A Casa Senhorial

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Villa Ferreira Lage

Villa Ferreira Lage
XIX - XX
1862
Brasil

Carlos Augusto Gambs


Arquitectura

A residência situa-se à Rua Mariano Procópio, nº 1100, Juiz de Fora, Minas Gerais, em área remanescente de uma chácara, à época com 400.000 m2, propriedade do Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage (1821-1872).  Atualmente, a área original foi reduzida a 78.240 m2, correspondendo ao jardim histórico do Museu Mariano Procópio.

O terreno, em aclive, limita-se pela frente, com a Rua Mariano Procópio e a linha férrea; a Oeste e aos fundos com a Avenida Brasil; a Leste, com o rio Paraibuna.  Ao Norte, o entorno encontra-se densamente construído; ao Sul, outra área remanescente da antiga chácara, é utilizada pelo Exército.

A casa foi edificada em um ponto elevado da área da Chácara, em local intensamente arborizado, com a fachada principal voltada para Sudoeste. 


Edificação de prisma retangular, de inspiração renascentista, foi projetada pelo arquiteto alemão Carl August Gambs.

O conjunto arquitetônico e paisagístico se articula por meio de grande eixo que perpassa o lago, que teria sido a Gruta das Princesas, alcançando o largo que dá acesso à entrada da casa, onde se encontra uma fonte circular.

O edifício é composto por dois pavimentos e um porão semienterrado, com torreão mirante do lado esquerdo. A composição apresenta forte marcação horizontal, reforçada por faixas resultantes do revestimento de tijolo aparente em duas cores. O embasamento em pedra possui óculos pentagonais de iluminação e ventilação do porão.

A residência é unida por um passadiço, que originalmente, conectava a residência à área do pomar, nitidamente um setor mais íntimo da casa. Atualmente, esta área é ocupada por outro bloco de construção, que abriga a coleção do museu, localizado em um ponto mais elevado. O passadiço é assentado sobre parede de tijolos, estruturada em arco pleno; a cobertura é sustentada por colunas de ferro. Uma escada conduz ao nível da casa principal. Na parte de baixo, um nicho com elemento escultórico serviu com abrigo para uma cascata. 



A fachada principal desenvolve-se em três planos. O primeiro plano é o do torreão, com uma janela centralizada, em balanço no térreo e no primeiro piso. A janela do primeiro piso é ladeada por dois medalhões circulares enquanto as do primeiro piso têm moldura em tijolo mais claro e sobrevergas apoiadas em mísulas.

O torreão possui três janelas em todas as quatro fachadas. Lesenas estriadas marcam os cunhais do primeiro pavimento e do torreão, bem como as divisões entre as janelas do torreão. Um friso denticulado marca a divisão horizontal dos pavimentos.

O segundo plano é composto pelo portal de acesso e pela varanda lateral, coberta por pergolado. O terceiro plano é o das paredes, com dois vãos no térreo e dois no primeiro piso.


A fachada lateral direita tem um primeiro plano marcado pelo torreão, com composição semelhante à da fachada frontal. O plano do bloco principal é composto de quatro vãos: três janelas e uma porta secundária ligando a entrada ao escritório do pavimento térreo, e três janelas no primeiro piso e uma porta de acesso ao balcão, formado por pórtico avançado do térreo.

A fachada lateral esquerda apresenta dois planos avançados. O primeiro, que corresponde à parte social da casa, com dois vãos no térreo e três no primeiro pavimento, unidos por um balcão corrido. O outro, à direita, corresponde à escada, com apenas dois pequenos óculos para iluminá-la. Na parede mais recuada, dois vãos em cada pavimento, têm o mesmo acabamento da fachada principal.



Portal de entrada

Um corpo de alvenaria de tijolo aparente marca a entrada principal, compondo uma varanda parcialmente coberta por pergolado e formando parcialmente outra varanda menor no primeiro pavimento.

O vão de entrada é ladeado por duas seteiras retangulares. A varanda superior possui um guarda corpo arrematado por vasos de cerâmica com vegetação. Uma pequena escada embutida no portal dá acesso ao pavimento térreo.


Fachada posterior

A fachada posterior recebe o passadiço em sua parte central. Há uma porta em cada pavimento neste trecho, ladeadas por duas janelas, com o mesmo acabamento das outras fachadas.

