A Casa Senhorial

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Casa da Hera

Casa da Hera
Fazenda da Hera, Chácara da Hera ou Museu Casa da Hera.
XIX - XX
1836
Brasil
Arquitectura

A casa fica situada em antiga chácara na Rua Dr. Fernandes Junior em Vassouras, RJ. O bairro que já foi parte do Caminho Novo, que levava o ouro de Minas Gerais até o Rio de Janeiro, teve seu apogeu no século XIX, quando a região foi a maior produtora de café do mundo. Devido à prosperidade trazida pelo café, ocorreu aumento populacional, ao qual proporcionou a construção de diversos edifícios no estilo neoclássico na vizinhança, muitos ainda preservados. Após a queda do café, a cidade perde importância política e econômica, o que atenuou seu crescimento.

O terreno encontra-se em uma encosta, o que permite uma ampla visão da cidade. A casa principal é em centro de terreno, com fachada principal voltada para sudoeste. Possui um jardim amplo e arborizado, além de palmeiras imperiais, canteiros e um pátio interno.

A construção da Casa é da primeira metade do século XIX, o primeiro registro que se tem dela é de 1836, em uma planta baixa da cidade de Vassouras. Em 1858, em outra planta da cidade de Vassouras, aparecem os muros de delimitação da chácara com a rua.



A casa é um pavilhão de pavimento único, com planta retangular e pátio central, com um anexo também de planta retangular justaposto nos fundos à esquerda, que comporta a cozinha e suas dependências. Está elevada do nível do solo por um porão não habitável, e tem entrada pelo lado menor do retângulo, voltada para sul. O telhado é em telhas de barro tipo canal, arrematados por uma cornija simples que esconde os caibros.


Possui uma composição simétrica de nove vãos. A porta está situada no vão central, com madeira pintada na cor verde. Os demais vãos são ocupados por janelas de guilhotina, madeira na cor branca e de moldura em madeira pintada de verde. A fachada principal é voltada para o jardim. Todas as fachadas são recobertas de hera.


A fachada lateral esquerda é composta por 12 janelas de guilhotina retangulares, de madeira e vidro, seguindo o padrão da fachada principal.  A sequencia de janelas é interrompida pela inserção do pavilhão da cozinha, mais alto, que também tem o mesmo tipo de janelas. Na lateral direita a fachada comporta 14 janelas do mesmo tipo.


As janelas são retangulares, de madeira e vidro, em guilhotinas com quadro também em madeira, e folhas internas de madeira para vedação.


Portal de entrada

O acesso acontece pela porta central, acessível por duas escadas em lances retos e opostos, com patamar único central. A escada é guarnecida por guarda corpo em ferro.

IPHAN RJ, Inventário da Casa da Hera, RJ 179-2-01.

______. Processo de Tombamento n. 459-T-52.

NETTO, Bem Attar. “A Casa da Hera”. In: Jornal do Comércio. Rio de Janeiro, 1952.

TELLES, Augusto C. da Silva. “Vassouras - Estudo da construção residencial urbana”. In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n.16, Rio de Janeiro, 9-137, 1968. 

ALVES, Daniele de Sá. QUEIROZ, Eneida. ROCHA, Cinthia. Museu Casa da Hera- Coleções Museus do IBRAM. 1 ed. Brasília, Instituto Brasileiro de Museus, 2015. In: http://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/Livreto-Casa-da-Hera.pdf

Fotografias atuais cedidas por Marise Malta, Ana LuciaV. Santos e Iphan.

1836 – A Chácara aparece na Planta da Vila de Vassouras, anexa à “Carta Chorographica da Província do Rio de Janeiro”, segundo os reconhecimentos feitos pelo Coronel Conrado Jacob de Niemeyer, Major Henrique Luiz de Niemeyer Bellegarde, Julio Frederico Koeler e Carlos Rivierre.

1843 - Joaquim José Teixeira Leite casa-se com Ana Esméria Correa e Castro e vai morar na chácara.

1861 – Os muros de delimitação da chácara com a rua constam na Planta da Cidade de Vassouras, 1858/1861.

1871 – Morre Ana Esméria Teixeira Leite.

1872 – Morre Joaquim Teixeira Leite, deixando duas filhas solteiras, Francisca (1845-1899) e Eufrásia (1850-1930).

1873 – As irmãs Eufrásia e Francisca viajam para Europa. A chácara fica fechada, sob os cuidados de Manoel da Silva Rebello, o caseiro.

