A Casa Senhorial

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Palácio Laranjeiras

Palácio Laranjeiras
Palacete Eduardo Guinle
XIX - XX
1910-1913
Brasil

Joseph Gire, Armando Carlos da Silva Telles (arquiteto construtor); E. F. Cochet (paisagista), Georges Gardet (escultor); Émile Guilhaume (escultor); A. P. Nardac (pintor); Georges Picard (pintor); Covaillé Coll (pintor); Louis Bettenfeld (decorador e ebanista), Schwartz Meurer (serralheria), Freihoffer (estucador), Charles Champigneule (vitrais).


Arquitectura

Emoldurado pelo verde da floresta do Morro Nova Cintra, o atual Palácio das Laranjeiras está localizado no bairro das Laranjeiras, na zona sul da Cidade do Rio de Janeiro.  O acesso a casa é feito pela rua das Laranjeiras, principal via do bairro , seguindo pela rua Gago Coutinho, de onde se alcança a entrada do Parque Guinle.

O palacete possui uma implantação inusitada. Foi erguido sobre um platô, a 25 metros acima do nível da rua, situado em uma extremidade da encosta do morro Nova Cintra. O morro, por sua vez, é uma das pontas da serra da Carioca, relevo que corta bairros da zona sul e a área central do Rio de Janeiro. Do alto do platô, a paisagem que se descortinava ao visitante era deslumbrante, com a Baía da Guanabara e o Pão de Açúcar. Porém, com os novos edifícios construídos ao redor da propriedade, a casa ficou confinada e, hoje em dia, mal pode ser vista por quem passa pela rua das Laranjeiras.

Além do platô, constituía originalmente a propriedade o atual Parque Guinle, localizado na parte mais baixa do morro, ao nível da rua das Laranjeiras. O parque e seu entorno formavam os jardins da casa, que eram protegidos por um muro, hoje não mais existente. O lago, as cascatas, os pontilhões e as sinuosas alamedas, além do grande portão de ferro, pertencem ao paisagismo original do entorno do palacete, atribuído a francês F. Cochet.

Falecido o proprietário em 1941, seus herdeiros decidiram lotear a extensa área ao redor do parque, do lado oposto à colina em que se encontra o palacete, que deu lugar a vários edifícios.


O Palacete Eduardo Guinle está alinhado a um eixo diagonal, que parte da esquina das ruas das Laranjeiras e Gago Coutinho. A posição da edificação em diagonal obedece às limitações do terreno e aproveita ao máximo a área plana disponível no topo do platô.

A casa apresenta uma composição bastante clara e objetiva: em formato de “Y”, tem um corpo central retangular, que se ramifica em dois corpos, também retangulares, porém, menores. O projeto apresenta com clareza a proposta de divisão espacial tripartite, muito utilizada por arquitetos e engenheiros em projetos de residências abastadas, durante o século XIX e início do XX.

Os corpos que compõem a casa correspondem às três alas que, embora tenham acessos independentes, estão ligadas por meio de um corredor envidraçado, à maneira de uma galeria, e também pelo salão de jantar.

A casa tem dois pavimentos e repousa sobre um porão alto e largo, à maneira de um tabuleiro, que a eleva em relação ao nível do piso do jardim. Mas o porão torna-se mais evidente sob a ala social.  Aí, a existência de um declive no terreno faz com que a altura do porão seja percebida por completo. Nesta parte da casa, o acesso é feito por uma suntuosa escadaria revestida por placas de mármore de Carrara. O porão serve também de piso para o grande terraço aberto, que circunda todo o primeiro pavimento da ala social, ampliando ainda mais os já espaçosos salões térreos da casa.

O Palacete Eduardo Guinle possui fachadas profusamente ornamentadas, especialmente as fachadas da ala social, decoração inspirada na arquitetura palaciana francesa dos séculos XVII e XVIII, com paredes revestidas por placas de mármore de Carrara. Acima do mármore, a alvenaria é revestida por argamassa branca, o que dá a casa uma claridade, destacando-a ainda mais na paisagem verde do morro de Nova Sintra.

O telhado do palacete é formado por jogos de cúpulas e águas assimétricas, coroadas por ponteiras e lanternins. O revestimento é feito por pequenas placas azuladas de ardósia. A cobertura do palacete complementa a suntuosidade das fachadas, a exceção da ala de serviços, que tem um telhado de quatro águas coberto por telhas de barro do tipo francesas.




Localizada na extremidade da base do “Y”, está voltada para a rua das Laranjeiras, a principal via do bairro. Esta fachada se destaca pela existência de uma torre, inserida à sua direita, denominada “belvedere” no projeto de Silva Telles. A torre, que acompanha a altura dos dois pavimentos da casa, tem função simplesmente ornamental, pois não foi integrada aos espaços internos, apenas enfatizando a verticalidade da fachada e dando o aspecto senhorial à construção..

A fachada principal apresenta como elementos vazios seis grandes portas-janelas: três no primeiro pavimento, que se abrem para o terraço e a escadaria, e três simetricamente posicionados acima, que se abrem para balcões com guarda-corpo em mármore de Carrara e sustentados por grandes mísulas. As portas-janelas do segundo andar são encimadas, cada uma, por óculos em forma de concha.

O reboco é profusamente ornamentado, sobretudo, a partir do segundo pavimento, cujos vãos das portas-janelas estão encaixados entre esbeltas colunas jônicas de argamassa. Espalhados pela fachada existem diversos ornamentos de argamassa branca aplicados sobre o reboco: medalhões emoldurados por guirlandas, quimeras, conchas, carrancas, folhas e flores estilizadas e caras de leão. Sobre a cimalha, existe uma pequena platibanda com três lucarnas encimadas por três grandes águias de bronze, provavelmente feitas por Émile Guillaume, escultor responsável por outras obras de bronze e de mármore na casa.




A fachada lateral direita, voltada para o Parque Guinle, é a perspectiva mais conhecida do palacete. Ela é a mais comprida, pois contempla toda uma das laterais da casa, a partir da ala social até a ala privativa. O acesso é feito pelo grande terraço, que circunda todo o primeiro pavimento da ala social. Compõe a fachada uma elegante porte-cochère, que reforça ainda mais a aparência senhorial da casa.

A fachada é marcada pela torre “belvedere”, mas também pelo jogo de telhados assimétricos e de diferentes formas. A assimetria prevalece não apenas nos telhados, a própria fachada apresenta uma marcante assimetria entre seus elementos. O terraço sobre a porte-cochère, por exemplo, avança mais para a esquerda, indo de encontro à torre, e no sentido oposto, há um grande corpo enviesado, arrematado, na base, por um balcão semelhante ao de um teatro lírico, e no topo, por uma cúpula com lucarna e ponteira.

Os elementos decorativos são os mesmos vistos na fachada principal, porém, dada a diferença de tamanho entre uma e outra, os ornamentos da fachada lateral parecem harmonizar mais com o conjunto.

O destaque desta fachada são as esculturas. No alto, ao centro da platibanda, há um grupo escultórico de mármore de Carrara que adorna uma das cúpulasLá, duas figuras femininas, recostadas nas laterais da pequena lucarna, dividem uma guirlanda de flores e parecem observar os visitantes que chegam ao palacete. Entre elas, um medalhão com um relevo representando o rosto de um homem, provavelmente um nobre inglês do século XVI. Na balaustrada do terraço, no segundo pavimento, existem cinco olímpicas figuras femininas, saídas do bronze de Émile Guillaume, que erguem suas tochas com lâmpadas. Abaixo, inserida em um nicho na parede, está a “A música”, também de autoria de Guillaume e uma das maiores esculturas externas




O palacete apresenta em suas fachadas uma relação entre cheios e vazios bem equilibrada. Os vãos presentes nas fachadas da ala social são generosos, tanto em altura como em largura e proporcionam ao visitante vistam amplas da cidade e do bosque que cerca a casa. As portas janelas se abrem para os terraços avarandados e para os balcões. As do primeiro andar da ala social são retangulares e as do segundo pavimento, em arco abatido. As alas restantes da casa apresentam vãos menores, com janelas de venezianas.




BULCAO, Clovis. Os Guinle, história de uma dinastia. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2015.

BRITO, Samuel Silva de. Lucio Costa, o processo de uma modernidade. Arquitetura e projetos na primeira metade do séc. XX. Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona, Universidade Politécnica da Catalunha, 2014. Disponível em 

http://www.tesisenred.net/bitstream/handle/10803/279284/TSSdB1de7.pdf?sequence=1

CABOT, Roberto. Joseph Gire: a construção do Rio de Janeiro moderno. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2014.