Baseada nas informações do artigo de Douglas Fasolato “Museu Mariano Procópio: a casa do pai, a casa do filho”. In: PESSOA, Ana; RANGEL, Aparecida (Orgs). III Encontro Luso Brasileiro de Museus Casas: espaço, memória e representação. RJ: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2014.

1862 – Conclusão da obra da residência de Mariano Procópio (1821-1872).

1869 – Inauguração da Escola União & Indústria noticiada no Diário do Rio de Janeiro (30/06/1869), contou a presença do Imperador D. Pedro II e sua esposa.

1872 – Morte de Mariano Procópio.

1883 – O retorno de Maria Amália Ferreira Lage, esposa de Procópio, e os dois filhos da Europa, motivou uma ampla reforma na casa. Nesta provavelmente foram colocados os papeis de parede com motivos florais, características do estilo romântico, os jornais utilizados por baixo do papel de parede datam de 1883.

1915 – Morre a esposa de Mariano Procópio, Maria Amália Ferreira Lage. O filho, Alfredo Ferreira Lage, resolve abrir a casa para visitação do seu museu particular:

1921 – Em 23 de junho inaugurou o museu Mariano Procópio, data comemorativa do centenário do seu nascimento.

1922 – Em 13 de maio inaugurou o segundo prédio que levou o nome de Mariano Procópio, com intuito de ser a pinacoteca. Os dois prédios ficaram ligados pelo passadiço existente, unindo histórias de pai e filho.

1936 - Alfredo Ferreira Lage doa os prédios ao município e assume a direção do museu por oito anos.

1944 – Morte de Alfredo Ferreira Lage, assume a direção do museu sua prima Geralda Ferreira Armond.


Programa Interior

Programa geral, tipologia e planta

O edifício é constituído por subsolo, dois pisos e torreão. A planta se articula em torno de um eixo central, representado pelo longo corredor de circulação, que faz a distribuição nos três pavimentos.  

A entrada principal se faz pela fachada sudoeste do edifício, por um pórtico coberto que se liga a um vestíbulo.

Piso -1

O subsolo abriga a zona de serviços da casa, como a cozinha e a adega, que se distribuem ao longo do corredor central, que é acessado pela escada principal e por escada que conduz ao exterior, na fachada posterior. Em termos construtivos, é constituído, internamente, por estruturas em abóboda que, juntamente com as fundações em pedra, sustentam os pavimentos superiores.

Piso 0

Os ambientes sociais estão situados neste piso.

O vestíbulo distribui lateralmente as salas de música, à esquerda, e de jantar, à direita e, a partir de um corredor de circulação, estão dispostos os demais cômodos: à esquerda estão a antessala ou a da sala de espera, com acesso ao exterior privativo pela fachada lateral, e escritório; à direita, copa e sala de estar. Ao fundo do corredor, à direita, está a escada que dá acesso aos outros pavimentos.

Piso 1

O segundo pavimento corresponde à área privada da família, sendo constituído, portanto por sete cômodos divididos entre quarto principal, quarto toilette e demais dormitórios distribuídos ao longo do corredor central. Ao fim da circulação, um pequeno hall dá acesso ao terraço localizado na fachada frontal do edifício, e ao cômodo por onde se tem acesso ao torreão, através de uma escada em caracol.

Um passadiço externo que parte da fachada posterior do edifício leva até a construção anexa erguida em 1922.

Piso 2

Um torreão quadrado, servindo de mirante,  arremata a construção.

Azulejaria
Estuques

Piso 0, Divisão 1 Sala 1

Ornamentação em estuque branco e dourado aplicada sobre os lambris, forro e paredes. Dos elementos greco-romanos destacam-se as rosetas, distribuídas entre as mísulas da cornija, decorando frisos, inseridas nos lacunários do teto. Compõem a ensambladura dos painéis parietais e as palmetas gregas aos pares, formando um ornato linear com pequena roseta no centro, elemento recorrente nas decorações de Percier e Fontaine. A rigidez das linhas e a simetria rigorosa sugere o gosto pelo estilo Império na ordenação e distribuição dos pequenos ornatos estucados.

