A Casa Senhorial

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Palacete Cornélio

Palacete Cornélio
Asilo São Cornélio
XIX - XX
1862
Brasil
Arquitectura

­Situa-se na Rua do Catete, nº 6, no bairro da Glória. O bairro, na Zona Sul do Rio de Janeiro, é predominantemente residencial e densamente ocupado, por sua proximidade ao Centro.

O terreno original do palacete, que subia até a encosta do morro Santa Teresa, foi parte da grande chácara de Manoel Velho da Silva, e foi diminuindo com o passar dos anos devido a loteamentos e à implantação da Rua Santo Amaro.

A casa fica junto ao outeiro da Glória e à Praça Nossa Senhora da Glória, que lhe proporciona ambiência e visibilidade. 


O Palacete Cornélio foi reformado em 1862 como residência térrea de frente de rua com porão alto. A fachada principal é voltada para Leste.

O bloco original é um prisma de base retangular, com o maior lado ao longo da via pública. A composição é simétrica, dividida em três panos delimitados por colunas compósitas, tendo o centro marcado por um frontão. Possuem dois blocos recuados nas laterais, que criam pátios de acesso a casa, cercados por gradis de ferro com portões. No lado direito há uma passagem para o jardim que se localiza nos fundos da construção, através de um arco pleno.

Outros pavilhões foram acrescentados nos fundos, para atender às necessidades do Asilo, e mais tarde da Faculdade de Medicina Souza Marques. 


A fachada principal divide-se em três panos, limitados verticalmente por colunas compósitas. O porão é revestido em silharia de argamassa, com óculos ovais alinhados pelos eixos das janelas para ventilação.

O pano central tem cinco janelas de peitoril em folhas de madeira e vidro com bandeira em arco pleno, e os panos laterais têm quatro janelas do mesmo tipo cada um. As janelas são emolduradas em cantaria.

A composição é marcada ao centro por frontão triangular e arrematada lateralmente por platibanda. O coroamento é dividido da parede por frisos e cornija denticulada.

A fachada lateral direita tem composição simétrica de três vãos, sendo o central uma porta de duas folhas de madeira e vidro que dá entrada a casa, os vãos laterais são janelas de peitoril idênticas àquelas da fachada principal.

Na fachada lateral esquerda um lance de escada de ferro dá acesso a uma pequena varanda, também de ferro. Há apenas dois vãos, sendo uma porta de acesso ao interior e uma janela. 


As janelas são de peitoril, com duas folhas externas em vidro e folhas internas de madeira. As bandeiras são em arco pleno, e o conjunto do vão é emoldurado em cantaria.

Portal de entrada

A entrada se faz pelas duas laterais, por escadas de ferro com pisos de granito, com dois lances em curva, opostos e simétricos. O patamar único dá acesso a uma porta de duas folhas em madeira e vidro, com bandeira em arco. 


Fachada dos Fundos

A fachada dos fundos tem janelas retangulares em venezianas de madeira e folhas de vidro, com bandeira também retangular. As colunas que marcam os panos da fachada são mais simples, assim como o friso e a cornija. A platibanda é azulejada, e estátuas coroam a marcação vertical da fachada. Uma porta baixa dá acesso ao porão alto, que tem uma base de cantaria. No recuo da fachada, uma escada e uma porta dão acesso ao largo corredor situado nos fundos do bloco principal.

BARATA, Cau. O palacete do Asilo de São Cornélio ­ Glória. Disponível em https://www.facebook.com/notes/rio-de-janeiro-onde-morava-meu-antepassado/o-palacete-do-asilo-de-s%C3%A3o-corn%C3%A9lio-gl%C3%B3ria/897625473636117

CAVALCANTI, j. Cruvello. Nova numeração dos prédios da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1978.  Coleção Memoria do Rio – 6 - II

MUAZE, Mariana. As Memorias da Viscondessa – família e poder no Brasil Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, Faperj. 2008.

Oficio Notas do Rio de Janeiro 1. 5d, Oficio de Notas. Venda de casa. Leonarda Maria Velho da Silva − João José Ribeiro Silva.  Livro 284, folhas 125 (V), 08/11/1861, Rolo Nº 031.26-79. Arquivo Nacional.

PASCUAL, A. D. Esboço biográfico do Conselheiro José Maria Velho da Silva. Rio de Janeiro : IHGB, 1861. Disponível em  https://books.google.com.br/books?id=GKQ6AAAAcAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR. Apurado em 21/04/2017

SERVIÇO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Asilo São Cornélio. Trabalho elaborado por Noronha Santos, abril de 1945. Arquivo Central IPHAN.

