A Casa Senhorial

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

Casa do Mordomo

Casa do Mordomo
Palacete Laguna; Chácara da Joana
XIX - XX
Brasil
Arquitectura

O hoje chamado Palacete Laguna tem origem num conjunto de sobrado e jardim em terras da Quinta da Boa Vista, conhecido como Quinta ou Chácara da Joana, residencia dos Mordomos do Imperador de D. Pedro II. Está situado na Rua General Canabarro, 731, Maracanã, Rio de Janeiro. O imóvel encontra-se hoje em zona militar, o que ajudou na preservação de seu jardim, ainda que  perdida toda a área que conectava a casa ao Palácio Imperial, por conta de diversas obras viárias.

O entorno é densamente construído, e os fundos do terreno são limitados pela Avenida Maracanã, e o que resta do rio Maracanã, parcialmente canalizados, e pela Avenida Radial Oeste.

A casa encontra-se no centro do atual terreno, com fachada principal voltada para sudeste.

A casa tem dois pavimentos, mais o subsolo, e planta em “L”. Sofreu diversas intervenções, uma dela por Theodor Marx, arquiteto alemão então a serviço da Casa Imperial.  Esta intervenção deu a casa aspecto neoclássico, com uma espécie de torreão e ala de serviços, perdido nas reformas posteriores.

Em outros momentos ganhou uma varanda de estilo mourisco, uma varanda em ferro no primeiro piso, e uma porte-cochère também em ferro.



JORNAL DO COMMERCIO 26 jul 1840

JORNAL DO COMMERCIO 7 de novembro de 1890

LACOMBE, Américo Jacobina. O mordomo do imperador. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1994.

MUAZE, Mariana. As Memorias da Viscondessa a família e poder no Brasil Imperial. Rio de Janeiro, Zahar, 2008

SOUZA, Capitão Wagner Alcides de. “Palacete Laguna”. Revista Da Cultura no. 4 maio de 2003. Disponível em < http://www.funceb.org.br/images/revista/11_3e0h.pdf>. Apurado em  12.11.2017

PINHO, Wanderley. “O Clube da Joana: um salão político. A casa de Otaviano: um salão literário". Salões e Damas do Segundo Reinado. Rio de Janeiro, GRD, 2004. p. 193-198

A Quinta da Joana era uma das propriedades que integravam a Quinta da Boa Vista, e foi ocupada, no II Reinado, pelos titulares da mordomia da Casa Imperial; com a República, ela foi cedida ao Ministério da Guerra.

1808 – O negociante Elias Antônio Lopes doa sua chácara à família real recém-chegada, a Quinta da Boa Vista, que receberia acréscimos sucessivos de terrenos ao longo do século XIX. Além do palácio e jardins, a área seria ocupada por construções de apoio, como cavalariça, senzala, hospital assim como por casas destinadas aos servidores que atendiam à Corte.

1824 – Um presuntivo ocupante da Casa do Mordomo foi um amigo de D. Pedro I, o português Francisco Gomes da Silva, o Chalaça (1791 — 1852) que  ocupa cargo junto ao imperador a partir deste ano, e vai residir em São Cristóvão. Em 1827, seria ele nomeado intendente das reais cavalariças. Em 1830, Chalaça deixaria o país, para missão no Reino das Duas Sicílias, e não mais retornaria.

1834 – O capitão de engenheiros Paulo Barbosa da Silva (1790-1868) inicia seus serviços na Mordomia da Casa Imperial

1840 − O imperador confirma a nomeação de Paulo Barbosa da Silva em Mordomo, Porteiro da Imperial Câmara e Guarda-Jóias, por alvará de 24 de julho de 1840. (Jornal do Commercio 26 jul 1840)

1848 – Veador José Maria Velho da Silva (1811-1901) assume a mordomia como mordomo interino, por motivo de envio de Paulo Barbosa para missão no exterior.

1849 – Casamento da filha do mordomo interino, Mariana Velho da Silva, no oratório da residência do conselheiro (MUAZE, p. 17).

1854 – Retorno do Conselheiro Paulo Barbosa, que reassume o cargo e a residência.

1865 – Promovida reforma no imóvel pelo engenheiro alemão Theodor Marx, contratado da Casa Imperial.

1868 – Morte do mordomo Paulo Barbosa, que será substituído pelo conselheiro José Joaquim de Siqueira

1869 − Conselheiro Nicolau Antônio Nogueira Vale da Gama (1802 −1897) é nomeado mordomo, guarda-joias e porteiro da Imperial Câmara.  

