr. Eduardo Guinle. Lavrada em 3 de fevereiro de 1913, livro 35 fls. 22 a 34.

NOVA FRIBURGO. Cartório do 2º Oficio. Escritura pública de venda do Parque São Clemente. Vendedores Paulo Clemente de Sousa Dantas. Compradores Dr. Eduardo Guinle. Lavrada em 8 de março de 1913, livro 35 fls. 31v a 33.

Rolando [AGOSTINI, Angelo] "A Revista Illustrada – para Campos".  Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 8, n. 343, p. 2-7, jun. 1883. Disponível em: 2, 3, 4-5. 6 e 7>

Fotografias atuais cedidas por Regina Lo Bianco, Ana Lucia V. Santos e Ana Claudia Torem.


1860 – Construção Chácara do Chalet pelo Antônio Clemente Pinto (1795-1869), barão de Nova Friburgo, projetada por Karl Frederich Gustave Waehneldt , com a colaboração do paisagismo de Auguste François Marie Glaziou.

1873 – Realizado grande baile campestre na chácara para Suas Majestades, comitiva e convidados por ocasião da inauguração da segunda etapa da Estrada de Ferro do Cantagalo, a 18 de dezembro daquele ano.

1875 – Julgada a partilha amigável de bens da herança do barão e baronesa de Nova Fribugo, a Chácara passa a pertencer a Antônio Clemente Pinto (1830-1898), filho primogênito do casal, que se tornaria o 1o barão, visconde e conde de São Clemente.

1883 – Realizada recepção a D. Pedro II e comitiva, a caminho de Campos para inauguração da iluminação elétrica, comentada pela Revista Illustrada.

1898 – Morre o conde de São Clemente, e o domínio das terras passa para sua filha Alice Clemente Pinto, casada com o conselheiro Rodolfo de Souza Dantas. A Chácara do Chalet passa a se chamar Parque São Clemente.

1913 – Os netos do Conde de São Clemente, senhores e legítimos possuidores do imóvel, vendem a propriedade ao Dr. Eduardo Guinle.

1935 – César Guinle, filho de Eduardo Guinle, já formado em Engenharia, vem para Nova Friburgo, a fim de administrar os negócios e propriedades da família.

1941 – Morre Eduardo Guinle. O domínio das terras passa a pertencer à viúva e aos filhos, continuando sua administração a cargo de César Guinle.

1944 – César Guinle inicia uma mudança na propriedade chamada “Cidade Jardim Parque São Clemente”, o projeto foi de sua autoria e participações de grandes arquitetos e urbanistas como, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e David Xavier Azambuja.

1957 – A Chácara é tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN). Processo esse requerido por César Guinle, visando preservar a grandiosidade artística e histórica do Parque São Clemente.

1957 – O Nova Friburgo Country Clube compra a parte central do parque, transformando o Parque São Clemente em uma sede esportiva.

1980 – Tem inicio a obra de conservação, restauração e recuperação do traçado original do Chalet, sob a direção do vice-diretor de Patrimônio e de Parques e Jardins do NFCC, Claudio Augusto Piragibe Magalhães, com a participação dos arquitetos Eurico Calventi, Carlos Fernando de Moura Delphim e Renato Primavera Marinho.

2010 – Iniciado o projeto intitulado “Memória do Nova Friburgo Country Clube”, executada pelo Nova Friburgo Country Clube.

"A Estrada de Ferro de Cantagallo". O mosquito, anno 5,  no. 224, 27/01/1873, p. 3, 4-5 a 6
Comentário sobre a inauguração do segundo trecho da ferrovia, o de ligação entre Cachoeira (sic) e Nova Friburgo, onde a comitiva foi recepcionada pelo barão de Nova Friburgo.