CATTAN, Roberto Correia de Mello. A Família Guinle e a Arquitetura do Rio de Janeiro Um capítulo do ecletismo carioca nas duas primeiras décadas dos novecentos. (Dissertação).  Rio de Janeiro: PUC-Rio, Departamento de História, 2003.

CARMO, Gustavo. O Palácio das Laranjeiras e a Belle Époque no Rio de Janeiro (1909-1914).(PDF, 934 kb)

DOURADO, Guilherme Mazza. Belle Époque dos jardins. São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2011

PALÁCIO das Laranjeiras. [Rio de Janeiro]: Governo do Estado do Rio de Janeiro/ BANERJ: SOBREART, 1982.

"A Manhã", 5 de agosto de 1945

"A Noite", 19 de outubro de 1946

"Diário Carioca", 10 de janeiro de 1947.

Fotografias atuais cedidas por Ana Claudia Torem e Verônica Castanheira.

1909 – O engenheiro e empresário Eduardo Guinle (1878-1941) dá inicio à aquisição de lotes ao longo da rua Carvalho de Sá (atual Gago Coutinho), no bairro das Laranjeiras, com destaque da propriedade de  Agnes Louise Caroline Kammestzer,  com rica residência na rua Carvalho de Sá 106 (posteriormente rua Gago Coutinho). Ele seguirá até 1913 comprando terrenos nas ruas Tavares Bastos, Laranjeiras e Pereira da Silva, para formar a sua chácara.

No final deste ano é requerida à prefeitura do Distrito Federal (cidade do Rio de Janeiro) a aprovação do projeto de construção da nova residência.

1910 – Demolidas as construções existentes e aplainada parte da encosta do morro Nova Sintra, iniciam-se as obras de construção da casa, que se prolongam até 1913. Eduardo Guinle, na condição de engenheiro, assume a supervisão do canteiro de obras.

1914 – Concluída a construção do palacete, e enfrentando inúmeros problemas financeiros, Eduardo deixa a direção dos negócios da família.

1941 – Morre Eduardo Guinle. Sua viúva, Branca Coutinho Guinle, permanece vivendo no palacete. Os herdeiros planejam o loteamento de parte do terreno para venda de lotes residenciais e construção de edifícios de apartamentos.

1942 – César Guinle contrata Lúcio Costa para desenvolve o projeto dos edifícios nos moldes contemporâneos.

1944 – Aprovação do projeto dos edifícios de Lucio Costa pela prefeitura, que recebeu, em contrapartida, a área ajardinada para uso público, que seria denominada “Parque Guinle”, uma homenagem aos antigos proprietários. Têm inicio as obras dos três primeiros blocos do projeto que, contudo, só seriam concluídos em 1953. 

1945 – Getúlio Vargas visita o Palacete Guinle (A manhã. 5 ago. 1945)

1946 – Início das negociações para aquisição do Palacete Guinle, com móveis e ohjetos (A noite 19.10.1946)

1947 – Para efeito de permuta com terreno da União na Esplanada do Castelo, a propriedade foi avaliada em Cr$ 27.527.270,00, com as seguintes quantias : terreno, Cr$ 8.200.000,00;  palacete, Cr$ 9.240.000,00  jardim, Cr$ 1.600.000,00 casa do empregados, Cr$ 60.000,00 e objetos de arte e moveis, Cr$ 8.427.270,00. (Diário Carioca, 10 jan. 1947)

Neste mesmo ano, o presidente chileno Gabriel Gonzalez Videla e sua comitiva hospedam-se no palacete, que passa ser chamado de “Palácio das Laranjeiras”. A partir de então, hospedaram-se lá os presidentes Harry Truman, dos Estados Unidos; Manuel Odria, do Peru; Anastácio Somoza, da Nicarágua; Camille Chaumoun, do Líbano; além do Governador Geral do Canadá, Sir Alexander de Tunis.

1954 – O palacete torna-se residência oficial dos Presidentes da República após a morte do presidente Getúlio Vargas, ocorrida no Palácio do Catete.

1957 – O Presidente da República Juscelino Kubitschek cede o palacete à comitiva do presidente português Craveiro Lopes, em visita oficial ao Brasil.

1960 – Após a inauguração de Brasília e a transferência do aparato administrativo federal para a nova capital, o palacete permanece sendo residência oficial dos presidentes, em suas estadas no Estado da Guanabara.

1975 – Com a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, o palacete é doado ao Governo do novo Estado do Rio de Janeiro, tornando-se a residência oficial dos governadores do estado, função que permanece até a atualidade.

Programa Interior

O palacete, cuja planta tem a forma da letra “Y”, possui dois pavimentos em todas as zonas. Ele está assentado sobre um porão alto, à maneira de um grande tabuleiro, que avança para além do alinhamento das fachadas, formando um sinuoso terraço que circunda o pavimento da zona de aparato.

Piso 0

O piso térreo reúne os ambientes cuja função está diretamente relacionada ao ato de receber: o vestíbulo ou hall, as salas de visitas e de jantar, além de duas saletas,o fumoir e de música. Uma monumental escadaria liga o vestíbulo, no pavimento 0, ao bilhar, no 1º pavimento.

O pavimento  é circundado por um terraço de linhas sinuosas que serve de circulação externa para todos os espaços desse pavimento.. O pavimento 0 está dividido em cinco salas. A partir do vestíbulo (hall) se alcança os demais espaços.

À esquerda de quem entra pelo vestíbulo, estão as salas de visitas e de música.

 

À direita, as salas de fumantes (fumoir) e de jantar. Esta última sala possui uma configuração especial, pois serve de ponto de interseção entre o pavimento 0 das zonas de aparato, de serviços e íntima, assim como, por meio de seu teto vazado, comunica-se com a galeria, localizada no pavimento superior.

O acesso à ala privativa se faz por meio de uma varanda aberta, em formato de trapézio, cuja entrada se dá pelo pátio existente entre as zonas privativa e de serviços.

Essa varanda comunica-se, à esquerda, com um longo corredor envidraçado, que serve de acesso externo aos cômodos da zona íntima, que formam uma pequena “enfilade”, isto é, uma fileira. Há também o acesso interno, feito por dentro dos próprios cômodos, que se comunicam entre si.

A zona de serviços está simetricamente oposta à ala privativa. Um jardim, à maneira de uma cour, isto é, um pequeno pátio, separa as duas zonas. O acesso à zona de serviços se realiza pela varanda em forma de trapézio, a mesma que dá acesso à zona íntima da casa e também pela cozinha, onde há uma porta externa que se comunica ao jardim. No pavimento 0 desta zona ficam a sala de almoço – o primeiro espaço desta parte da casa - a despensa, a copa, a cozinha, uma pequena casa de banho e dois quartos destinados aos empregados.

Piso 1

No  primeiro piso, com acesso pela escada principal, esta a grande sala do palácio, que ocupa toda a largura do corpo central, dita "bilhar". À sua direita, está a biblioteca, e à esquerda, a galeria que cobre a sala de jantar, no piso térreo.

Separadas por um terraço descoberto, estão duas alas que acompanham as construções do piso térreo. Na ala de direita, estão comodos que teriam sido ocupados pelos filhos de Eduardo Guinle quando adultos: o dito "bourdoir",  forrado em lambri de mogno, dois quartos, sala de banho e wc. e rouparia.

A ala esquerda teria sido destinada a uma Galeria de quadros, que não chegou a ser realizada.



Azulejaria

Piso 0, Divisão 14 Copa

Paredes revestidas com azulejos policromados Art Nouveau, constituidas de silhar, barra de rodameio e zona superior, onde se enquadra o tema de aves e ramagens. A composição de caráter estilizado representa esguias treliças que se alongam até o teto, envoltas de folhas de parreira e trevos, formando uma espécie de moldura decorativa. Junto à bancada da pia, os azulejos ilustram desenhos de albarradas repletas de roseiras e hortências. Completam o arranjo, figuras de araras azuis aninhadas sobre delicados puleiros. No rodameio, sequência de rosetas estilizadas forma o friso decorativo que separa as duas zonas parietais. No silhar, composição geométrica em tons de verde, branco e azul.


Piso 0, Divisão 15 Cozinha

Paredes revestidas com azulejos monocromáticos, constituindo silhar, barra de rodameio, zona superior e barra de rodateto. O arranjo em tons de branco, amarelo, azul e verde remete às composições clássicas com zona superior dividida em painéis verticais cercados por bordadura de motivos típicos das casas pompeanas. Alguns painéis exibem no cerne um ornato losangular de folhagens estilizadas. 