1880 − Construção da varanda em estilo mourisco.

1889 – Proclamação da República

1890 − A casa do mordomo está entre os prédios e benfeitorias colocados a venda, no dia 10 de novembro, na série de leilões dos bens da família real : “o grande prédio denominado Quinta da Joana próximo ao portão, à rua Duque de Saxe, solidamente construído, com vastas acomodações para famílias, abundância de água, gás, aparelhos, magnífico terreno, etc. (Jornal do Commercio 7 de novembro de 1890). O imóvel foi adquirido pelo governo.

1909 – Autorizada a entrega à Intendência da Guerra do próprio nacional à rua General Canabarro nº 38, cedido ao Ministério da Guerra por despacho de 17 de dezembro de 1908.

1941 − Em fins de agosto de 1941, iniciaram-se as obras de restauração da casa do mordomo, com a intenção de torná-la residência do Ministro da Guerra, e por solicitação do então Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), devido ao valor histórico do imóvel.

1944 – Entrega da casa restaurada ao Ministério da Guerra, sendo o seu primeiro ocupante o General Eurico Gaspar Dutra

1953 – O edifício recebe a designação de Palacete Laguna.

2000 − O Palacete Laguna passa para a subordinação da diretora de Assuntos Culturais, atual Diretoria do Património Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx), com o objetivo de ser transformado em local de eventos sociais e culturais.

Atualmente abriga o Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército (CEPHiMEx).


Relatório de Paulo Barbosa. Essa documentação refere-se aos relatórios administrativos do Mordomo–mór do Imperador D. Pedro II. Trata-se da prestação de contas anuais dos anos de 1859 a 1864. Registro de Relatório 1859 a 1864. Cod. 1, vol 77 - 00077.


Programa Interior
Plantas atuais
Planta original

A casa do Mordomo –Mor da Casa Imperial sofreu diversas modificações, que tanto a ampliaram quanto alteraram seu uso. A planta atual se desenvolve em L, sendo o quadrilátero que contém o setor social correspondente à casa original, e o outro à ampliação projetada por Theodore Marx nos anos 1860, para uso do Conselheiro Paulo Barbosa, que havia reassumido a Mordomia.

A configuração destinada ao Conselheiro previa no bloco correspondente à casa antiga um vestíbulo de entrada que persiste até hoje, com escada para o segundo pavimento. O cômodo principal era a sala de jantar, que junto com o escritório forma hoje o Salão Nobre. A sala de jantar era servida por uma copa, e uma antessala fazia a distribuição, que incluía ainda um quarto de hóspedes contíguo ao escritório. Um quarto de engomar estava localizado na passagem para o setor de serviços, assim como um pequeno quarto no vão da escada.

O pavimento térreo sofreu uma ampliação que dotava a casa de duas despensas, dois quartos e um quarto dos pretos, onde hoje se localiza a biblioteca. Esse bloco está projetado em relação à fachada original, criando uma varanda no segundo pavimento.

O bloco de serviços é perpendicular ao social, ligando a cozinha às despensas e quartos de serviço. A escada desse setor leva ao subsolo.

O segundo pavimento abrigava a sala de visitas, voltada para a frente, e um grande quarto de dormir. O corredor servia ainda dois quartos de dormir, cada um dos quais ligado a um gabinete. Na ala nova, um grande cômodo quadrado com varanda era ladeado por dois pequenos quartos. Esses três cômodos não constam da planta de Theodore Marx preservada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e por isso não é possível precisar seu uso original. No entanto, é possível que o grande cômodo tenha sido a sala de visitas, no lugar da que consta do primeiro projeto, que era acessada por um corredor que atravessava toda a parte íntima da casa.

Azulejaria
Estuques
Piso 0, Divisão 5 Sala de Visitas

Plano do forro simplificado em estuque branco e dourado com delicada cercadura, formando rendilhado de motivos vegetalistas e folhas de parreira, flanqueada por larga moldura plana com finas baguettes. A cornija simples e sem relevo, que separa as paredes do teto, é composta de uma banda plana e outra de perfil côncavo, encimada por um pequeno toro. 

No teto arejado, rico florão central em estuque dourado, de formato irregular. É composto de motivos de folhas, flores, buques de rosas, arabescos e palmetas, cujas folhas são decoradas com pequenos botões de pérolas, lembrando o estilo da regência francesa.