Decorando o largo friso da zona parietal superior, tem-se inseridos em apainelados negros, medalhões e cartelas retangulares em relevo estucado, rodeados por quatro pequenas rosetas. Os medalhões ostentam nos interiores figuras de Amores, e as molduras decoradas com arabescos que partem de quatro pontos em formato cruciforme. As cartelas com bordas enroladas ao gosto maneirista exibem em seu interior a figura saliente de um Amor envolto por folhagens espiraladas, flores e instrumentos musicais. No forro, o florão central em relevo branco e dourado, apresenta no cerne da composição uma cartela circular com rolos e molduras pontilhadas de dourado. No entorno, cercadura elíptica decorada com dezesseis pequenas rosetas. A larga moldura externa do forro apresenta remate inferior nos quatro cantos com ornato pingente ou cul-de-lampe estucado. 

Piso 0, Divisão 2 Sala de Visitas

A cornija baixa, sem ressaltos, possui modinatura simples composta por uma larga banda de três frisos. No teto, outro friso percorre todo o perímetro da sala, sendo todos rematados com finíssimas baguettes douradas.

O florão em estuque branco é composto de doze largas folhas de acanto que partem da roseta central dourada, formada por folhagens sobrepostas. 

Piso 0, Divisão 3 Antesala

A cornija baixa sem ressaltos possui modinatura simples composta por uma larga banda de três frisos, sendo o primeiro adornado com pequenas rosetas em estuque dourado posicionadas de forma equidistante. No teto, outro friso percorre todo o perímetro da sala, decorado também com rosetas douradas aplicadas em menor constância. Todos os frisos são rematados com finíssimas baguettes douradas.  O florão central de pouca volumetria e formato irregular é composto de arabescos em estuque branco, em cima de ornatos de motivos vegetalistas, donde partem oito finos dardos em dourado. 

Piso 0, Divisão 4 Escritório

A cornija sem ressaltos possui modinatura simples, composta na parte superior por uma moldura do tipo eschine ou quarto de volta, rematado por finos astrágalos, e na parte inferior a barra plana de roda-teto é decorada com pequenas rosetas posicionadas de forma simétrica e equidistante. O forro, também simplificado, apresenta uma cercadura de contorno com modinatura que se aprofunda, formada por um listel mais largo na parte externa, seguido por molduras de quarto de volta e astrágalos. Outra fina moldura que contorna o teto forma uma barra de contorno decorada com pequenas rosetas. Ao centro, florão de formato irregular composto por arabescos e motivos vegetalistas. Todo tratamento estucado recebe acabamento em branco e dourado. 

Piso 0, Divisão 5 Sala de Estar

A cornija sem ressaltos possui modinatura simples composta na parte superior por uma moldura do tipo eschine ou quarto de volta, rematada por finos astrágalos, e na parte inferior a barra plana de roda-teto é decorada com pequenas rosetas posicionadas de forma simétrica e equidistante. O forro, também simplificado, apresenta uma cercadura de contorno com modinatura que se aprofunda, formada por um listel mais largo na parte externa, seguido por molduras de quarto de volta e astrágalos. Outra fina moldura que contorna o teto forma uma barra de contorno decorada com pequenas rosetas. Ao centro, florão de formato irregular composto por arabescos e motivos vegetalistas. Todo tratamento estucado recebe acabamento em branco e dourado.

Piso 0, Divisão 6 Sala de Jantar

Plano do forro simplificado com cercadura saliente no entorno, arrumada em compartimentos retangulares, quadrangulares e triangulares nos cantos, formando uma moldura de caixotões.

A moldura em tira plana do tipo listel se aprofunda dividindo cada compartimento com finos frisos dourados, deixando os interiores livres para a delicada ornamentação em relevo dourado: nos retângulos com divisões geométricas, palmetas gregas e pequenas rosetas, que estão inseridas também nos compartimentos quadrados. Contornando a cercadura, um finíssimo friso dourado percorre a superfície do forro combinando rosetas e palmetas gregas nas cantoneiras, motivo ornamental característico do Estilo Império.

No centro, florão em estuque branco e dourado, de formato irregular formando uma composição de arabescos, enrolamentos em C, pinhas, palmetas e no cerne uma coroa de folhas e frutos de videira. A cornija ressaltada aqui é substituída por uma barra de roda-teto sem relevo, delimitada por dois finos astrágalos dourados, ou baguettes, em cada extremidade, deixando o interior livre para as palmetas gregas em relevo dourado aplicadas no centro e nas quinas de cada lateral.  