No rodameio, o gosto pela antiguidade grega se expressa no friso sequêncial que alterna motivos de palmetas e lótus, encimado por uma moldura abaulada. O silhar é preenchido com azulejos do tipo tapete ou padrão formando desenhos circulares intercalados por flores e ramagens. No alto, contrastando com o conjunto, o rodateto forma uma barra ornada com motivos vegetalistas de linhas gráficas e onduladas, peculiares ao estilo Art Nouveau

Piso 0, Divisão 16 Sala de Serviço

Paredes revestidas com azulejos policromados Art Nouveau, constituidas de silhar, barra de rodameio e zona superior com temática agrícola. A composição colorida sobre azulejos brancos representa uma pequena cena campestre que se repete sequencialmente, com flores, trigo, foice e um silo em segundo plano. A barra de rodameio é formada por cercaduras simples de azulejos verdes que flanqueiam o friso central decorado com motivos de pães atados por laçaria. Uma fina baguette em tom amarelo ocre faz o acababemto inferior, unindo rodameio e silhar.

O silhar revestido de pequenos azulejos brancos é ornado com sequência de estreitos painéis verticais guarnecidos de uma ramgem de trigo, terminando no rodapé com cercadura em amarelo ocre. Rematando todo o conjunto na altura do rodateto, uma graciosa barra solta composta por borboletas amarelas percorre todo perímetro, encimada por um estreito friso de azulejos azuis. A localização desta pequena sala junto à cozinha, e a repetição constante dos motivos de pães e trigo na ornamentação parietal, remete à função deste espaço de preparação ou armazenamento de alimentos farináceos para abastecimento interno da casa. 


Estuques

Piso 0, Divisão 1 Vestíbulo

Plano do forro tripartido por dois arcos abatidos, formando grandes reservas retangulares encaixilhadas por um toro clássico em estuque dourado de folhas de louro e laçaria.

A sanca côncava é decorada com painéis pictóricos que se alternam com painéis de estuque preenchidos por quadriculado guarnecido de pequenas rosetas em cinza e branco, muito comum nas gorges (sancas) dos tetos no segundo estilo Luís XIV.

As molduras de acabamento são compostas por estreitos astrágalos em estuque dourado com ornatos clássicos de contas e polias, e motivos cordiformes (folhas aquáticas). O intradorso dos arcos recebe um friso em estuque cinza e branco que percorre toda sua extensão com ornamento clássico grego de entrelac (entrelaçamento).  



Piso 0, Divisão 2 Sala de Visitas

Plano do forro com divisão geométrica formando compartimentos simétricos em torno da grande reserva retangular central. A modinatura em estuque dourado trás do repertório neoclássico friso de óvulos, de rosetas e, um largo toro de loureiro rematado por duas cabeças de sátiro com folhas de parreira dispostos de forma simétrica. A harmonia do arranjo é marcada também pelos quatro ornatos de cártula com bordas espessas e folhas de acanto, distribuídos ao redor dos painéis em meio círculo, e pelos quatro vértices com ornato quadrangular de coroa de frutas e conchas.

Rematando todo o conjunto, ornatos cul-de-lamp em estuque branco e dourado pendem de duas reservas circulares com fina moldura de cordão, que interligam os três compartimentos pictóricos.



Piso 0, Divisão 3 Sala de Música

Cimácio da cornija em estuque dourado com moldura romana de folhas de acanto. Molduras em arco da janela e porta em estuque dourado com motivos de enrolamentos em C e culots. Moldura do arco de passagem para sala de visitas com motivo de cordão em estuque dourado. 


Piso 0, Divisão 4 Fumoir

Em estilo Luís XV, teto trabalhado com estuque decorativo de composição assimétrica, cujos principais elementos são três grandes cártulas guarnecidas de pintura decorativa. Suas molduras de bordas onduladas exibem conchas na base e no coroamento, além dos enrolamentos em C nas laterais. Pintadas em vert d'eau, as cártulas se destacam do fundo claro sinuosamente recortado por curvas e contracurvas, formando um rendilhado de folhagens, enrolamentos em C e folhas onduladas.

Ao centro, cercadura oval formando um cordão de flores abriga ornato composto por grupo de Amores de onde pende o lustre. Pelo estilo Regência destacam-se os dragões pousados sobre conchas ladeando uma das cártulas.  


Piso 0, Divisão 5 Sala de Jantar

Forro vazado constituindo grande abertura central, cuja ornamentação rococó em estuque branco se restringe ao entorno sinuoso. Os motivos rocaille se veem nas grandes cártulas arredondadas de bordas onduladas que se estendem ao longo do teto recortado. Nos quatro cantos são representadas cenas campestres como a ceifa do trigo, a vindima, a colheita de frutos e a caça, inseridas nas cártulas enfeitadas por conchas e delicada moldura de flores. As quatro cártulas centrais são aladas portando um pequeno par de asas, característica do primeiro estilo Luís XV. As bordas floridas exibem na base um cesto de flores, e seu interior é guarnecido de medalhão com roseta, de onde pendem os lustres.

O gosto Luís XV está presente também na forma rendilhada que alterna cártulas e ornatos de corpo de violino, unidos por guirlandas de flores e finíssima bagette de ramos de junco entrançados de fitas. Já a borda externa é contornada por uma clássica moldura de folhas de louro.  A lateral da grande abertura é percorrida por um toro de conchas e culots e outro de culots estilizados, formando uma barra decorativa onde se alternam pequenos medalhões com rosetas recortadas, e ornatos de palmeta em concha de onde partem folhagens e flores.


Piso 0, Divisão 7 Boudoir

O teto claro e arejado tem a curvatura do contorno trabalhada com delicada moldura em estuque decorativo de gosto Luís XV, como as composições ornamentais de Watteau ou Gillot, o desenho define um rendilhado combinando os mais característicos motivos do rococó francês: cártulas assimétricas com bordas flamejadas, curvas e contracurvas entrecortadas por pequenos fonds quadrillés, flores, ramagens e pássaros. No centro, também de estuque, a roseta de acanto de onde pende o lustre é caprichosamente contornada por uma moldura circular decorada com fleurettes, a qual é abraçada por motivos de culots compostos de conchas, fonds quadrillés, raminhos de folhas e de acanto.


Piso 0, Divisão 8 Quarto do Casal

O teto claro e arejado em estilo Luís XV tem a curvatura da sanca decorada com cercadura, composta por delicado relevo estucado. Tal quais as composições ornamentais de Watteau ou Gillot. O desenho bastante assimétrico define um rendilhado combinando motivos característicos do rococó francês: curvas e contracurvas entrecortadas com bordas flamejadas e onduladas, fonds losanges, guirlanda de flores, ramagens e pássaros.

Um toro decorado com sequência de conchas separa a cercadura do lambri parietal, enquanto uma moldura do tipo gola, decorada com folhas de acanto remata a divisão com o forro sem ornamentação.  

No centro, a roseta de onde pende o lustre de cristal é inscrita num círculo de contorno denteado com motivos de inspiração na regência francesa como a máscara feminina e a palmeta de folhas vazadas, os quais se alternam de quatro em quatro, formando graciosos arranjos de arabescos, folhagens, folhas onduladas e rosas.


Piso 0, Divisão 10 Banheiro Principal

Forro claro e arejado com ornamentação em relevo de estuque branco. Ao centro, grande reserva de contorno curvilíneo, cujo cerne é rematado por rosácea de guirlandas, fitas, florões e roseta de onde pende o lustre. Flanqueando o arranjo, dois compartimentos retangulares com seus quatro cantos recortados por dois ângulos retos. Modinatura composta por frisos lisos e cordão de culots e contas, rematada nas extremidades por pequena cartela ou tipo de fecho. Cornija composta de molduras lisas, cordão de contas e polias, e friso de conchas e dardos.  

 


Piso 0, Divisão 14 Copa

Forro de plano pentagonal em estuque branco, constituído de fina modinatura de baguette e cordão de pérolas, sendo a moldura externa de mesma formatação, e a interna composta de curvas e linhas retas.  Ao centro, moldura circular de mesmo padrão ornamental, de cujo cerne pende o lustre. Na cornija, moldura clássica de óvalos e dardos, e astrágalo de contas e polias.


Piso 0, Divisão 15 Cozinha

Forro em estuque branco com arranjo típico do renascimento francês, formado por lacunários, cujas junções são decoradas com pequenos fechos pendentes ou cul-de-lamp.