Piso 0, Divisão 6 Auditório Sudoeste

Plano do forro simplificado decorado com modinatura em estuque dourado, constituída por moldura interna formando rendilhado de motivos vegetalistas com folhas de acanto, flores, volutas e palmetas. Seguida de dois finos frisos duplos do tipo baguette, e uma larga cercadura externa composta de pequenos toros nas extremidades e no centro moldura com motivo sequencial vegetalista gênero românico.

Cornija simples composta de um toro clássico em estuque dourado, decorado com folhas de louro e laçaria encimado por uma banda côncava sem ornamentação.

No teto arejado, rico florão central em estuque dourado de gosto Luís XIV.  A forma radiada é preenchida com motivos de arabescos, enrolamentos em C, folhas de acanto, flores, palmetas e astrágalos de pérolas.  

Piso 0, Divisão 7, Quarto dos Hóspedes

Plano do forro quadrangular com cercadura em estuque dourado formando rendilhado de motivos vegetalistas e folhas de parreira, flanqueada por larga moldura plana com finas baguettes. A cornija simples e sem relevo que separa as paredes do teto é composta de uma banda plana e outra de perfil côncavo, encimada por um pequeno toro. 

No teto arejado, florão central de formato circular em estuque dourado. A composição simétrica tem arranjo cruciforme com motivos de folhas tripartidas.

Piso 0, Divisão 8 Auditório Nordeste

Plano do forro simplificado decorado com modinatura em estuque dourado, constituída por moldura interna formando rendilhado de motivos vegetalistas com folhas de acanto, flores, volutas e palmetas. Seguida de dois finos frisos duplos do tipo baguette, e uma larga cercadura externa composta de pequenos toros nas extremidades e no centro moldura com motivo sequencial vegetalista gênero românico. Cornija simples composta de um toro clássico em estuque dourado, decorado com folhas de louro e laçaria, encimado por uma banda côncava sem ornamentação.

No teto arejado, rico florão central em estuque dourado de gosto Luís XIV. A forma flexível segue o desenho de palmetas, enrolamentos em C e arabescos, contornando com graça quatro cabeças femininas que se destacam do relevo de base, muito ao estilo de Berain e Marot. O cerne da composição com folhas de acanto possui farta moldura redonda repetindo o motivo de folhas de louro e laçaria, ladeando quatro pequenos fechos pendurais (cul-de-lampe). 

Piso 1, Divisão 1, Sala 1 Salão de Honra

Plano do forro arejado ostentando grande florão central de gosto Luís XIV em estuque dourado. O contorno circular é decorado com oito ornatos compostos de volutas e enrolamentos em C, e moldura formando um pequeno rendilhado. O interior é preenchido com arabescos e folhas de acanto, e o cerne da composição é arrematado por uma roseta de acanto emoldurada por um astrágalo de pérolas e um toro de óvulos. Aplicados sobre o conjunto, quatro ornatos de pomba em estuque branco.  

O teto claro é emoldurado por uma larga cercadura formada de toros, molduras de quarto de volta, gola e baguettes. Os quatro cantos são arrematados por um grande ornato esférico composto de toros simples e astrágalos de pérolas, cujo centro destaca-se um fecho pendural ou cul-de-lamp. Entre os cantos estende-se um compartimento retilíneo compondo as quatro laterais do teto, cujo centro apresenta um delicado ornato de arabescos e folhagens em relevo estucado.

A cornija pouco saliente é trabalhada com delicada modinatura composta de fino friso de dentículos, seguido de uma moldura caveto, base superior e inferior com finas nervuras horizontais. O plano médio é decorado com sequência de ornatos em relevo estucado compostos por mascarão de leão donde partem folhagens, gavinhas e arabescos, e nos vértices ornato de roseta, folhas e gavinhas. A cornija e é encimada por uma banda côncava desprovida de ornamentação que se unifica ao forro.  

Piso 1, Divisão 15, Seção de Pesquisa

Plano do forro simplificado decorado somente com reserva central circular em estuque branco, cuja moldura é composta de finas baguettes e listel, seguidas de uma moldura côncava do tipo meia-cana, contornando um grande florão de formato irregular e gosto mourisco com ornamentos vegetalistas de arranjo losangular.   

Cornija simples formada por modinatura constituída de baguettes, listel, quarto de volta e na base um largo toro decorado com folhas de louro e laçaria. 