Ilustração "O mosquito"


"A Revista Illustrada - para Campos". Revista Illustrada ano 8, n. 347, 1883, p. 2, 3, 4-5. 6 e 7.
O artigo narra a viagem da comitiva de D. Pedro II, de trem, de ida e volta da Côrte a Campos, para inauguração do seu sistema de iluminação. Por dois momentos, a comitiva é recebida pela família Clemente Pinto, tanto pelo visconde de S. Clemente, na Chácara do Chalet,  como pelo barão de Nova Friburgo, em sua fazenda Gavião e na estação da Boa-sorte.

Na estação de Friburgo se preme toda a população curiosa e alegre, mas nem ha tempo de ouvir-lhe os enthusiásticos vivas, é preciso correr, voar, eia!.. em carros ou em bonds. Arrebatados pelos quatro lindissimos poneys da Escossia da Exma. Sra. D. Alice Clemente, S. S. M. M. já voam longe; e agora, outra circunstancia para andar lesto, se viaja decididamente para o almoço...quero dizer para o chalet do Sr. Visconde de S. Clemente.

É realmente uma principesca morada a vivenda de campo do Sr. visconde: elegante, artisticamente distribuido e ricamente mobiliado, o chalet é todo d´um luxuriante jardim, alegrado de cascatas, lagos, ilhas, cortado de canaes, que se prolonga em parque até às montanhas próximas. Como deve ser doce viver-se aqui! Mas, qual viver nem morrer!... depressa, vamos! é preciso engulir e pôr-se a caminho de para Cantagallo, ou quasi. p. 3

(...) o palacio da fazenda Gavião nos abre largamente as portas e nos recebe antes com luvas de pellica do que com garras. É um palácio, eu disse, elegante, espaçoso, de boa architectura e admirável bom gosto, eu posso acrescentar. Este dispendio de arte e apurado gosto deixa, aliás de me surprender, logo que vejo, n´uma rica bibliotheca, a melhor prova de que estamos realmente hospedados por um homem illustrado e cavalheiro distinctissimo, como é o barão de Nova Friburgo. p. 3

E as festas esplendidas do Exmo. sr. visconde de São Clemente, no seu chalet de campo! Que luxo asiatico, que sumptuosidade de Mil e uma noites!
O centro de mesa, do jantar representa, artisticamente imitados com musgos, verdadeiros parques inglezes irisados de perfumados ramalhetes de violetas e de magnificas camelias de todos os matizes. O menu é o mais fino, o mais extraordinario. Ao deixar a mesa, viemos achar tudo ja illuminado. A area central do chalet, do mais elegante estylo mourisco, com o seu repucho, está brilhantemente illuminada com copinhos de côr.
O jardim, que se estende magnifico, com a sua graciosa ilha, os seus canaes, as suas pontes elegantes, está brilhantemente illuminado a giorno (...) p. 7

“uma casa com architetura de Chalet, situada no meio do Parque, construída de paredes de estuque, madeira de lei, forrada, assoalhada, ladrilhada, na varanda e na área central; mede vinte e cinco metros de frente por vinte e sete metros de fundos no corpo principal, quinze metros e oitenta centímetros de extensão por cinco metros e sessenta centímetros de largura, cada um dos dois puxados que lhes ficão na parte fronteira, tem três portas e quatro janelas na frente e é dividida no corpo principal em salão de visitas tendo em cada lado uma sala; gabinete, quatro quartos, sala de bilhar, escriptorio, biblioteca, sala de jantar e área central. Puchado do leste em copa, saleta de jantar para creados, cosinha e dispensa. – Puchado do Oeste, em dois quartos, banheiro, latrina e rouparia. Tem uma varanda na frente e uma em cada lado do corpo principal. Um chalet onde se acha estabelecida a biblioteca; uma casa para duchas, um viveiro para pássaros, um moinho para fabrico de fubá, uma caixa d´auga, um barracão, duas cocheiras, sendo uma para vaccas e outra para cavalos, uma casa para deposito de carros, dez pequenas casas onde residem os agregados, doze ditas, de um e outro lado da rua São Clemente, sob os números trez, quatro, cinco, seis, oito, dez, doze, quatorze, dezesseis, dezoito, vinte e vinte e dois. O principal edifício “Chalet” está todo mobiliado, de acordo com a descrição dos moveis e semoventes, especificado na conta de avaliação feita em dois de Julho do anno próximo findo, a folhas quatrocentos e onze do inventario do falecido Conde de São Clemente.”
CERTIDÃO Cartório do 2º. Oficio Município Nova Friburgo, Escritura pública de venda do Parque São Clemente, lavrada em 13 de fevereiro de 1913, Livro 35, fls. 22 a 24. Braz de Nova Friburgo, sua mulher e outros (vendedores) . Dr. Eduardo Guinle (comprador)