Piso 1, Divisão 3 Biblioteca

Teto retangular com compartimentação geométrica demarcada por modinatura fina e retilínea em estuque branco e dourado. Do repertório Luís XVI destaca-se: toro de folhas de louro e entrelaçamento, astrágalo de loureiro, finíssimo astrágalo de contas e polias, e estreita moldura de acanto. Dois grandes ornamentos de plano limitado com motivos de rinceau em estuque branco compõem as laterais menores do forro, que é separado da sanca por uma larga moldura de perfil côncavo com caneluras e pequenos florões.

Os vértices são rematados por uma folha de acanto. A sanca tem seus compartimentos pictóricos encaixilhados por clássica moldura de óvalos em estuque dourado, e é ricamente decorado com motivos em baixo-relevo recorrentes no estilo Luís XVI, como as cassolettes fumantes ou caçoulas fumegantes nos quatro cantos, e as duas máscaras femininas com folhas de louro e guirlandas floridas que rematam o centro.   


Piso 1, Divisão 4 Bilhar

No forro retangular, cercadura contínua em estuque claro define moldura de quarto de volta, decorada com motivo greco-romano de óvalos e dardos. Nas paredes claras, quatro grandes painéis de sobreporta são simetricamente distribuídos, decorando as passagens para os ambientes contíguos. Os baixos relevos em estuque gris-perle são repetitivos e rigorosamente enquadrados nos painéis retangulares, formando uma composição principal ao centro demarcada por larga moldura em arco composta de loureiro, rosetas e laçaria. O interior abriga medalhão com perfil de cabeça grega feminina, envolto por motivos de rinceau e gavinhas. Na parte superior dos painéis, dois compartimentos triangulados guarnecidos de palmeta, acanto e volutas, servem de arremata para as duas cantoneiras, enquanto o arco de loureiro tem suas impostas apoiadas em pequeno capitel rematado por culot de acanto.

O pequeno ornato simétrico de palmeta-culot/roseta/culot-palmeta, extensamente utilizado dentro do repertório Império, confere delicado acabamento à parte inferior das sobreportas. Encimando cada painel, quatro rosetas romanas se alinham de forma equidistante.

Sobre os arcos abatidos das janelas-portas se enquadram baixos-relevos em estuque gris-perle, tendo ao centro roseta grega de quatro divisões simetricamente ladeada por grifos cujas caudas se convertem em motivos de rinceau. O arco de volta perfeito, do grande vitral é coroado por águia romana sobre pesada guirlanda de folhas de louro, atada nas pontas por laçaria, e rematada por galhos de loureiro. Cornija clássica com friso de dentículos.


Piso 1, Divisão 5 Galeria

Teto retangular, branco e arejado, com sanca em curvatura côncava sem decoração.  Em estuque branco e de relevo suave, a ornamentação simétrica e regular apresenta elementos compositivos que se integram formando um único e harmonioso arranjo ao gosto da Regência francêsa. Uma delicada e fina cercadura de feixe de juncos e fitas entrecruzadas se integra aos demais motivos dispostos simetricamente. Característicos do estilo destacam-se os ornatos dos quatro cantos: a palmeta de pontas nervuradas, contendo no interior de cada folha pequenos florões de pérolas, e as folhas onduladas ou feuille godronnée do entorno, que formam um arranjo de arabescos, folhas e flores para mesclar-se ao feixe de juncos e fitas.

A cercadura unirá-se à grande reserva central ovalada, através de dois dos quatro ornatos que compõem sua moldura, sendo estes as palmetas vazadas, envoltas em folhas onduladas. Muito recorrente no estilo Regência, a feuille godronnée vai rematar também a moldura ovalada do centro, assim como os outros dois ornatos com flores, culots e conchinha. Separando o teto da sanca, um toro clássico de folhas de louro que se encurva nos cantos abraçando os ornatos de palmeta, contorna todo o conjunto em relevo estucado. 

Pintura Decorativa

Piso 0, Divisão 1 Vestíbulo

Plano do forro tripartido por dois arcos abatidos, formando uma grande reserva central ladeada por duas menores, todas de formato retangular e guarnecidas de pintura decorativa com temática neoclássica representando deusas, ninfas e puttis esvoaçantes de autoria do pintor A.P.Nardac.

Na sanca côncava ou em meia-cana destacam-se painéis ornamentados com motivos gregos clássicos pintados de forma mais estilizada, como palmetas, enrolamentos de acanto, folhinhas de louro, rosetas e também medalhões com a cabeça de leão, típica da fauna do estilo Império.  

A arquivolta dos arcos é igualmente decorada com estreitos painéis idênticos exibindo os mesmos motivos de palmetas, folhas de acanto e pequenas rosetas. A palheta cromática pictórica acentuando nuanças rosáceas reflete o gosto do período pela pintura decorativa de tons mais suaves e pastéis. O dourado é aplicado em detalhes nos elementos ornamentais.



Piso 0, Divisão 2 Sala de Visitas

Plano do forro com compartimentação geométrica composta de grande reserva central retangular flanqueada por duas menores na forma de meio círculo, todas guarnecidas de pintura decorativa de gosto neoclássico que se completam constituindo uma espécie de tríptico. A pintura de autoria de G. Picard apresenta temática figurativa com puttis e figuras aladas femininas sob um céu rosa-pálido emoldurado por delicada vegetação.

Encaixilhando o conjunto, seis painéis retangulares contendo ornamento de plano limitado composto de arabescos e flores estilizadas, pintado ao pochoir e acabamento com finíssimo filete dourado. 



Piso 0, Divisão 3 Sala de Música

Forro com pintura afresco em tons pálidos representando puttis e figuras esvoaçantes, autoria de Georges Picard.


Piso 0, Divisão 4 Fumoir

Forro decorado com pintura em estilo rococó inserida em três grandes cártulas de estuque, com temática representando cenas alegóricas. Painel de sobreporta com par de Amores de gênero Boucher. Pintura decorativa de autoria do pintor e decorador Emmanuel Cavaillé-Coll. 


Piso 0, Divisão 5 Sala de Jantar

Plano arquitetural do forro com grande abertura ao centro, elevando o teto ao segundo pavimento. Em grande reserva oval, pintura decorativa de temática neoclássica intitulada “Himne de la Terre au Soleil”, do pintor A. Nardac, datada de 1911.


Piso 0, Divisão 7 Boudoir

Gênero Boucher ou Briseux, pintura decorativa inserida nas cártulas rococó dos dois painéis de sobreporta, representando temática mitológica com meninos sátiros. 


Piso 0, Divisão 8 Quarto do Casal

Gênero Boucher, pintura decorativa rococó inserida nos quatro painéis de sobreporta,  uma delas representando temática mitológica com Cupido e Psique, e nas demais, cenas galantes com crianças ou Amores brincando.


Piso 0, Divisão 9 Quarto dos Filhos

Pintura marouflée em estilo Art Nouveau, inserida na parte superior arqueada do lambri, formando uma barra decorativa nos apainelados. Os motivos de flora e fauna, característicos da primeira tendência mais definida do estilo, compõem a temática naturalista de flores e ramagens variadas, frutas, micos, esquilos, gaivotas e cacatuas.  


Piso 0, Divisão 12 Salinha de Jantar

Paredes revestidas com lambri de apoio, sendo a zona superior decorada com pintura decorativa marouflée, compondo painéis em estilo Art Nouveau. O naturalismo das flores, folhagens e pavões definem a temática em tons terrosos e dourados.


Piso 1, Divisão 3 Biblioteca

Teto retangular com grande reserva guarnecida de pintura decorativa neoclássica de autoria de Covaillé-Coll. Muito ao gosto das composições de Pergolesi, a temática alegórico-mitológica é representada nos pequenos compartimentos geométricos pintados em grisaille; sendo o centro composto por painel octogonal com Vênus e Amor adormecidos; e nos dois pequenos medalhões das extremidades, as Virtudes da Sapiência e da Razão. De inspiração naturalística, a ornamentação classizante do entorno reúne motivos de fitas, coroas e folhas de oliveira; rinceau e guirlanda de flores que formam delicada cercadura ovalada, contornada por outra mais vigorosa composta de flores e folhas de louro.

Os dois medalhões laterais, envoltos por pesada moldura florida, são flanqueados por compartimentos geométricos pintados em trompe l’oeil, com finíssimo astrágalo de contas e polias, e guarnecidos de fond quadrillée à fleurette. Motivo característico do estilo Luís XVI, o emblema ou troféu de amor composto de carcá com flechas, tocha inflamada, ramagens de loureiro e laçaria, remata o arranjo pictórico lateral. 