TELLES, Augusto C. da Silva. Casa do Asilo São Cornélio, na rua do Catete 6. Arquivo Central IPHAN.

Fotografias atuais cedidas por Alberto Cardoso, Ana Lúcia V. Santos, Ana Claudia Torem, Iphan, Marconi Andrade, Pedro Oswaldo Cruz e Jacques Casinelli.

1785 – O Capitão Manuel Velho da Silva compra, por 1:600$000, as benfeitorias de chácara vendidas por Antonio Ribeiro de Paiva, com casa de vivenda coberta de telhas, de pedra e cal, com árvores de espinhos, sita defronte de Nossa Senhora da Glória.

1807 – Morre o Capitão Manuel Velho da Silva, deixando a propriedade para viúva Leonarda Maria da Silva Velho, que gerencia os bens dos seis filhos do casal.

1825 – Morre D. Leonarda, e a chácara é herdada pelo seu filho mais velho, Amaro Velho da Silva, então com 45 anos de idade, futuro barão de Macaé, em 1826, e visconde, em 1829. Ele mandaria erguer uma capela na propriedade dedicada a Santo Amaro.

1838 - A chácara passa a pertencer a José Maria Velho da Silva, futuro mordomo da Casa Imperial, casado com sua prima, Leonarda Maria Velho da Mota, sobrinha do visconde Amaro Velho da Silva, e neta da matriarca, Leonarda Maria da Silva Velho.

1844 – A chácara é retalhada, reservando-se a de número 2 da Rua do Catete para a nova edificação em nome do proprietário. Um novo logradouro é aberto, com princípio na Rua do Catete e fim no morro de Santa Teresa, que recebeu o nome de Rua Santo Amaro.

1860 – Morre o conselheiro Velho da Silva, a 7 de abril, de congestão cerebral, em Petrópolis.

1861 – Venda de lote voltado para a rua do Catete, pela viúva Leonarda Velho da Silva, ao rico comerciante João José Ribeiro da Silva.

1862– É inaugurada a casa construída por José Ribeiro da Silva, conforme data fixada na fachada, agora o no. 6 da rua do Catete.

1868 − Morre Ribeirinho, e o palacete é vendido pelos herdeiros Nicolau Ribeiro da Silva e Adelaide Regadas a João Martins Cornélio dos Santos, diretor do Banco Comercial e comissário de café, casado com Cecília de Souza Breves, da poderosa família de cafeicultores, os Breves.

1879 – Cornélio dos Santos promove várias benfeitorias na propriedade, tornando-a assobradada, e introduz pinturas murais nos salões nobre, com destaque para o salão principal, que recebeu pintura de caráter histórico alusiva à guerra do Paraguai.

1882 - O Guia do viajante no Rio de Janeiro, de Valle Cabral, relaciona o Palacete Cornélio dentre os edificios destacáveis da cidade.

1894–Morre João Martins Cornélio dos Santos, deixando viúva e três filhas, e legando o imóvel à Santa Casa de Misericórdia, instituição na qual ele benfeitor, para o estabelecimento de asilo para educar meninas pobres sob a invocação de São Cornélio.

1900 − Inauguração do Asilo São Cornélio a 16 de agosto, que passa a ser gerenciado pelas irmãs de caridade de São Vicente de Paulo.

1902-1912− São realizadas obras de conservação e melhoramentos promovidas pela Santa Casa de Misericórdia.

1938 – A propriedade é inscrita no Livro das Belas a 15 de julho de 1938 (proc. Iphan no. 10-T-38, inscrição no. 175, fl. 30).

1967 – São promovidos de reparos nos tetos de estuque, corredor, salas de costura, refeitório das professoras.

1971 – O imóvel deixa de ser asilo, para abrigar a Fundação Técnico Educacional Souza Marques.

1975 – São realizadas obras na divisa lateral do Palacete para unir os prédios existentes no fundo do terreno.

1976 – São construídos mais blocos ao edifício do asilo São Cornélio, sem a autorização prévia do IPHAN.

2000–A Faculdade de Medicina Souza Marques desocupa o palacete, deixando-o em completo abandono.

Programa Interior
Programa interior

A construção assobradada é composta de prisma alongado em um pavimento com porão, que se articula a um corpo lateral, formando uma planta em “L”, com jardim nos fundos. As entradas apresentam-se dispostas nas duas laterais, sendo a principal feita pelo lado sul, por uma suntuosa escada curvilínea em dois lances, que dá acesso diretamente à entrada social ou sala de visitas, seguido da zona de aparato.