Pintura Decorativa
Decoração Diversa
Piso 0, Entrada Fachada Sudoeste

A entrada da fachada sudoeste apresenta uma cobertura extensa sustentada por seis estreitas colunetas, com uma base alongada partindo do solo, e um pequeno capitel, sobre o qual se elevam quatro volutas que tangenciam o teto. Abaixo da cobertura, a testeira apresenta em sua volta um largo friso em ferro fundido composto por uma cinta ou borda decorada, alternando figuras de losangos e círculos guarnecidos de desenhos de flor. Segue-se logo abaixo um finíssimo astrágalo de pérolas e uma borda mais estreita com pequenos quadrados e círculos. Todo o contorno é rematado por um lambrequim formado por volutas entrelaçadas e ornatos de pinha em sequência.

Piso 0, Divisão 4 Recepção Diária

Escada em dois lances com degraus de mármore Branco de Carrara, formando um braço para direita a partir do patamar central.

Guarda de ferro fundido cujo corpo é trabalhado com motivos de volutas em sequência. Corrimão em latão dourado rematado na base por ornato em forma de pinha. Nos degraus, ferragens decoradas para fixação de passadeira de escada.

Piso em mármore Amarelo Negrais formando padrão geométrico de quadrados em diagonal, acantonados por pequenos quadrados de mármore Verde Tino. Cercadura linear e rodapé em mármore Verde Tino. 

Piso 0, Divisão 5 Antesala

Pavimento em parquet de madeira formando grande padrão geométrico quadrangular, dividido por moldura clara acantonada por pequenos quadrados. Acabamento com cercadura linear composta de fino friso duplo. 

Piso 0, Divisão 6 Auditório Sudoeste

Pavimento em parquet de madeira formando grande padrão geométrico quadrangular, dividido por fina moldura em madeira mais clara.

Piso 0, Divisão 7, Quarto dos Hóspedes

Pavimento em parquet de madeira formando grande padrão geométrico quadrangular dividido por moldura clara acantonada por pequenos quadrados.

Piso 0, Divisão 8 Escritorio

Pavimento em parquet de madeira formando grande padrão geométrico quadrangular, dividido por fina moldura em madeira mais clara.

Piso 0, Divisão 15 Varanda

A Varanda principal do Palacete em estilo árabe-mourisco é composta por uma sequência de arcos em ferradura sustentados por finas colunas de ferro, embora todo conjunto arquitetônico seja tratado em madeira talhada.

A arcada apresenta três padrões distintos de ornamentação geométrica característica destes estilos, compondo as seguintes partes: no tímpano dos arcos, padrão mouro de ornamentos losangulares com folhas e flores estilizadas; no friso superior, ornamento árabe formando trilóbulos entrelaçados com folhagens estilizadas como na Mesquita de Kalaun; no seguimento vertical das colunas, ornato árabe de folhagens de ponta em voluta encaixilhado por uma moldura românica serrilhada; e no sofito do beiral, um largo friso com sequência linear de folhas e flores entrelaçadas e cercadura românica serrilhada. Todos os arcos apresentam acabamento decorativo no intradorso do tipo muqarnas (ornamentos esculpidos em estalactite), formando três camadas sobrepostas.

 Embora o tratamento simplificado das superfícies planas dos ornatos não apresente a riqueza e os detalhes do entrelaçamento constitutivo dos padrões arábe e mouro, a decoração da Varanda, com sua silhueta caprichosamente recortada, revela o gosto peculiar pelas ornamentações revivalistas. 

Piso 1, Divisão 1, Sala 1 Salão de Honra

Pavimento em parquet ricamente trabalhado, compondo padrão geométrico com grandes octógonos guarnecidos com estrela de oito pontas em madeira bicolor, e acabamento com moldura tripla.  Os octógonos em madeira clara contrastam com o fundo de tonalidade escura e, são intercalados com quadrados menores cuja divisão interior forma oito triângulos alternando claro e escuro.  O conjunto é encaixilhado por uma larga tabeira decorada com friso de padrão entrelaçado e moldura dupla. As cores contrastantes das madeiras claras e escuras formando desenhos conferem o efeito de uma grande marchetaria. 

      

Piso 1, Divisão 15 Seção de Pesquisa

Pavimento em parquet formando grande padrão de entrelaçamento em madeira clara. Acabamento com cercadura linear composta de fino friso triplo em madeira escura. 

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


containertab

Validar
Validar
Validar
Validar
 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009