Piso 1, Divisão 1 Quarto 1

A cornija baixa sem ressaltos possui modinatura simples composta por uma larga banda de três faixas, sendo a inferior adornada com relevo dourado de pequenas rosetas alternadas com relevo de palmetas gregas invertidas, motivo ornamental frequente na decoração do Primeiro Império. Os relevos posicionados de forma equidistante assinalam a rigorosa simetria do estilo. No teto, outra faixa formando uma estreita moldura, que percorre todo o perímetro da sala, é decorada com pintura desenhando compartimentos geométricos lineares, intercalando pequenos círculos guarnecidos de rosetas em relevo estucado. Todas as faixas e molduras são rematados com finíssimas baguettes douradas. 

Piso 1, Divisão 2 Quarto Toilette

Teto em estuque, sem ornamentação, com cornija de modinatura simples composta, por sequência de molduras, dentre aos quais está um estreito listel de base, seguido de listel com quarto de volta, e cimácio reverso com baguettes. Acabamento alternado em branco e dourado. 

Piso 1, Divisão 3 Quarto 3

Teto em estuque, sem ornamentação, com cornija de modinatura simples composta por sequência de molduras, dentre elas: listel, baguettes, moldura de quarto de volta e cimácio reverso. Acabamento alternado em branco e dourado.  

Piso 1, Divisão 4 Quarto 4

Teto em estuque sem ornamentação com cornija de modinatura simples composta por sequência de molduras, dentre elas: listel, baguettes, moldura de quarto de volta e cimácio reverso. Ao centro, florão de formato circular composto por enrolamentos em C e folhas de acanto. Acabamento alternado em branco e dourado.  

Piso 1, Divisão 5, Quarto 5 

Teto em estuque, sem ornamentação, com cornija de modinatura simples, composta por sequência de molduras, dentre elas um estreito listel de base, seguido de listel com quarto de volta, e cimácio reverso com baguettes. Acabamento alternado em branco e dourado.  

Piso 1, Divisão 6, Quarto 6

Teto em estuque sem ornamentação, com cornija de modinatura simples composta por sequência de molduras, dentre elas um estreito listel de base, seguido de listel com quarto-de-volta, e cimácio reverso com baguettes. Acabamento alternado em branco e dourado.  


Pintura Decorativa

Piso 0, Divisão 6 Sala de Jantar

Paredes divididas em duas seções ao estilo dos lambris de apoio, onde o silhar ressaltado recebe pintura decorativa em faux bois, formando uma sequência de compartimentos almofadados.

Dois tons de madeira compõem a decoração: um fundo mais escuro como as ombreiras e o litel das portas; e as almofadas rebaixadas, fingindo madeira mais clara. A pintura em faux bois é aplicada também em toda superfície dos nichos côncavos, localizados nos quatro cantos da sala, rematados com detalhe decorativo simulando acabamento em metal com finíssimo friso em relevo e rosetas nos quatro vértices. 

No lado externo das portas, almofada superior decorada com pintura a óleo marouflée de motivos naturalistas de tripé com vaso e abundante arranjo de flores cercado por uma delicada moldura com arabescos e volutas, sugerindo acabamento em ferronerie.

Piso 0, Divisão 9 Corredor

No longo do corredor de circulação, as paredes apresentam o esquema de lambri de apoio, dividindo a superfície em duas seções: o silhar ou dado, e a parte superior que é preenchida com uma sequência de painéis verticais. As duas seções combinam tipologias distintas de faux marbre, mas compartem a harmonia das cores, formas, nuances e texturas. Os grandes painéis retangulares da zona parietal superior se alongam em sua própria verticalidade acima da cornija de rodameio.

O marmorizado em tons de amarelo e veios mais simplificados é aplicado em toda superfície de fundo, sobre a qual são pintados os apainelados em faux marbre acinzentado, encaixilhados por uma moldura simples. O interior de cada painel é composto por uma almofada rebaixada simulando o Branco de Carrara, cuja forma retangular apresenta como pormenor decorativo os quatro vértices recortados por uma suave curvatura.

O rodapé é pintado sugerindo o negro portor,  segue o silhar ricamente trabalhado com ressaltos e reentrâncias num ilusionismo pictórico notável. O marmorizado de base, semelhante ao aplicado na parte superior, é feito no rodapé até a cornija de rodameio, e recebe uma fileira de almofadas sobrepostas que se alternam com pequenas pilastras pintadas com realismo arquitetônico. As almofadas ressaltadas pelos efeitos de sombra e luz imitam o Amarelo de Siena, e se destacam sobre um fundo em brecha vermelho. A formatação segue o modelo de cantoneiras arredondadas estabelecido nos painéis da zona superior. O marmorizado foi realizado com a técnica da escaiola.