Na larga curvatura da sanca, a pintura decorativa se mescla a elementos tratados em relevo estucado, compondo um harmonioso arranjo. Os quatro lados côncavos são inteiramente preenchidos por compartimentos retangulares interrompidos apenas nos quatro vértices e nos centros, formando um largo friso de gosto romano cercado por moldura de folhas de louro. Motivos de rinceau, flores, grifos e dois pequenos painéis representando Amores brincando integram a ornamentação do friso. Nas duas passagens que levam ao bilhar, painéis de sobreporta em arco abatido guarnecidos de pintura decorativa com temas naturalistas de guirlandas floridas e laçaria. O programa pictórico decorativo inspirado na antiguidade corresponde em sua totalidade ao estilo neoclássico de Luís XVI.


Piso 1, Divisão 4 Bilhar

Plano de teto retangular com compartimento geométrico e, elaborada pintura decorativa de inspiração neoclássica, onde o vocabulário ornamental geometrizado e repetitivo traz do repertório greco-romano seus principais motivos. A simetria absoluta, a modinatura gráfica com ramos retilíneos, os elementos notadamente recorrentes como galhos de loureiro, palmetas, rosetas, águias, Vitórias, e o efeito uniforme e monumental da composição, definem um programa pictórico decorativo característico do Primeiro Estilo Império.

O octógono no centro possui finíssima moldura de folhas de louro interrompida no cerne do compartimento para incorporar grande reserva circular decorada com ombelle, panejamento fingido trazido da ornamentação Adam. O meio é guarnecido de medalhão de gosto neoclássico, com moldura de grega e rosetas, cujo tema principal, de inspiração no teto da Salle de Gardes du Pallais des Tuileries, representa Marte percorrendo o globo em seu carro e assinalando para uma águia cada um dos signos do ano. 

O entorno, salienta a simetria com quatro compartimentos idênticos na forma de losango emoldurado de loureiro, guarnecido de roseta clássica envolta por louro e laçaria. Nos vértices pequena roseta combinada à palmeta fina. Os dois extremos são tratados com mais requinte, sendo cada um decorado com cena antiga de figuras femininas, de onde partem motivos de rinceau e cornucópia da abundância, que ladeiam grande vaso fumegante sobre tripé. A cena, contornada por meio-círculo de estrelas, é pintada em grisaille e levemente colorida por fundo azul com rinceau e galhos de loureiro em tons de ocre e amarelo. 

O forro retangular tem seu entorno dividido em compartimentos retilíneos que se triangulam nos vértices, formando rica cercadura trabalhada com ornamento de plano limitado. Muito ao gosto dos frisos romanos, os compartimentos são preenchidos com motivos de rinceau de acanto, gavinhas, rosetas, estrelas e galhos de loureiro, sendo que nos quatro vértices a ornamentação se aprimora, incorporando motivo central de águia romana em coroa de folhas, encimada por guirlandas floridas e laçaria.

A larga curvatura do teto define a sanca pintada com fundo em tonalidade terracota, sobre o qual desfilam os temas sequencialmente repetitivos como as Vitórias aladas e as coroas estreladas de louro e laçaria em grisaille; as pesadas guirlandas em trompe l’oeil; e os vértices rematados por arranjo de rinceau e par de grifos também em grisaille. Cada um dos quatro lados da sanca tem o meio decorado com painel retangular representando, respectivamente, alegorias dos quatro elementos, ar, água, fogo e terra.   

As estrelas de seis pontas, como inúmeras decorações de Pierce e Fontaine, aparecem aqui por toda parte como molduras em arco, retilíneas ou como detalhes pontuando motivos diversos. Palheta cromática em tons neutros, azuis e quentes, dos quais os ocres sugerem em detalhes o bronze dourado das decorações Império.


Piso 1, Divisão 5 Galeria

Plano de forro retangular com sanca em curvatura côncava, tendo ao centro grande reserva oval guarnecida de pintura decorativa de temática neoclássica intitulada Himne de la Terre au Soleil, do pintor A. Nardac, datada de 1911.


Decoração Diversa
Piso 0, Divisão 1 Vestíbulo

Vestíbulo de gosto neoclássico com paredes em mármore rosa português formando grande apainelados, onde a zona superior recebe um largo friso decorado com baixo-relevo em bronze representando cenas das Panatenéas. O ambiente é cortado por dois arcos abatidos sustentados por quatro colunas coríntias de granito rosa da Hungria. Outras quatro colunas em mármore definem os arcos de passagem para os espaços anexos, sala de visitas e sala de jantar.

Os capitéis em bronze dourado são ricamente trabalhados com volutas, óvulos e folhas de acanto. Todos os arcos, incluindo a passagem para a escada, apresentam de cada lado da arquivolta um pequeno ornato em bronze de cornucópia repleta de frutos, flores e folhas.

Arandelas estilo Império de seis braços em bronze dourado. A escada principal de dois lanços opostos em mármore de Carrara tem balaustrada em estilo Império rematada com ornatos em bronze característicos do gênero. Ao fundo do primeiro patamar se destaca o grande vitral representando Apolo e o Carro do Sol.

Pavimento em mosaico de mármore claro, salpicado de pequenas coroas de louro e rosetas. Ao centro, grande medalhão composto por motivos de rinceau (folhagens espiraladas), palmetas e rosetas, e larga moldura de borda intercalando ornato de rosetas com motivo simétrico de palmetas e acanto. Rematando o caixilho, os quatro vértices são decorados com medalhão guarnecido de águia em pé com asas abertas, motivo recorrente no estilo Império.  


Piso 0, Divisão 2 Sala de Visitas

O acesso interno para a grande sala de visitas dar-se-á pelo vestíbulo, através da passagem em arco abatido sustentado por colunas coríntias de mármore ônix. As paredes são revestidas com lambri de carvalho, configurando uma sequência de pilastras que se alternam com as portas externas, dois grandes painéis forrados de tecido adamascado e um grande espelho localizado em posição central na sala. O lambri que se estende do rodapé até a cornija, apresenta o tom austero e escuro da madeira contrastando com a ornamentação dourada, como os capitéis coríntios das pilastras de fustes marcados por caneluras. Os painéis de tecido claro ostentam nas laterais grossos feixes com folhas de carvalho, louro e laçaria que caem pendentes sobre duas grandes volutas de acanto que se enrolam até a roseta do cerne.

A simetria ritmada do lambri, as molduras clássicas dos grandes painéis, a cornija decorada com friso de acanto e cordão de pérolas e os ornatos Luís XVI – friso de guirlandas entrelaçadas com frutas, folhas e flores, feixes pendentes - conferem ao ambiente o caráter neoclássico, que, entretanto contrasta com elementos do repertório barroco como as cártulas sobre portas, painéis e espelho, com suas cercaduras espessas, recortadas e enroladas. O ornamento do tipo agrafe dos arcos de passagem para o vestíbulo e sala de música confirma ainda mais o contexto eclético da decoração, mesclando cártula moderna com mascarão e cornucópia de frutos, e uma clássica moldura romana de rosetas.

Arandelas em bronze dourado neobarrocas gênero Liénard. Pavimento em parquet belga com modinatura interna composta por frisos simples em tons claro e escuro, envoltos por uma moldura decorada com folhas de louro estilizadas. Nos vértices, ornato de arremate com arabescos, folhagens, volutas e uma palmeta invertida. No entorno, larga cercadura alternado ornamento de plano limitado guarnecido de mosaico e flores estilizadas, e medalhão com roseta de onde partem folhagens e arabescos estilizados, formando uma sequência interligada de desenhos. 


Piso 0, Divisão 3 Sala de Música

O acesso para a pequena sala de música dar-se-á pelo vestíbulo ou pela sala de visitas através da passagem em arco abatido sustentado por colunas coríntias de mármore ônix. A saleta possui decoração no segundo Estilo Luís XV com lambri de altura em cinza claro composto por retilínea e delicada molduração, onde a distribuição ordenada da ornamentação introduz o relevo dourado. Na zona superior da parede as boiseries são arqueadas nas extremidades e rematadas por motivos característicos do estilo como palmetas em concha, enrolamentos em C, culots e folhas de acanto.

Os três painéis principais têm os centros guarnecidos de emblemas musicais exibindo instrumentos de corda e sopro, e uma fina baguette interna de juncos e laçaria. Os demais são decorados com delicados medalhões contendo rosetas formadas por conchinhas e pequenas cartelas. Como elementos de separação, estreitos e alongados painéis do tipo parcloses são preenchidos com arranjo simétrico de palmetas, folhas de acanto, conchas e enrolamentos em C. Dois pares de arandelas com máscara feminina gênero Blondel fixadas sobre os parcloses, ladeiam a entrada pelo vestíbulo, pelo qual é decorada com cartela de sobreporta guarnecida de pequeno emblema musical. Guirlandas de flores coroam as boiseries no alto dos arcos e da janela.

