A Casa Senhorial

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Palacete Guilhermina Andrade Bastos

Palacete Guilhermina Andrade Bastos
XIX - XX
1891
Portugal

Sebastião Locati (arquitecto); Ludovico Poliaghi (pintor decorador)


Arquitectura

Inserido na malha da cidade, no interior dum lote murado, o edifício é circundado pelo jardim a toda a volta. Está localizado dentro do lote, na zona central. A entrada faz-se pela rua Júlio de Andrade, n.º 3. Pertence à freguesia de São José e está implantado numa zona plana em relação à rua. O terreno com o jardim até à fachada é plano e após o palacete entra em declive descendente, de Este para Oeste na zona posterior.

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A morfologia do edifício corresponde a uma composição de um prisma irregular ortogonal. Tem três pisos e um mirante com cobertura. O palacete apresenta inúmeras alterações ao projecto inicial, mas a documentação das plantas originais permite uma reconstituição conjectural. Assim, o piso superior terá sido destinado a uma zona de quartos e incorporou inicialmente um terraço voltado a Poente. No piso intermédio (térreo a Nascente e piso 1 a Poente) situa-se a entrada principal pelo lado da rua. Este corresponde a uma zona de recepção, com um vestíbulo de distribuição para o andar superior ou inferior, pelas escadas de aparato ou de serviço, estas situadas junto à copa, a Sudoeste. Junto à fachada poente situam-se as salas de recepção. O piso -1, com acesso directo ao jardim pela fachada poente, corresponde a uma zona privada da família. Na zona nascente do mesmo piso (semienterrado), situam-se os acessos originais aos pisos superiores, de aparato e de serviços. No projecto original verifica-se a cozinha em comunicação com a copa no piso superior e uma sala de criados a nascente.

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Voltada a Nordeste, para grande pátio de entrada murado e gradeado, com dois pisos separados por friso inferiormente denteado que percorre todas as fachadas e três corpos, cujos panos formam os lados de um trapézio irregular, separados por pilastras angulares e delimitados por cunhais, todos com capitéis de volutas.

No piso 0 do pano central abre-se o portal, antecedido por quatro degraus, a toda a largura do mesmo, em arco pleno sob alpendre de ferro forjado. No piso 1, uma janela dupla de moldura quadrangular filetada, com mainel de coluna com capitel volutado sobre guarda de balaústres de pedra, encimada por cornija e por um friso que corre ao longo de todas as fachadas sobre as janelas do piso superior.

Todo o edifício é rematado por uma platibanda lisa sobre um beiral, com cornija muito saliente, suportado por uma cachorrada lisa. Sobre o telhado, no eixo do pano central, eleva-se com corpo de uma torre octogonal, com todos os panos vazados por vãos separados por pilares esquinados e flanqueados por colunas de capitéis volutados.

No pano do corpo da esquerda, o piso 0 possui um embasamento baixo onde se abrem respiradouros, e sobre este, uma janela rectangular flanqueada por pilastras com capitéis de volutas de onde pende um festão e parapeito sobre gotas no eixo dos pilares. Encima a janela um friso liso rematado por cornija sobre cachorrada diminuta. No piso 1 uma janela rectangular de moldura filetada e guarda de balaústres, encimada por cornija.

No pano do lado este deste corpo, existem, no piso térreo, duas janelas rectangulares separadas e delimitadas por pilastras com capitéis volutados, com festão sob cornija corrida apoiada em cachorrada diminuta, e no piso 1 uma janela dupla com guardas de balaústres, emoldurada e mainelada com coluna de volutas e encimada por frontão curvo guarnecido de denteado. 

No pano da direita da frontaria, o piso 0 possui um embasamento idêntico ao do pano da esquerda onde assenta um conjunto de três janelas, delimitadas e divididas por pilastras com capitéis volutados com festões, com parapeito corrido sobre gotas e encimadas por cornija única sobre cachorrada diminuta. No piso 1 há outro conjunto de três janelas separadas por pilares quadrangulares, com capitéis de volutas, enquadradas por moldura filetada rematada por friso almofadado, sobre o qual corre uma cornija que encaixa lateralmente num frontão curvo central, com o tímpano denteado. Para a esquerda adossa-se pequeno pátio rectangular provido de balaustrada de pedra.