Programa Interior
 
Programa interior

A planta retangular é dividida em dois corpos. O primeiro tem entrada principal em um grande salão, com três portas, e, lateralmente, um quarto com quatro janelas, duas que se abrem para a fachada e o mesmo número, para as salas laterais e três portas. Há três quartos cada ala lateral. Cada quarto possui duas janelas e três portas, sendo que no centro uma porta se volta para a varanda com saída para o parque. Ao final das alas, encontram-se o escritório, de um lado e a sala de bilhar do outro, tendo cada compartimento duas janelas e duas portas.

Ao centro do primeiro corpo, há um pátio interno quadrado ladeado por corredores que fornecem a circulação, formando um pátio retangular. No pátio ao centro, a céu aberto, se localiza o refrigério, espécie de atrium romano, para o qual se voltam os salões e os quartos.  Doze colunas ortogonais, de madeira, separam o corredor do atrium.

O segundo corpo é ligado ao primeiro por um amplo corredor, em cujas extremidades há escadarias, com cinco portas que abrem para o primeiro corpo, três, do salão de refeições, e duas para os corredores do atrium.  Nesse corpo,  há uma porta para cada ala, sendo que a da direita é composta por três compartimentos – sala de engomar, sala de refeições ou copa e cozinha, com cinco janelas para o parque. A da esquerda é composta por dois quartos, banheiros para empregados e rouparia.  Entre os dois corpos há uma área ou jardim, onde predomina a varada da sala de refeições, circundada por camélias e pés de flor do imperador.

Azulejaria
Piso 0, Divisão 5, Banheiro

Banheiros modernos instalados após reforma realizada por Eduardo Guinle na segunda década do século XX, substituindo dois quartos do programa interior original. As paredes são revestidas com azulejos brancos do piso ao teto, formando sistema de lambri de apoio. A cornija baixa em meia altura é decorada com cercadura de face relevada, associando elementos clássicos a motivos vegetalistas da arte nova. No centro corre moldura com azulejos figurativos em fundo branco e padrão floral policromado de gosto Art Nouveau. Em tons de verde, friso superior de arremate decorado com motivo de óvalos, volutas e folhas; e friso inferior clássico de óvalos e dardos. Na altura do piso, contrastando com as paredes brancas, rodapé sem ornamentação na mesma tonalidade dos frisos de rodameio.

Piso 0, Divisão 16, Entrada Lateral

As entradas que levam à varanda da Sala de Jantar são acessados pelas escadas externas, localizadas nas duas laterais posteriores da edificação. Nas paredes, a decoração original com pintura do tipo faux marbre é datada da primeira fase do Chalet; sendo posteriormente substituída por azulejaria nas obras realizadas por Eduardo Guinle. As paredes são revestidas com azulejos brancos do piso ao teto, formando sistema de lambri de apoio com cornija baixa, ou barra de rodameio. Em tons de verde, o rodameio tem a face relevada, é decorado com guirlandas e motivos vegetalistas de gosto Art Nouveau, e rematado com baguette lisa sem ornamentação. Rodapé na mesma tonalidade decorado com motivos gráficos e fitomórficos.

Estuques

Piso 0, Divisão 1, Sala de Visitas

Plano do forro retangular decorado com relevo estucado em branco e dourado de inspiração na antiguidade clássica. Ao centro, grande reserva oval com molduração composta de óvulos e folhagens; seguida de fina baguete dourada, e quarto-de-volta de acanto, volutas e culots. A simetria do arranjo apresenta nas cantoneiras, medalhões com moldura interna composta de baguette dourada e astrágalo de contas e olivas; e cercadura externa decorada com óvulos e folhagens. Apontando para os vértices, os medalhões têm sua molduração rematada por ornato simétrico de folhas de acanto.