Pavimento em parquet belga formando padrão geométrico de quadrados em madeira clara, acantonados por pequenos círculos. Acabamento com larga cercadura externa de motivos fitomorfos Estilo Art-Nouveau, rematada por uma moldura externa de motivos do mesmo gênero, e uma moldura interna de losangos.

Piso 0, Divisão 4 Fumoir

O acesso para a saleta denominada Fumoir dar-se pelo vestíbulo ou pela sala de jantar através da passagem em arco abatido, sustentado por colunas coríntias de mármore ônix. A ornamentação em estilo Luís XV ver-se nas paredes revestidas com lambri de altura em vert-de-gris, cuja molduração dos apainelados é trabalhada com delicado relevo esculpido. Os painéis são ornamentados nas bases e no alto com motivos diversos como culots, crossettes de acanto, conchas e enrolamentos em C. Os motivos naturalistas estão por toda parte como raminhos de flores, folhagens de acanto, guirlandas floridas, folhinhas de hera, pequenas fleurettes além dos cestos de flores.

De gosto Luís XVI, o painel central possui moldura mais elaborada com ramos de louro entrelaçados de hera que sobem ao longo das laterais, arqueando-se no alto para se juntar a uma farta guirlanda de flores.

Pelo estilo Regência destacam-se os pequenos girassóis inseridos nos medalhões dos parcloses, e o fond quadrillé que preenche o acabamento de contorno irregular encimando os painéis medianos. A cornija é composta por uma moldura do tipo caveto decorada com folhas de acanto e fleurettes, encimada por moldura de juncos unidos por fitas entrelaçadas, tipologia característica do estilo Luís XVI.

Lustre de oito braços em bronze dourado estilo neorococó decorado com motivos de rocaille, acanto, godrons, folhas de louro e cabeças de carneiro. Pavimento em parquet belga decorado com larga cercadura de motivos de flores e fitas estilizadas, ladeada por estreitas bordas externas. 

Piso 0, Divisão 5 Sala de Jantar

Sala de jantar com forro vazado, ampliando verticalmente o ambiente e deixando entrever a galeria no segundo pavimento. As paredes revestidas com lambri de altura em nogueira formam uma ensambladura de painéis alongados e regulares que se alternam com a arcada das portas e com o grande espelho localizado entre os dois arcos de passagem, criando assim uma ordenação peculiar ao segundo estilo Luís XIV, assim como do estilo Regência.

Na parte superior, o relevo esculpido das molduras se arqueia nas extremidades para receber crossettes com motivos de acanto e conchas. Os arcos abatidos que dão passagem para o vestíbulo e para o fumoir são sustentados por colunas coríntias em mármore ônix, e decorados com agrafes ladeados por guirlanda de loureiro e compostos de cártula de bordas onduladas, conchas e enrolamentos em C. Os demais arcos são coroados com fartas guirlandas de flores, alternando nos agrafes ornatos de roseta e mascarão.

Os painéis que compõem o lambri têm sua moldura recortada, dividindo-se em duas partes que se encaixam formando lados encurvados e decorados com crossettes nas laterais, e no centro, ornato de máscara feminina encimada por palmeta e envolta por cauda de pavão, folhas de acanto e concha, tipologia recorrente nas decorações da Regência Francesa. Rematando a sequência, estreitos parcloses com longo feixe pendente de folhas de louro, flanqueiam as duas grandes portas em posições opostas.   

Em justaposição com os elementos decorativos do teto, nos quatro cantos côncavos da sala o alto das boiseries, é guarnecido de emblemas da música e das artes, de instrumentos de jardinagem, da agricultura, da vinicultura e da caça. Abaixo de cada conjunto, um nicho em mármore rouge royal abriga lavatório com pias e mascarões esculpidos em mármore de Sena amarelado.

Do teto vazado caem pendentes quatro lustres de cristal baccarat. Pavimento em parquet belga, com larga cercadura composta por folhagens e flores, intercalada por dois estreitos frisos de motivo geométrico de losangos invertidos.

Piso 0, Divisão 7 Boudoir

O Boudoir é a primeira sala da ala privada do palácio e seu acesso dar-se pelo pequeno terraço interno que interliga as áreas de serviço e família. A decoração tendendo ao segundo estilo Luís XV, portanto de transição para o Luís XVI, se apresenta na ordenação e distribuição mais geométrica do lambri em gris perle, onde na zona parietal superior, grandes painéis revestidos de damasco azul moderno são espaçados por estreitos parcloses.

Em relevo esculpido, a ornamentação rococó se define nos motivos de culots, compostos de palmeta em concha, rosas e ramagens, os quais se repetem na moldura dos parcloses, nas almofadas arqueadas das portas e decorando as impostas do arco quase reto que introduz ao quarto principal. Recorrentes dos estilos Luís XIV e Regência, as máscaras femininas, que coloridas se destacam do contexto cromático mais sóbrio, misturam-se a outros motivos para compor os painéis de sobreporta, como guirlandas coloridas, folhas onduladas, conchas e enrolamentos em “C”.

Espelho bisotado com moldura rococó dourada com motivos de acanto, enrolamentos em "C", folhas godronées e fleurettes. No coroamento assimétrico, folha de acanto tripla com nervura de cordão de pérolas. Arandela de dois braços em bronze dourado estilo rococó com enrolamentos de acanto e flores. Lustre em bronze dourado de nove braços, decorado com folhas de acanto, flores e base circular de godrons retorcidos, cujo centro é ornado com pendente de flores. A cornija acrescenta o repertório arcaizante do estilo Luís XVI com o estreito friso de motivos cordiformes ou folhas aquáticas, encimado por um toro de feixes de junco unidos por fitas entrecruzadas.

Pavimento em parquet belga de padrão quadriculado e larga cercadura com clássica sequência de palmetas estilizadas, ladeada por uma borda externa estriada e outra interna com elementos vegetalistas. Nos cantos, monograma da família com as iniciais E G.

Piso 0, Divisão 8 Quarto do Casal

O quarto do casal ou quarto principal está ligado diretamente ao boudoir, ambos já localizados na ala privada do palácio. A decoração em estilo Luís XV remete claramente aos projetos para chambre à coucher de Blondel, com portas que se comunicam para os cômodos vizinhos, e uma espécie de nicho forrado de tecido adamascado, onde se situa o leito. As paredes são revestidas com lambri de altura em vert de gris, inserindo também as quatro portas dispostas em simetria, o armário, as duas janelas-portas e um grande espelho sobre console. As boiseries em relevo esculpido seguem as particularidades do estilo, criando painéis e almofadas alongadas, curvadas nos extremos, e rematadas por agrafes com motivos rocaille, crossettes, enrolamentos em C, conchas e folhas onduladas.

O recorrente perfil em arbalète define a molduração dos painéis, sobretudo na composição do armário de portas espelhadas; e no riquíssimo espelho coroado com máscara feminina sobre moldura de godrons, encimado por farta guirlanda de flores.  Sobre o armário, um grande painel guarnecido de guirlanda de flores, de onde cai pendente um emblema com arco, carcá e flechas, representa os atributos do Cupido e do Amor. Nos parcloses que flanqueiam armário e espelho, arandelas modernas de gosto rococó em bronze dourado, difundem a iluminação indireta.

Pavimento em parquet belga com larga cercadura externa composta de sequência de ornato estilizado de medalhão, culot e coroa de louros, contornada por dois finos frisos em motivo zigue-zague.

Piso 0, Divisão 9 Quarto dos Filhos

O quarto dos filhos ou Chambre d’enfants está ligado diretamente ao quarto do casal, localizados na ala privada do palácio. A decoração em estilo Art Nouveau apresenta as paredes revestidas com lambri de altura em freixo da Hungria, formando na zona superior, painéis de variadas proporções, que se alongam eliminando o silhar nas duas seções em que se situam as camas. Encaixilhados por delicada cercadura, os apainelados, forrados de tecido listrado não original, se arqueiam no alto, sendo rematados em cada junção por motivo estilizado de borboleta. A cornija é representada por estreito friso em madeira composto por modinatura de Talon e Listel, separando as paredes do teto.

O emprego da madeira marchetada caracteriza o silhar ricamente trabalhado, composto por uma barra de rodameio já tendendo ao grafismo e à abstração da segunda fase do Art Nouveau. Do repertório vegetal veem-se raminhos de heras envolvendo círculos guarnecidos de borboletas. Abaixo da barra decorada, o silhar é dividido em retângulos verticais rematados nos cantos superiores por ramos de hera, que se repetem também dentro de pequenos arcos sobre a porta dupla principal, a qual tem suas almofadas guarnecidas dos mesmos motivos do rodameio. Pavimento em parquet belga formando padrão geométrico quadrangular.