Em todas as fachadas, as janelas são ladeadas por grandes almofadas rectangulares na caixa murária.
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Fachada lateral Sul

Apresenta grande desnível, descendo de Este para Oeste, fazendo aumentar o número de pisos, e é composta por três corpos em ressalto escalonado, em avançamento para Oeste, delimitados por cunhais lisos com capitéis de volutas.

Partindo da direita, no piso 0 do pano extremo e do pano lateral do 2º corpo, abre-se em cada um sua janela moldurada com pilastras laterais rematadas por capitéis volutados com festões, encimada por cornija sobre cachorrada diminuta; no piso 1 de cada pano uma janela rectangular com moldura rematada por cornija e guarda de balaústres de pedra.

O pano sul do 2º corpo possui três pisos, sendo o piso -1 marcado por embasamento alto almofadado onde se rasgam três janelas rectangulares, molduradas e encimadas por cornijas, a central mais elevada. O piso 0 tem três portas-janelas geminadas, separadas e delimitadas por pilastras com capitéis volutadas com festões e são encimadas por uma cornija que encaixa lateralmente num frontão angular central. No piso 1 uma dupla janela centrada por mainel de coluna com capitel de volutas sobre guarda de balaústres e ladeada por dois óculos moldurados.

O corpo extremo da esquerda, o mais saliente, apresenta, no piso -1, o embasamento onde se abrem, no pano frontal, três janelas rectangulares gradeadas e encimadas por cornijas, sendo o pano lateral cego. No piso 0, o pano frontal possui três janelões em arcada plena e os laterais um, todos providos de lintel onde se apoia a bandeira do arco, sobre pilastras e encimados por cornija. No piso superior uma grande janela corrida com moldura filetada e três guardas de balaústres.

Fachada posterior

Voltada a Oeste, para um jardim em socalcos e planos inclinados, com três pisos separados por frisos e quatro panos, os extremos mais estreitos, centrados por corpo poligonal saliente em composição simétrica, divididos por pilastras.

No piso -1 do pano extremo da esquerda abre-se uma janela rectangular sob cornija, sendo o pano da direita cego, apenas marcado pelo embasamento; no piso 0 de ambos, uma janela de moldura em arco pleno com guarda de balaústres e no piso 1 uma janela cega com balaustrada.

Nos panos intermédios, o piso -1 possui uma porta-janela ladeada por duas janelas, todas de moldura rectangular filetada, encimadas por cornijas, a central mais elevada. No siso 0 abrem-se três portas-janelas, a central com varandim balaustrado sobre modilhões e as laterais com guardas de balaústres, encimadas por cornijas sobre cachorrada diminuta, que se ligam a um frontão que encima a janela central. No piso superior, duas janelas duplas rectangulares com mainel de coluna com capitel de volutas, a flanquear medalhão circular liso.

No corpo central abre-se uma porta no pano frontal, encimada por frontão, e janelas rectangulares nos panos laterais. O piso 0 é marcado por três portas-janelas em arco pleno, com varandim corrido de balaústres sobre modilhões e panos laterais extremos cegos. O piso 1 é um terraço com balaustrada sobre friso denteado para o qual se abre uma janela ampla a toda a largura do pano central.

Fachada lateral Norte

Composta por dois corpos, sendo o da direita saliente e tendo adossado o pequeno terraço que dá igualmente para a frontaria. O pano da esquerda é idêntico ao pano da esquerda da fachada principal e o corpo saliente é semelhante ao corpo extremo da fachada sul, possuindo no piso -1 duas janelas quadrangulares molduradas e sob o terraço uma porta rectangular. Do lado nascente, uma porta-janela em arco pleno abrindo para o terraço e no piso 1 uma janela cega com guarda de balaústres. Nos pisos 0 e 1 do pano central, as fenestrações são iguais às do mesmo corpo na fachada sul.