Inspirados nos frisos clássicos romanos, quatro compartimentos retangulares que se vergam nas laterais para abraçar os medalhões completam o conjunto. São guarnecidos de ornamento de plano limitado composto de motivo central de média-figura alada, donde partem folhagens espiraladas, gavinhas e flores. Todo o forro é contornado por moldura grega de folhas e volutas; e astrágalo de contas e entrelaços.

A cornija é composta de sequência de par de consolos decorados com folhas de acanto, rosetas e volutas, intercalando painéis retangulares em baixo-relevo estucado. Os motivos alternam ornato clássico de enrolamento de acanto e gavinhas; e emblemas de instrumentos musicais contendo lira, partituras, pandeiro, corneta, flauta e triângulo. A moldura do cimácio reúne óvulos, dardos e astrágalo de pérolas, e na junção com as paredes, moldura de rais de coeur e astrágalo de contas e olivas.

Piso 0, Divisão 2, Sala dos Homens

Forro sanqueado de plano retangular com sistema de compartimentação regular e simétrica, molduração e ornamentação em relevo estucado. No centro, a grande reserva circular é integrada a dois pequenos medalhões pelo largo toro de folhas de louro que define a moldura principal dos três compartimentos circulares. Clara e arejada, a grande rotunda tem o cerne guarnecido de florão composto de arabescos e enrolamentos em “C”, emoldurando roseta de onde pende o lustre. Uma delicada cercadura ponteada de ornatos vegetalistas remata a moldura da reserva central. Nas laterais, os dois medalhões de gosto clássico são repletos de ornamentação como dentículos, astrágalo de pérolas e roseta de doze pontas.

Quatro painéis de contorno quadrilátero têm seus dois lados internos vergados, flanqueando o perfil curvilíneo dos demais compartimentos. A estreita baguette que compõe cada painel tem os quatro vértices decorados com crossette de folhas e enrolamentos em “C”.  Uma larga moldura retilínea decorada com cordão de pérolas contorna os compartimentos, abrangendo todo o conjunto. Torna-se curva nos quatro pontos em que tange o toro de loureiro com uma espécie de fecho, formado por ornato de cártula, folhagens espiraladas e culot.   

A sanca que constitui as laterais côncavas do teto é ladeada por moldura composta de friso clássico de folhas de acanto, baguette e astrágalo de fita entrelaçada. O interior é decorado com friso sequencial de guirlanda de flores, laçaria e ornato de folhas de acanto.

   

Piso 0, Divisão 11, Sala das Damas

Forro sanqueado de plano retangular com sistema de compartimentação regular e simétrica, molduração e ornamentação em relevo estucado. No centro, a grande reserva circular é integrada a dois pequenos medalhões pelo largo toro de folhas de louro que define a moldura principal dos três compartimentos circulares. Clara e arejada, a grande rotunda tem o cerne guarnecido de florão composto de arabescos e enrolamentos em “C”, emoldurando roseta de onde pende o lustre. Uma delicada cercadura ponteada de ornatos vegetalistas remata a moldura da reserva central. Nas laterais, os dois medalhões de gosto clássico são repletos de ornamentação como dentículos, astrágalo de pérolas e roseta de doze pontas.

Quatro painéis de contorno quadrilátero têm seus dois lados internos vergados, flanqueando o perfil curvilíneo dos demais compartimentos. A estreita baguette que compõe cada painel tem os quatro vértices decorados com crossette de folhas e enrolamentos em “C”. Uma larga moldura retilínea decorada com cordão de pérolas contorna os compartimentos, abrangendo todo o conjunto. Torna-se curva nos quatro pontos em que tange o toro de loureiro com uma espécie de fecho, formado por ornato de cártula, folhagens espiraladas e culot.    