Piso 0, Divisão 10 Banheiro Principal

O Banheiro Principal localiza-se contiguamente ao quarto dos filhos, na ala privada do Palácio.  De extremo requinte, o banheiro tem as paredes inteiramente revestidas com lambri de altura em mármore Brecha Violeta, conservando o rodameio em altura elevada. Em mármore branco de Carrara, a ornamentação tende ao classicismo, sobretudo através do elemento frequentemente utilizado no coroamento do espelho, painéis, portas, janelas, banheira e na parede a meia-altura: o frontão com volutas, que interrompido recebe motivo de arremate central.

No grande espelho da bancada, molduras de folhas de louro compõem verticalmente as laterais para unir-se a uma pesada guirlanda que completa o coroamento. O mesmo tratamento é dado ao redor das janelas e portas.

De Carrara são também a enorme bancada da pia com os três apoios esculpidos na forma de console decorado com motivos de loureiro; a banheira, o sanitário e o lavatório também esculpidos com relevos de guirlandas, flores, cártulas e folhas de louro; e os dois painéis retangulares em baixo-relevo representando par de Amores que rematam as paredes lisas. De inspiração barroca, o lintel das janelas recebe coroamento com frontão de volutas cortado por cártula central. Lustre e arandelas modernas em bronze e vidro fosco.

O pavimento em mosaico de mármore apresenta o centro decorado com desenho, estilizado de delicado florão trabalhado em pedras pretas e douradas. No cerne da composição, uma grande roseta é contornada por quatro filetes ovalados, formando molduras pontuadas por conchinhas que abrigam ornato de golfinhos e folhagens. No entorno, acabamento e cercadura com motivos estilizados de flores e folhagens espiraladas.  

Piso 0, Divisão 12 Salinha de Jantar

A pequena sala de jantar junto à ala de serviço tem as paredes revestidas com lambri de apoio em madeira de mogno, onde a zona superior é ritmada por esguias colunas que se alongam sozinha ou em pares, intercalando portas, janelas e grandes painéis pintados.

Fica notória a ordem clássica de composição arquitetural e o gosto greco-romano expresso na disposição das colunetas, que no alto sustentam a cornija, e têm suas bases apoiadas sobre o silhar. Diferentemente do gosto Art Nouveau da pintura decorativa, a estrutura parietal de inspiração no delicado estilo Ornamental ou de Candelabro das decorações pompeanas, remete ao estilo Diretório com suas linhas retas e elegantes.

Motivos também clássicos como guirlandas floridas e laçarias, flores e folhagens reunidas em frisos, são tratados de forma estilizada no marchetado da madeira; e decoram a cornija, as molduras dos painéis pictóricos, o lintel e as almofadas das portas, o friso do rodameio e ainda os painéis do silhar, que recebem rosas e fitas.

Lustre circular em bronze dourado estilo Império com doze bocais pendentes e plafond central de vidro jateado. Da ornamentação clássica destacam-se palmetas, volutas, guirlandas e frisos canelados. Lavatório Art Nouveau em mármore amarelo com mascarão em metal dourado e pedestal de linha chicotada e motivos vegetalistas. Pavimento em mosaico de mármore com larga cercadura, composta de moldura clássica grega.  

Piso 0, Divisão 14 Copa

Bancada de pia em mármore de Carrara, cuja testa frontal é decorada com clássico friso em baixo relevo com motivos de rinceau. Do repertório antigo e renascentista destacam-se também os golfinhos que dão forma aos pés de mármore esculpido. Alisares e lintel da porta principal decorados com modinatura clássica composta de óvalos, folhas de acanto e rosetas. Pavimento em mosaico de pastilhas de gosto Art Nouveau com larga cercadura externa de repertório vegetal gráfico tendendo à abstração.

Piso 0, Divisão 15 Cozinha

Bancada de pia em mármore de Carrara, cuja testa frontal é decorada com clássico friso em baixo relevo com motivos de rinceau. Do repertório antigo e renascentista destacam-se também os dois golfinhos que dão forma aos pés de mármore esculpido. Arandelas modernas em bronze dourado coroadas com ornato de flor-de-lis.

Pavimento em mosaico de pastilhas em tons de branco, amarelo, preto e azul, com larga cercadura externa de motivos estilizados de flores e ramagens.

Piso 0, Divisão 16 Sala de Serviço

Grande mesa retangular em mármore branco de contorno abaulado e acabamento com friso clássico de folhas aquáticas. Os pés são formados por quatro consoles com volutas. Pavimento em mosaico de pastilhas de gosto Art Nouveau, com larga cercadura externa de repertório vegetal, gráfico tendendo à abstração, e ao centro motivos vegetalistas estilizados.  


Piso 1, Divisão 3 Biblioteca

A biblioteca situada no segundo pavimento é acessada internamente através de dois portais, cujos vãos retos são sustentados por par de colunas compósitas em mármore rosa. O ambiente corresponde ao neoclassicismo do estilo Luís XVI com seus lambris leves e retilíneos em vert-gris, e com seu repertório ornamental arcaizante em relevo pintado na cor branca. A modinatura do lambri, estreita e rasa, desenha apainelados retangulares variados, alternando toros de loureiro e laçaria, e fina moldura lisa. Nos parcloses, caem pendentes pequenos feixes de loureiro. As folhas de louro estão por toda parte. Assim como no relevo e no pictórico do teto, elas formam molduras que rematam os fechos dos arcos, o ornato de concha que une as impostas, e também na forma de guirlanda, toro e pendente do arranjo ornamental dos painéis de sobre porta. Estes abrigam dois belos troféus: de um lado das artes e do outro das ciências, atenuando delicadamente o rigor neoclássico dos painéis. A forma retangular é demarcada por motivos retilíneos peculiares ao gênero Luís XVI como os pendentes retos de entrelaçamentos nas laterais, o friso de loureiro e fitas em cima, e o friso estriado com rosetas em baixo.

As cabeças de leão trazidas do Império misturam-se aos motivos sentimentais como: coroas de rosas, tochas, laços, instrumentos musicais, formando troféus que rematam os espaços entre os arcos das janelas-porta. Estas têm as almofadas ornadas com delicados apliques brancos de motivos galantes de buquês floridos. A cornija bem trabalhada trás da antiguidade elementos clássicos como dentículos, rosetas e o friso de guirlandas intercalado por consolos decorados com acanto.

Pavimento em parquet belga com padrão em zigue-zague, formando losangos amplos, guarnecidos de folhagem estilizada. Larga cercadura externa composta de frisos simples sem ornamentação, friso de meandro e ao centro barra contendo friso em zigue-zague entrelaçado a ramo de loureiro estilizado. Nos quatro cantos, monograma EG inserido em medalhão oval com fina moldura de pérolas.

Piso 1, Divisão 4 Bilhar

O salão do Bilhar constitui o grande ambiente central do segundo piso, cujo aparato decorativo representa todo requinte monumental do Primeiro Estilo Império. O lambri de apoio em mogno tem o rodameio elevado à altura superior a dois metros, reservando às paredes claras uma estreita faixa compartilhada com os arcos das janelas e portas. O lambri à grand cadre que percorre o salão, embora interrompido pelas portas envidraçadas e passagens colunadas, exibe sobre o brilho escuro da madeira todo grafismo e simetria da ornamentação Império. Os apliques em bronze dourado de finíssimo acabamento reúnem os mais característicos motivos de inspiração na arte greco-romana.

Nos longos painéis, a moldura é pontuada com pequenos círculos estrelados, sendo os cantos compostos de ornato simétrico com círculo/culot/palmeta. Alguns dos painéis têm o centro guarnecido de medalhão emoldurado por galhos de loureiro, contendo máscara teatral romana como a do deus do vinho Baco. Os demais abrigam as arandelas em bronze dourado que conferem iluminação indireta ao ambiente.

Notadamente repetitivo nas decorações Império, o motivo linear simétrico de palmeta/culot/roseta/culot/palmeta se encontra por toda parte, entre os apainelados, nos alisares das janelas-portas, nas molduras das grandes tapeçarias campestres de Beauvais. Vê-se ainda outro motivo característico, composto de palmetas, volutas e rosetas, que em alinhamento simétrico e vertical, remata estreito parclose entre cada par de janelas. 