Piso 0, Divisão 10 Hall

A estrutura formal das paredes indica o esquema de lambris de altura, onde a supressão da cornija baixa determina, neste caso, um extenso e vertical painel que se prolonga do rodapé ao teto. Toda a superfície parietal recebe pintura em faux marbre, simulando um mármore-brecha de tonalidade rosa-amarelada no interior dos grandes painéis, e o Vermelho Napoleão nas cercaduras planas internas. Todo arranjo é encaixilhado por um mármore-brecha esverdeado, reveste também as envasaduras e os intradorsos das janelas; além do largo rodapé sugerindo o negro portor.

A fina modinatura externa dos painéis é trabalhada com efeitos de sombra e luz, conferindo realismo pictórico aos quadros arquiteturais fingidos. O marmorizado foi realizado com a técnica da escaiola. As portas e os ornatos acima do lintel são pintados em faux bois, simulando madeiras nobres como a Rádica e o Jacarandá.  

Piso 0, Divisão 13 Escada

A caixa da escada localizada ao fundo do primeiro pavimento é decorada com pintura marmorizada, em um complexo arranjo de tipologias e formas, características do realismo pictórico do trompe l’oeil.

O elevado pé-direito que se prolonga acima do primeiro patamar descendente é dividido por um largo friso, definindo duas seções parietais a partir da altura do primeiro piso. O friso divisório que recebe acabamento com moldura de quarto de volta, é pintada em faux marbre amarelo com veios escuros, sugerindo o Amarelo de Siena. As duas seções parietais apresentam apainelados retangulares combinando outros três diferentes tipos de marmorizado, onde molduras rígidas e retilíneas definem a estética compositiva do conjunto pictórico.

Os painéis verticais em sequência são compostos de um caixilho plano no entorno, sugerindo o faux marbre Vermelho Real, o qual recobre também a modinatura formada por um fino listel ou tira e uma moldura de meia volta, delimitando assim a parte interna do painel. Segue uma moldura de banda plana em um mármore brecha esverdeado, que cerca a grande área simulando o Branco de Carrara. Os acabamentos em ressalto e profundidade são realizados com efeitos de sombra e luz conferindo realismo arquitetônico à pintura. O marmorizado foi realizado com a técnica da escaiola.  

Piso 1, Divisão 10 Corredor

No corredor de circulação que interliga os quartos. As paredes apresentam o esquema de lambri de altura, onde não há divisões da superfície. Pintado em trompe l’oeil, o lambri forma uma sequência de longos apainelados verticais em faux marbre que se estendem do rodapé até a cornija simples.

O grande painel rebaixado é pintado à imitação do Branco de Carrara, encaixilhado por uma moldura chata do tipo Listel ou Tira simulando um mármore verde veiado. O listel inclinado se articula à modinatura externa que guarnece o conjunto, formando um enquadramento ressaltado. A modinatura de perfil reto é rematada em todo seu entorno por um pequeno toro, pintada com efeitos de sombra e luz simulando o Vermelho Alicante.

O rodapé é pintado sugerindo o negro portor, e as portas apresentam os alisares e as vergas com acabamento marmorizado de tonalidade rosada. Toda a decoração pictórica foi executada com a técnica da escaiola.


Decoração Diversa

Piso 0, Divisão 1 Sala 1

Decoração de gosto neo-renascentista com lambris à francesa, onde as paredes são revestidas com uma ensambladura de painéis de madeira invernizada do tipo lambris de altura. A cornija desce até a altura do lintel das portas, deixando sobre a zona superior parietal, um largo friso decorado com cártulas e medalhões estucados sobre fundo revestido com papel em tons de ocre. Partindo do rodapé, o lambri é composto de uma banda, com sequência de lacunários guarnecidos de ornato de entrelaçamento, pintado com a técnica do stencil,  seguida de conjunto de painéis verticais e retangulares, cujo interior rebaixado é recortado em almofadas com motivos geométricos com friso retilíneo, fendas e caneluras nas extremidades, no alto a cornija ressalta uma sequência de mísulas intercaladas por pequenos painéis quadrangulares com rosetas de estuque.