A sanca que constitui as laterais côncavas do teto é ladeada por moldura composta de friso clássico de folhas de acanto, baguette e astrágalo de fita entrelaçada. O interior é decorado com friso sequencial de guirlanda de flores, laçaria e ornato de folhas de acanto.

  

Piso 0, Divisão 15, Bilhar

 Plano de forro retangular com sistema de compartimentação geométrica, molduração e ornamentação em relevo estucado. A grande reserva quadrangular é cortada por quatro compartimentos em composição cruciforme, que partem da roseta central e têm as extremidades formando semicírculos. O entorno é demarcado por uma cercadura composta de pequenas seções quadradas nos cantos, e retangulares nas laterais, acompanhando o perfil curvo dos semicírculos.

A roseta central de inspiração clássica tem perfil circular e moldura externa de baguette de cordão, a qual define também a molduração dos demais compartimentos do forro. O cerne da roseta é composto de cordão de pérolas donde partem folhas de acanto. No entorno da moldura externa, oito palmetas equidistantes, rematam os cantos de cada seção da reserva central.

Cornija simples composta de sequência de consolos e molduração de perfil sem ornamentação.


  

Piso 0, Divisão 21, Sala de Jantar

 Plano do forro retangular com compartimentação geométrica e molduração em relevo estucado de inspiração neoclássica. Ao centro, grande painel tripartido e moldura composta de toro decorado com motivos de frutas. A roseta central, de onde pende o lustre, tem perfil circular composto de pequenas cartelas e folhas de acanto, no cerne cordão de pérolas, e no interior abundantes motivos vegetalistas. Os compartimentos retangulares do entorno, e os quadrangulares dos cantos são guarnecidos de painéis internos com molduração simplificada. Uma baguette de contas e polias demarca a divisão simétrica e regular de cada seção geométrica do forro. A cercadura externa que remata todo o arranjo é composta de moldura do tipo caveto com caneluras, baguette de entrelaçamento e de contas e polias.

A cornija ressaltada é substituída por um friso clássico de dentículos, o qual separa as paredes da sala, da face côncava do forro.

  

Pintura Decorativa

Piso 0, Divisão 1, Sala de Visitas

Esquema de divisão parietal em duas seções onde o silhar de altura reduzida apresenta fundo verde-palha sobreposto de sequência de painéis pintados à plat com vértices arredondados, e larga cercadura filetada em amarelo-ouro. Os painéis são intercalados por motivos estilizados de finos candelabros com volutas. Ausência de roda-meio ou cornija baixa, sendo o silhar separado da seção superior por estreita moldura do tipo listel pintada em amarelo-ouro.

A zona nobre, que se estende do listel de roda-meio à cornija do teto, é decorada com grandes painéis retangulares em posição equivalente aos apainelados inferiores, enquadrando portas, janelas e espelhos. O fundo liso em verde-palha é demarcado por moldura retilínea do tipo listel pintada em azul ultramar, que se verga nos dois vértices superiores rematados por pequeno crossette de acanto em amarelo-ouro. Encaixilhando o conjunto de painéis, se forma uma larga cercadura de tonalidade clara decorada nas verticais com motivos pendentes de gosto Luís XVI. Semelhante a um alongado troféu florido, cada motivo reúne ao redor de uma extensa fita pendente, as mais variadas espécies de flores e folhagens, entre elas girassóis, magnólias, hortênsias, lírios e cravos. O alto de cada arranjo é coroado com ornato de concha, donde partem folhagens espiraladas que terminam em gavinhas e volutas.

Plano do forro retangular tendo ao centro grande reserva oval guarnecida de pintura a óleo de inspiração no afresco “A Aurora” do pintor barroco Guido Reni. A pintura representa somente Apolo em seu carro de quatro cavalos cercado pelas alegorias das Horas e do pequeno putti portando uma tocha. No entorno, os quatro vértices do teto são compostos de reservas circulares, formando medalhões com pintura a óleo de Amores representando as Quatro Estações. Pintura decorativa do último quartel do século XIX atribuída à Elviro Martignoni.