1887 – O caseiro Manoel planta a hera que reveste a casa até os dias de hoje. Ele cuidou da casa por 36 anos.

1899 – Francisca Bernardina Teixeira Leite, a filha mais velha, morre em Paris e Eufrásia se torna a única herdeira da fortuna da família.

1923 – O caseiro Manoel deixa a chácara. Por um curto período Júlio Correa e Castro, primo de Eufrásia, assume a responsabilidade de cuidar de sua preservação.

1928 – Eufrásia retorna definitivamente para o Brasil e passa temporadas na Casa da Hera. 

1930 – Morte de Eufrásia. Em seu inventário doa as terras da Chácara da Hera para as irmãs do Sagrado Coração de Jesus com a condição de que as irmãs preservassem a casa intocada, guardada, sem uso, e construíssem uma escola para meninas órfãs.

1930 a 1950 – A casa permanece fechada e o terreno vizinho é ocupado pelo colégio para meninas órfãs, aos cuidados das irmãs do Sagrado Coração de Jesus.

1952 – O conjunto é tombado, sendo assumido pelo IPHAN em 1965, sob a guarda de Augusto da Silva Telles e Eurico Calvente.

1959 - O arquiteto Augusto da Silva Telles realiza um levantamento da Casa da Hera e desenha uma planta baixa.

1960 a 2000 - Ocupação do IPHAN com o funcionamento do Museu Casa da Hera.

2009 – O Museu casa da Hera é integrado ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

A Chácara foi tombada pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), incluindo o seu acervo mobiliário, e inscrita no Livro do Tombo Histórico em 1952.

IPHAN RJ, Processo de Tombamento n. 459-T-52.
IPHAN RJ, Inventário da Casa da Hera, RJ 179-2-01.

Programa Interior
Programa geral, tipologia e planta

O edifício de planta longitudinal em L apresenta apenas um pavimento e extenso jardim interno no centro. A entrada principal se dá pela fachada norte, mais curta, sobre uma escada de dois braços que conduz ao acesso da pequena recepção ou sala de espera. A organização e distribuição do interior combinam área social, comercial e área privada da casa.

Piso 1

A zona nobre se concentra na ala noroeste, compreendendo dois grandes salões de aparato, o Salão de Baile e a Sala de Recepções. A comunicação entre os dois ambientes pode ser feita através de uma porta comum, ou pelo corredor acessado a partir da Sala de Espera. A Sala de Espera localiza-se no eixo central da residência e distribui para as alas noroeste e sudeste, entre áreas sociais, íntima e de serviço.

A ala sudeste recebe a zona comercial, representada pela Sala de Visitas, Escritório e cinco pequenas alcovas situadas. A área íntima é acessada por um longo corredor que conduz aos Dormitórios, Quarto dos Vestidos e Biblioteca.

A Sala de Jantar está localizada ao fundo do corredor, imediatamente após a área íntima. Nesse mesmo alinhamento situa-se a copa e, em continuidade, a zona de serviço com cozinha, banheiros e despensa.

Azulejaria
Estuques
Pintura Decorativa

Piso 0, divisão 6 Salão de Baile (Salão Amarelo)

Rodapé marmorizado em tons acinzentados. Almofadas das portas decoradas com pintura do tipo stencil, com motivos de delicados arabescos e folhagens estilizadas nas quatro cantoneiras. 

Decoração Diversa
Piso 0, divisão 1 Sala de espera (recepção)
Paredes revestidas com papel de parede policromado acima do silhar pintado a liso. Padronagem com listras e acabamento inferior com fino friso decorativo de guirlanda e laçaria. Nos alisares das portas, par de arandelas douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia; e nas paredes, os retratos a óleo com moldura de estilo dourada a fogo de Antônio Corrêa e Castro e Eufrasia Joaquina Corrêa. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe saia e blusa. Piso em madeira de tábuas corridas. 



Piso 0, divisão 8 Sala de visitas (salão comercial)
Paredes revestidas com papel de parede policromado, acima do silhar, pintado a liso. O padrão vegetalista apresenta acabamento com borda decorativa tipo lambrequim na parte superior e inferior, com motivos de rendilhado de trilóbulos, folhagens e arabescos estilizados. Nos alisares das portas, par de arandelas douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia. Nas paredes, dois quadros a óleo com moldura de vara dourada de temática religiosa; e retratos a óleo de Joaquim Teixeira Leite e sua esposa Anna Ismeria Teixeira Leite, ambos com moldura de estilo dourada a fogo. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe saia e blusa. Piso em madeira de tábuas corridas.