Um terceiro acesso localizado na fachada leste conduz a um extenso e largo corredor com janelas para o jardim, levando ao pequeno hall por onde se pode adentrar na área nobre pelos fundos da construção. A tipologia assimétrica define espaços de dimensões distintas dispostos lado a lado sem a interseção de corredores internos, sendo a circulação feita através das numerosas passagens que interligam todas as salas.  

Ala sul

A área nobre e social da casa combina saletas, salas e grandes salões, dentre estes a sala de visita (2) o salão nobre (3), a sala de jantar (14),  e a sala de música (16), distribuídos na ala sul e central do edifício. Os ambientes contíguos são interligados por uma ou mais portas, facilitando a livre circulação em dias e ocasiões festivas.

Ala norte

Em função das modificações internas, realizadas quando o Palacete tornou-se Asilo São Cornélio em 1900, alguns espaços perderam suas características e funções originais. A planta existente indica que a zona privada com quartos e os serviços estariam localizados na ala norte, e no corpo lateral, a noroeste do edifício. A entrada lateral norte na fachada principal conduz o exterior diretamente à área privada da casa, sem que seja necessário transitar pelos demais ambientes. 

Azulejaria
Estuques
Piso 0, Divisão 14 Sala de Jantar

Cornija em estuque branco composta de molduração com óvulos, culots, godrons e sequência de mísulas decoradas com guirlandas de frutos.

Pintura Decorativa

Piso 0, Divisão 16, Sala de Música

Decoração pictórica inspirada no barroco italiano onde o teto retangular pintado em quadratura se abre mostrando um céu fingido, coberto por grande panejamento circular. O tecido em tons de cinza simulando rico bordado se dobra, formando uma espécie de tenda, cujas pontas são cuidadosamente alçadas por dois Amores. Perfeitamente escorçadas estão outras quatro figuras de Amores segurando diferentes instrumentos musicais como a corneta, o pandeiro e a flauta; se espalham aninhadas sobre a arquitetura fictícia do entorno, ricamente pintada com os efeitos ilusionistas do trompe l’oeil.

O cimácio é composto de uma moldura saliente com acabamento marmorizado, que se estende sobre a parte inferior decorada, com apainelados guarnecidos de fond losanges às fleurettes, e rematado com seis ornatos de guirlandas e máscaras femininas ou espagnolette, tipologias recorrentes da Regência francesa.

Completando a temática representada, dois arranjos posicionados sobre duas bordas opostas da moldura, reúnem pautas musicais, instrumentos e flores. 

Toda a perspectiva aérea se desenvolve acima da cornija que separa teto e parede, que são pintados com efeitos de sombra e luz. Simula relevo dourado composto de friso com motivos de entrelaçamento, astrágalo de contas e polias, friso de óvalos e friso com caneluras.

Piso 0, Divisão 3, Salão Nobre

O teto ornado com pintura decorativa busca o efeito monumental do Primeiro Estilo Luís XIV com Amores, que se aninham sobre arquiteturas fingidas acima da pesada cornija; e figuras femininas que se ordenam ao redor da grande reserva central com moldura saliente pintada em trompe l’oeil. Encimando a cornija, destacam-se quatro grandes painéis simétricos de temática histórica, como a Passagem de Humaitá na Guerra do Paraguai. Destoando deste enredo, delicada pintura de puttis esvoaçantes portando extensas guirlandas de flores, muito ao gosto de Boucher, preenche a grande reserva central de contorno ovalado, onde é circundada pelos demais compartimentos do forro, guarnecidos de uma malha de arabescos estilizados.

Piso 0, Divisão 14, Sala de Jantar

O forro retangular é decorado com pintura em trompe l’oeil, simulando ornamentação em relevo estucado. O sistema de compartimentação geométrica apresenta grande reserva central, oval, flanqueada por seis seções triangulares distintas, cujo lado tangente ao centro é curvilíneo.

Os interiores são preenchidos com malha plana e monocromática, realizada com a técnica do stencil ou pochoir. A reserva central apresenta florão composto de roseta no cerne com enrolamentos e volutas, e cercadura de cordão de pérolas. No entorno, a rica moldura pintada em claro e escuro. Confere relevo pictórico ao gosto do strapwork elisabetano. O perfil côncavo é decorado com um largo friso ostentando seis suntuosas cartelas barrocas em relevo pictórico, unidas por arranjos florais e guarnecidas de pinturas de naturezas-mortas e gêneros alimentícios.