Piso 0, Divisão 2, Sala dos Homens

Paredes libertas da divisão por zonas e decoradas com pintura mural do tipo Stencil ou Pochoir, que se estende do rodapé à cornija do teto, simulando papel de parede. Os padrões monocromáticos de arabescos estilizados pintados à plat formam fileira de esguias faixas verticais delimitadas por moldura filetada, contrastando com o fundo de cor creme. No alto, um largo friso pintado com a mesma tipologia ornamental, mas disposta na forma de guirlandas e culots, confere acabamento superior às paredes. Rematando todo o arranjo, assim como encaixilhando janelas e portas, uma larga banda retilínea em tom amarelo ocre flanqueia o friso superior, destaca os cantos das paredes e compõe o plinto acima do rodapé. 

Piso 0, Divisão 11, Sala das Damas

Paredes libertas da divisão por zonas e decoradas com pintura mural do tipo Stencil ou Pochoir, que se estende do rodapé à cornija do teto, simulando papel de parede. Sobre fundo vert-gris, os padrões fitomórficos pintados à plat em duas cores formam fileiras verticais de losangos e círculos guarnecidos de flores e folhas estilizadas.

   

Rematando o arranjo, assim como encaixilhando janelas e portas, uma larga banda retilínea em tonalidade escura flanqueia a moldura da sanca, destaca os cantos das paredes e compõe o plinto acima do rodapé. 

No forro, quatro painéis de contorno quadrilátero que circundam a reserva central são guarnecidos de pintura com motivos de flores. variados. 

Piso 0, Divisão 16, Entrada Lateral

As entradas que levam à varanda da Sala de Jantar são acessadas pelas escadas externas, localizadas nas duas laterais do corpo principal da edificação. Nas paredes, formando composição de sistema de lambri de altura, a pintura mural decorativa do tipo faux marbre caracterizou o acabamento original da primeira fase do Chalet, quando de propriedade do Barão de São Clemente. Pintura parietal da segunda metade do século XIX, sendo posteriormente substituída por azulejaria.

   

 

 

Piso 0, Divisão 20, Pátio

Pátio com jardim interno de planta quadrangular circundado por arcada de madeira com doze colunas, sobre as quais corre friso com pintura decorativa de motivos estilizados. Inspirada nos ornamentos árabes geométricos, a composição de grandes padrões entrelaçados forma sequência contínua de arcos lineares guarnecidos de espécie de florão estilizado, intercalados por rosetas árabes.  Sobre fundo bege claro, a palheta cromática de tons terrosos reúne ao marrom e ao vermelho, o contraste do azul ultramar. O friso, que percorre também a parte voltada para os corredores de acesso às salas, recebe o mesmo acabamento pictórico decorativo.  


Piso 0, Divisão 21, Sala de Jantar

Plano do forro retangular com compartimentação geométrica e pintura decorativa de inspiração neoclássica. Ao centro, grande painel tripartido, sendo a seção do cerne guarnecida de roseta em estuque cercada por fina moldura pictórica composta de filetes e volutas de cantoneira pintadas à plat em uma só cor. Os dois panneaux laterais representam par de Amores envoltos por enrolamentos vegetais e volutas.

Os demais compartimentos do entorno, recebem o mesmo acabamento do centro, com molduras e ornatos monocromáticos estilizados. Os quatro ângulos com painéis quadrangulares são guarnecidos de roseta composta de palmetas e arabescos. Nos compartimentos retangulares das laterais, a fina molduração é composta de duplos filetes que chegam aos cantos encurvados, rematados pelo mesmo motivo ornamental das rosetas.