O friso de guirlandas contínuo do rodameio expressa o gosto delicado da ornamentação Luís XVI, presente no coroamento do lambri. As fitas que atam as pontas vêm juntar-se ao arranjo de culots alinhado verticalmente; mas o acabamento de maior capricho é conferido aos pequenos medalhões à Wedgwood aninhados na curvatura das guirlandas. Os medalhões remetem à cerâmica jasperware, onde o fundo azul destaca o relevo branco dos motivos variados.

O guarda-corpo em mármore Carrara da escada principal tem seu perfil aberto desenhado por balaústres retos intercalados por travessas em forma de X. Todas as partes recebem acabamento decorativo em estilo Império, com motivos clássicos em bronze dourado como rosetas, galhos retilíneos de loureiro, culots, volutas, acanto e palmetas. De cada lado da escada, o último balaústre é abraçado por grande bronze de esfinge alada, acrescentando ao conjunto ornamental um elemento do repertório egípcio. Confrontando as linhas rígidas e requintadas da escada principal, o amplo vitral belle-époque alonga-se pelo vão do primeiro patamar até arquear-se próximo à cornija do salão. Os vidros coloridos representam cena mitológica de Apolo conduzindo o Carro do Sol por entre nuvens, musas e puttis.

Pavimento em parquet belga com padrão geométrico de quadrados em diagonal acantonados por esferas, e coroas de louro, estilizadas. Estreita cercadura externa composta de sequência de rosetas e culots, rematada nos cantos por motivo circular guarnecido de folhagens estilizadas.   

Piso 1, Divisão 5 Galeria

A Galeria em estilo Regência eleva-se sobre a sala de jantar através do teto vazado do primeiro pavimento, tendo à volta da grande abertura um guarda corpo encurvado de ferro forjado. Todo na cor preta, trabalhado em rico ferronerie, apresenta desenho com volutas mescladas a pequenos culots e folhas de acanto em bronze dourado. Nos cantos alongam-se quatro candelabros de mesmo acabamento.

As paredes são revestidas com lambri de altura em nogueira, formando uma ensambladura de painéis alongados sobre o silhar baixo e de compartimentação regular. Divididos em duas partes que se encaixam formando cantos arqueados e decorados com crossettes, os painéis da zona superior alternam os arcos das janelas-portas e os vários espelhos que se estendem ao longo da galeria. A ornamentação em relevo esculpido é composta de motivo de concha e acanto coroando os espelhos e, mais elaborada servindo de agrafe para os arcos das portas, com motivos característicos do estilo, como a palmeta nervurada com florões de pérolas, conchas, folhas de acanto e feuille godronnée.

Nas quatro quinas da galeria as paredes se abaulam formando painéis côncavos e mais estreitos, cujos vérices tem angulação reta, diferenciando-se dos demais. O centro abriga uma cártula “em forma de violino” com moldura de flores, feuille godronnée e rematada por conchas, elemento peculiar à Regência francesa. As cártulas são guarnecidas de delicadas cenas de Fábulas de Esopo, sendo elas: “A raposa e o corvo”, “A cegonha e o lobo”, “O Lobo e o Cordeiro” e “Os Galos e as Galinhas”.


Nas duas passagens que levam ao bilhar os painéis de sobre-porta apresentam notável ornamentação composta de dois troféus em baixo relevo esculpido, inseridos em moldura arqueada com belos crossettes na parte inferior, e coroada por ornato de roseta. Os troféus reunem atributos do comércio e navegação, e da engenharia e indústria. A cornija em nogueira é composta de molduração simplificada, tendo apenas no cimácio um friso de godrons, e no meio um friso clássico de óvalos interrompido por sequência de par de consolos posicionados em equivalência com os painéis parietais.

Pavimento em parquet belga com padrão geométrico de quadrados em diagonal acantonados por esferas, e guarnecidos de motivos estilizados. Larga cercadura composta por barra de grandes meandros envoltos por motivos fitomorfos estilizados, e motivos de retangulos bisotados. Acabamento lateral formado por frisos lisos, e moldura com sequência de motivos árabes estilizados.  

Equipamento Móvel
Piso 0, divisão 2 Sala de visitas

Cômoda à vantaux em estilo Boulle, arrematada com tampo em mármore e, subdividida por três módulos, tendo o central em destaque com protuberância frontal, intercalados por tecido na vertical. Mobiliário ornamentado em sua totalidade por arabescos em forma de folhagens em metal (bronze) dourado. Cada um de seus três quadrantes possuem altos-relevos em bronze dourado representado cenas mitológicas. Laterais possuem, ao centro, máscara em bronze entrelaçada com elementos fitomórfos. Pés terminados em bolachas. 

Armário Boulle quadrangular de pequena dimensão com tampo em mármore e porta de folha única. Fechadura em bronze no centro, à esquerda. Friso em bronze ornado por motivos fitomórfos. Revestimento com incrustações em bronze com arabescos florais geométricos. Ao centro, máscara ornamentada em bronze. Pés quadrados e estilizados. 


Piso 0, divisão 4 Fumoir

Dunquerque de duas portas, apresentando belos trabalhos em marchetaria geométrica, aplicações e guarnições em metal, tampo em mármore, pernas cabriolet e pés terminados em voluta. As aplicações seguem motivos marítimos, como conchas, mesclados com elementos fitomórfos.




Piso 0, divisão 9 Quarto dos filhos

Armário em madeira marchetada seguindo motivos fitomórfos e zoomorfos, com uma porta em cada extremidade, subdivididas por três nichos, sendo o central de maior extensão, e nicho central tendo, em seu inferior, quatro gavetas com dois puxadores em metal cada e, superior, porta em duas folhas de abrir vedadas por grade em metal e folhas de madeira compondo fundo. Nicho segmentado por três colunas centrais de pequena dimensão e ladeado por duas de mesmo tamanho e estilo.


Piso 1, divisão 3 Biblioteca

Bureau a cylindre produzido pela Casa Bettenfeld, cópia fiel do famoso Bureau du Roi, fabricado pelos ebanistas J.F Oeben e J.H Riesemer para o Rei Luis XV (1710 – 1774), em marchetaria seguindo motivos fitomórfos, encimado por vasos em bronze dourado nos quatro cantos e, ao centro, relógio ladeado por duas figuras de meninos e urnas. Face interna com fechamento cilíndrico móvel composto, também, por marchetaria, ladeado por castiçais em motivos fitomórfos, amparados por duas figuras femininas, laterais ornadas com apliques em bronze dourado, que seguem continuidade por todo o móvel. Ao centro, medalhão contendo alto relevo em temática mitológica, representando as Três Graças, emoldurada por guirlanda seguindo padrão de ornamentação do Bureau. Parte superior das pernas ornadas em motivos zoomorfos, terminadas em pés-de-garra. 

Cofre (par) boulle portátil, estilizado por arabescos em todas as suas faces, inclusive na tampa convexa, seguindo ornamentos em formato de folhagem em metal (bronze) dourado. Extremidades protegidas por cantoneiras em bronze. Face frontal com três elementos decorativos: ao centro, relevo recortado em motivo fitomórfos, contendo máscara onde se arremata a fechadura que, por sinal, possui mecanismo externo e que ocupa a superfície da tampa. Nas extremidades da face frontal, duas carrancas arrematam a faixa em bronze com relevos que segue por todo o comprimento da tampa convexa, ligando as duas faces do cofre. Face posterior mantém as características da face frontal, porém, substitui-se o arremate de carrancas por leões. Laterais com alças estilizadas, onde se repete o ornamento da face frontal – relevo recortado em motivo fitomórfo contendo máscara. No seu interior, cofre contém oito prateleiras com fechaduras em bronze dourado individuais, onde quatro delas possui elemento decorativo floral em sua extensão. Acabamento lateral em bronze dourado. Pés em cachimbo com acabamento entalhado em gomos.


Piso 1, divisão 4 Bilhar

Bureau-plat com cartonnier, com tampo em forma de violão forrado em couro, terminado em semicírculo e rematado por filete de bronze dourado em enrolamentos vegetalistas. Num dos extremos ergue-se o cartonnier, composto por duas colunas simétricas de quatro gavetas de tamanho decrescente, encimado por um pequeno relógio típico dos móveis de trabalho e rematado por um conjunto escultórico em bronze dourado formado por figura de menino e elementos fitomórfos diversos. Os lados de elegante desenho em S, são adornados com elementos decorativos em bronze formando um padrão floral bem como a parte traseira, cujo cuidado cênico denuncia um uso a toda a volta. Para além do magnífico trabalho de marcenaria desta peça, destacam-se as graciosas espagnolettes (figuras femininas), que decoram suas pernas em cabriole, terminadas em patas de leão.


Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009