Semelhante ao forro do Grand Salon do Chateau de Thoiry, o teto é revestido com compartimentos de madeira em linha reta ao gosto dos plafond droits ou soffite, formando uma montagem linear e regular de fendas decoradas com fino debruado, rematado com ornato de entrelaçamento na extremidade, pintado com stencil. A cercadura interna é composta por sequência de pequenos lacunários guarnecidos de rosetas de estuque; e a larga moldura externa tem os frisos laterais notadamene ressaltados, formando um caixilho de grande profundidade, no qual se inserem delicados ornatos estucados. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 0, Divisão 2 Sala de Visitas

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede monocromático de padrão losangular repetido, de arabescos e motivos vegetalistas, sobre fundo bege claro. Papel de parede da terceira fase (século XX).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

  

Piso 0, Divisão 3 Antesala

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede em duas cores de padrão geométrico repetido de motivos vegetalistas, sobre fundo verde escuro. Papel de parede da terceira fase (século XX).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 0, Divisão 4 Escritório

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede policromado, formando motivo contínuo de pinha e folhagens envoltas por cercadura curvilínea de influência árabe/moura. Papel de parede da segunda fase (1882-1884).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado, com vidros coloridos e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida. 

Piso 0, Divisão 5 Sala de Estar

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede policromado com padronagem em zigue-zague, de motivos florais e vegetalistas, sobre fundo dourado. Acabamento com borda decorativa composta por folhagens espiraladas e flores, e remate de forração no entorno com finos frisos, baguette em madeira dourada (folha de ouro). Papel de parede de gosto romântico da segunda fase, entre 1882 e 1884.

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado, com vidros coloridos e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

Piso 0, Divisão 6 Sala de Jantar

Paredes revestidas com papel de parede policromado acima do silhar pintado em faux bois. Padrão repetitivo formando rendilhado de flores e folhas em fundo verde sobre relevo dourado. Papel de parede em Estilo Império, em sua segunda fase (1882-1884).

Portas com a parte superior revestida de espelho, alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados e lintel com cornija assentada sobre dois pares de mísulas. Coroamento com ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Piso em madeira de tábua corrida.  

Piso 0, Divisão 7 Copa

Paredes revestidas com papel de parede monocromático de padrão geométrico repetido, formando quadriculado simulando acabamento em ladrilhado. As divisões são formadas por tracejados de pequenos arabescos, e cada seção é guarnecida de delicado desenho com pequeninas volutas e folhagens. Papel de parede da terceira fase (século XX). 

Piso 1, Divisão 1 Quarto 1

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede em duas cores, de padrão geométrico repetido, de motivos vegetalistas, sobre fundo verde escuro. Papel de parede da terceira fase (século XX).

Conjunto de três janelas com par de colunetas. Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

Piso 1, Divisão 2 Quarto Toilette

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede em duas cores de motivos florais e vegetalistas, em rosa, sobre fundo rosa claro. Papel de parede da terceira fase (século XX).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhasvolutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

Piso 1, Divisão 3 Quarto 3

Paredes revestidas do rodapé ao teto, com papel de parede em duas cores de padrão geométrico repetido de motivos vegetalistas, sobre fundo cinza claro. Papel de parede da terceira fase (século XX).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro, de onde partem folhasvolutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

Piso 1, Divisão 4 Quarto 4

Paredes revestidas do rodapé ao teto, com papel de parede policromado com motivos de ramagens, flores e passarinhos sobre fundo escuro com sutil malha de fundo em padrão espinha de peixe. Acabamento superior e inferior com fina borda decorativa formando friso de palmetas e meandros. Papel de parede de gosto romântico da segunda fase (1882-1884).

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhasvolutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

 

Piso 1, Divisão 5 Quarto 5

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede proveniente da terceira fase (século XX), monocromático com padrão adamascado claro sobre fundo verde.

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem, com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.

Piso 1, Divisão 6 Quarto 6

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede da terceira fase (século XX), em duas cores com padrão simples repetido de motivos vegetalistas em azul sobre fundo amarelo.

Portas com parte superior composta por caixilho quadriculado com vidros coloridos, e alisares formados por molduragem com perfil de frisos retos e destacados, coroada por ornamento de cimácio de baixo relevo, com palmeta no centro de onde partem folhas e volutas que se alongam até as extremidades. Acabamento em pintura branca. Piso em madeira de tábua corrida.  

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009