O friso é preenchido por ornamentação com motivos de strapwork suavemente pintados com efeitos de sombra e luz, e segue contornando o teto sobre uma cornija fingida, pintada com a riqueza ilusionista do trompe l’oeil. 

As paredes são compartimentadas em painéis verticais que intercalam portas e janelas, com molduras retilíneas coroadas por uma pequena cártula e o fundo preenchido com a malha monocromática do forro. Distribuído pelo interior de cada painel, grande arranjo de flores e frutas. Pintura decorativa, provavelmente elaborada na segunda metade do século XIX.

Piso 0, Divisão 2, Sala de Visitas

O teto retangular exibe pintura decorativa de inspiração clássica composta de compartimentação diversa, mantendo o rigor simétrico do arranjo. Ao centro, a grande reserva circular onde figura um putti esvoaçante rodeado de borboletas e folhagens, apresenta modinatura composta de toro decorado com motivos vegetalistas e cercadura em grisaille de enrolamentos de acanto e parreira, rematados por duas máscaras femininas ao modo de Marot ou Blondel. A reserva oval é flanqueada por quatorze compartimentos pintados com efeitos de sombra-luz, formando dois blocos que se repetem em cada lado do entorno. Seis são medalhões historiados guarnecidos de pintura figurativa, sendo dois retratos masculinos com as iniciais M.A.J. e P.A.C., e quatro alegorias femininas das águas dos rios brasileiros São Francisco, Amazonas, Madeira e Paraná.

As molduras em grisaille simulando relevo fictício são ricamente trabalhadas com palmeta em concha, folhas de acanto e parreira, que se entrelaçam ao redor do medalhão, compondo uma borda em estilo italiano. Os outros oito compartimentos ornamentais de gênero naturalista apresentam formato irregular e recebem motivos pictóricos de folhagens espiraladas, gavinhas, arabescos, flores, folhas de parreira e pássaros, envoltos por delicado cordão de contas. Duas rosetas clássicas com o mesmo acabamento rebuscado das demais molduras são posicionadas de forma simétrica no cerne de cada bloco, de onde caem pendentes os lustres. Toda modinatura em grisaille simula relevo estucado num realismo pictórico notável. O conjunto é rematado por quatro pequenos motivos de concha posicionados em cada vértice, e por uma discreta cimalha com óvalos pintada em trompe l’oeil, que desliza por todo forro encaixilhando o conjunto. Unindo o teto às paredes, a sanca côncava tem sua curvatura pintada com friso de arcos ogivais num tom ocre-dourado fingindo relevo esculpido.

Piso 0, Divisão 7 Pequeno Hall

O pequeno teto de planta quadrangular é decorado com pintura em trompe l’oeil simulando abertura que se ergue sobre uma estrutura arquitetônica fingida, cujas paredes curvas alternam contornos côncavos e convexos. No alto, a cornija saliente circula pelas bordas curvilíneas arrematando a estrutura elevada. Com efeitos de sombra-luz são pintados ressaltos, molduras e apainelados com admirável realismo pictórico. Os cantos em curvatura convexa são decorados com grandes painéis rebaixados, guarnecidos de rica ornamentação sugerindo metal trabalhado com motivos em strapwork. Uma profusão de coloridos e delicados arranjos florais coroam a cornija, pendendo aleatoriamente em alguns pontos. Sobre o vão aberto, oito seções pintadas com relevo ilusório parecem soltar-se da estrutura, formando um círculo ao redor do florão central.   

Decoração Diversa

Piso 0, Divisão 1, Pátio da Entrada

Estátuas representando os personagens mitológicos Hipômenes de autoria de G. Coustou; e Atalanta executada por Lepautre. Peças fundidas em Val d’Osne na França.

Escadaria em dois lanços curvos para ambos os lados com degraus em pedra de cantaria. Corrimão e guarda-corpo e em ferro fundido composto por sequência de fino gradil. Arrematando o primeiro balaústre de cada lado do guarda-corpo, par de Amores sustentando ornato de concha e volutas.

Piso 0, Divisão 12, Corredor Posterior

Porta de entrada decorada com bandeira arqueada de vitral policromado composto de cinco medalhões esféricos em semicírculo representando personagens históricos como Dante Alighieri. Ornamentação com motivos fitomorfos estilizados.

Piso 0, Divisão 19, Entrada Lateral

Escadaria de um lanço curvilíneo com degraus, corrimão e guarda-corpo e em ferro fundido. Espelhos vazados decorados com motivo central de concha e folhagens de acanto; e balaústres de perfil retilíneo compostos de hastes verticais em forma de cordão, rosetas, motivos cruciformes, culots e folhinhas de hera.

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009