Decoração Diversa
Piso 0, Divisão 1, Sala de Visitas

Sobre portas e janelas, sanefas de jacarandá com pintura dourada em perfil arbalète, decoradas ao centro com motivo de palmeta, enrolamentos em “C”, culot e folhas de acanto donde partem raminhos de flores. Cortinas de veludo com barrado superior e braçadeira lateral; espelhos de madeira dourada com moldura em estilo Luís XIV. Flanqueando a entrada principal, par de lampadários em bronze sobre pedestais de mármore Carrara, compostos de figura feminina sustentando candelabro de sete braços. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 0, Divisão 2, Sala dos Homens

Sobre as janelas, sanefas em madeira de jacarandá de perfil reto e acabamento superior com moldura do tipo baguette, formando ao centro volutas rematadas por pequeno ornato de palmeta. Lareira de mármore branco em estilo Luís XV. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 0, Divisão 5, Banheiro

Banheiros modernos instalados após reforma realizada por Eduardo Guinle na segunda década do século XX, substituindo dois quartos do programa interior original. Pavimento em mosaico de ladrilho hidráulico, formando padrão policromado repetitivo de octógonos acantonados de pequenos losangos guarnecidos de flor estilizada. Cada ladrilho tem o centro livre e é decorado com moldura de arabescos e pequenas conchas estilizadas. No entorno, barra composta de ornato de entrelaçamento.

Piso 0, Divisão 11, Sala das Damas

Sobre as janelas, sanefas em madeira de jacarandá douradas gênero Regência Francesa, onde o perfil reto decorado com friso de caneluras tem acabamento superior com moldura quarto-de-volta invertida. O centro é coroado com máscara feminina ou espagnolette coiffée de palmeta perolada donde partem ramos de flores. As extremidades são rematadas com ornato de pináculo com godrons. Lareira em mármore de Carrara. Lustre em bronze dourado com quatro braços de seis candelabros trabalhados com hastes em volutas. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 0, Divisão 20, Pátio

Pátio interno de gosto pitoresco e planta quadrangular circundado por arcada de madeira com doze esguias colunas octogonais, formando arcos em quina rematados por ornato pingente ou cul-de-lamp. A área que abriga o jardim tem piso em mosaico policromado ponteado de motivos de rosetas estilizadas, sendo os quatro cantos cortados por canteiros em quarto de círculo. Ao centro, grande bacia de cerâmica inglesa bege com fonte e chafariz, elemento decorativo marcante do Pinturesco. Do cerne do teto envidraçado, cai pendente por correntes, castiçal aramado composto de três bases circulares sobrepostas e unidas por volutas. Do mesmo gênero, quatro suportes para plantas, formando cestas aramadas com braços para castiçal, rematam simetricamente os arcos que flanqueiam duas das quatro passagens para os corredores internos.  

Os quatro corredores que ladeiam o pátio, fazem a comunicação do jardim interno com quartos, salas e salões do Chalet. O piso é revestido de ladrilho hidráulico policromado de padrões geométricos, fitomórficos e estilizados, formando malha quadrangular contínua e diagonal. Os tons terrosos distribuem-se na larga cercadura acantonada por quadrado com roseta quadrilobada, tendo ao centro quadrados guarnecidos de roseta circular. No entorno do pátio, o piso tem acabamento com moldura de friso de motivos fitomórficos. A testeira interna, que confere acabamento decorativo ao telhado de vidro, é rematada com lambrequim de motivo vegetal árabe estilizado, ornamentação que compõe igualmente a cresteria na banda superior.

Piso 0, Divisão 21, Sala de Jantar

Sobre as janelas, sanefas em madeira de jacarandá de perfil reto, vergadas no centro com coroamento de ornato de palmeta, cartela e volutas. Acabamento de contorno com moldura de óvalos e crossettes nas extremidades. Piso em tacos de madeira bicolor formando padrão xadrez quadrangular.  

Piso 0, Divisão 22, Varanda Posterior

Varanda posterior contígua à Sala de Jantar de planta longitudinal e avanço central em semicírculo. Pavimento em cerâmica policromada, formando padrão geométrico repetitivo de quadrados e losangos. Guarda-corpo em ferro composto de finíssimo gradil, terminando em forma de arcada na junção com o corrimão. Beiral do telhado com testeira guarnecida de lambrequim e cresteria decorados com motivo vegetal árabe estilizado. 

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009