Piso 0, divisão 25 Sala de Recepções (salão Vermelho) 

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede de padrão adamascado vermelho. Acabamento com fina borda decorativa nas partes superior e inferior. Sanefas em madeira dourada rematadas com agrafe de concha e acanto, e acabamento em tecido com lambrequim franjado, cobrindo cortinas com braçadeira lateral do mesmo padrão e cor do papel parietal. Nas paredes, arandelas tríplices douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia, quatro grandes espelhos com moldura Luis XVI dourada a fogo, e retrato a óleo de Eufrasia Teixeira Leite. Forro em lambri de madeira pintado de branco com encaixe saia e blusa, tendo ao centro um grande lustre de crista e porcelana de Murano. Piso em madeira de tábuas corridas.



Piso 0, divisão 24 – Salão de Baile (Salão Amarelo) 

Paredes revestidas do rodapé ao teto com papel de parede policromado em padrão de grande escala com motivos de arabescos estilizados. Apresenta acabamento com borda decorativa tipo lambrequim nas partes superior e inferior. Sanefas em madeira dourada rematadas com agrafe de cártula e flores, e acabamento em tecido com lambrequim franjado, cobrindo cortinas com braçadeira lateral de padrão adamascado amarelo. Nas paredes, arandelas tríplices com mangas de cristal da Boêmia e quatro grandes espelhos com moldura Luis XV dourada a fogo. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe saia e blusa, tendo ao centro um grande lustre de cristal e porcelana de Murano. Piso em madeira de tábuas corridas. 



Piso 0, divisão 15 – Sala de Jantar 

Paredes revestidas com papel de parede policromado acima do silhar pintado a liso. Padrão em disposição vertical com motivos naturalistas de flores e folhagens emoldurados por cercadura rococó, com cártulas guarnecidas de pássaros e borboletas. Apresenta acabamento com borda decorativa de friso curvilíneo e motivos florais, nas partes superior e inferior. Nos alisares das portas e janelas, par de arandelas douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia, e nas paredes, quadros a óleo de naturezas-mortas, paisagens e relógio de parede. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe saia e blusa. Piso em madeira de tábuas corridas.



Piso 0, divisão  14 - Biblioteca

Decoração simples e sem ornamentação nas paredes, simulando lambri de apoio com silhar e zona superior pintados a liso em dois tons. Acabamento com molduração simples do tipo listel no rodapé, rodameio e cantoneiras. Arandelas douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia, e os retratos a óleo de Francisco José Teixeira Leite e sua esposa Francisca Bernardina Leite Ribeiro compõem a decoração da Biblioteca. Forro em lambri de madeira pintado de branco com encaixe "saia e blusa". Piso em madeira de tábuas corridas.



Piso 0, divisão 11  –  Quarto Maior

Decoração simples e sem ornamentação priorizando o conforto e a funcionalidade. Paredes simulando lambri de apoio com silhar e zona superior pintados a liso em dois tons, e acabamento com molduração plana do tipo listel no rodapé, roda-meio e cantoneiras. Quadros com temáticas religiosas compõem a decoração singela. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe “saia e blusa” e piso em madeira de tábuas corridas.



Piso 0, divisão 13 - Quarto Menor

Decoração simples e sem ornamentação priorizando o conforto e a funcionalidade. Paredes simulando lambri de apoio com silhar e zona superior pintados a liso em dois tons, e acabamento com molduração plana do tipo listel no rodapé, roda-meio e cantoneiras. Nos alisares das janelas, par de arandelas douradas a fogo com mangas de cristal da Boêmia, e nas paredes, quadros com temáticas religiosas compõem a decoração singela. Forro em lambri de madeira pintado de branco, com encaixe “saia e blusa” e piso em madeira de tábuas corridas.



Piso 0, divisão 27 - Cozinha

A área da cozinha ampla com pé-direito elevado é liberta de qualquer ornamentação, priorizando apenas sua função de preparo das refeições e organização dos mantimentos. Sobre o piso de lajota avermelhada estão dispostos o fogão à lenha de ferro fundido, um grande pilão de madeira, uma estante vazada que abriga objetos de uso cotidiano como caçarolas e jarras, e a extensa mesa rústica de madeira acompanhada de quatro bancos. Dois pequenos lampiões com mangas de vidro presos à parede conferem a iluminação sobre o fogão.   



Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009