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BANDEIRA, Elsa Cristina Teixeira - Palacete do Torel, [texto policopiado] Dissertação de Mestrado em Reabilitação dos Interiores, ESAD/FRESS, Lisboa, 2013.

JORGE, Maria Júlia. “Sítio do Torel”, in Dicionário da História de Lisboa (dir. de Francisco Santana e Eduardo Sucena), Lisboa, Carlos Quintas e Associados, 1994, pp. 923-925.

Século XIX

1891 – construção do palacete para residência de Dª Guilhermina de Andrade Bastos, a par de um outro edificado para o irmão, o Dr. Júlio de Andrade, pelo arquitecto italiano Sebastião Locati. Eram filhos de um abastado negociante de Lisboa e irmãos do arquitecto Alfredo de Andrade, superintendente do restauro de monumentos antigos em Itália. O palacete foi construído num lote criado pela urbanização do sítio do Torel, após o incêndio que em 1875 destruiu o palácio setecentista do mesmo nome, então aforado a D. Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 2º marquês de Loulé.

Século XX

1989 – o palacete tornou-se sede da Juventude da Galiza, uma associação cultural dos galegos residentes em Lisboa.

CML: Arquivo de Obras, Proc. n.º 25087

Desenhos do projecto inicial assinados pelo Arquitecto Italiano Sebastião Locati em 1891.

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Desenhos do projecto de alterações de 1958.

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Desenho da fachada Oeste de 1985, com as alterações de 1958.

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Desenho da implantação do palçacete em 1891.

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Coordenação:   Isabel Mendonça  /  Helder Carita     Julho de 2014 

Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

Lina Oliveira – Arquitectura (Fachadas, Cronologia, Bibliografia) / Pintura Decorativa  / Decoração diversa

Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição) / Programa Interior

Programa Interior
Piso -1

Os pisos inferior e térreo na fachada poente correspondem actualmente a uma zona amplamente transformada. Através da documentação sabemos hoje que na zona norte ficava a cozinha, na zona nascente havia uma divisão destinada aos empregados e a Poente se situava a zona privada da família. A escada de aparato que comunica com os pisos superiores está localizada a Sudoeste.


Piso nobre (0)

A volumetria do terreno condiciona a compartimentação do andar nobre do palacete. Na zona nascente, o mesmo insere-se no piso térreo, tendo aqui a entrada principal, o vestíbulo, a copa com acesso directo da cozinha e a escada de aparato. Na zona poente situam-se as divisões intercomunicantes das salas de aparato. Inicialmente, além das varandas situadas na fachada poente, os topos norte e sul deste conjunto de salas eram rematados por dois alpendres, actualmente fechados. Para além da escada de aparato verificamos a manutenção da escada de serviço original que comunica igualmente com o piso inferior e superior.


Piso 1

O piso superior do palacete encontra-se hoje amplamente modificado, sendo excepção a escada de aparato e a escada de serviço. Este andar correspondeu a uma zona privada da família, outrora reservada para quartos com um terraço central, entretanto encerrado. Veja-se a reprodução das plantas originais.


Azulejaria
Estuques
Piso 0, Div 3
 Texto

Piso 0, Divisão 4
 Texto

Piso 0, Divisão 5
 Texto

Pintura Decorativa
Piso 0, divisão 1

Tecto em forma de cúpula pintado em policromia sobre fundo branco, tendo representado em cada pano triangular, emoldurado com finos elementos vegetalistas estilizados e com enquadramentos geométricos, um letreiro rectangular dentro de cartela envolvido por motivos ornamentais bebidos nos grotescos e pequenas aves naturalistas.


Piso 0, divisão 3

Tecto com pintura perspectivada de temática mitológica, num cenário de arquitectura clássica decorada com relevos decorativos historiados.


Piso 0, divisão 4

Tecto com pintura perspectivada de temática mitológica.

Pequeno tecto com painel octogonal com pintura perspectivada de temática mitológica representando três putti alados segurando uma coroa de flores, observados por outro putto junto de uma balaustrada fingida.


Piso 0, divisão 5

Tecto com pintura perspectivada de temática mitológica e alegórica, num cenário de arquitectura clássica.


Decoração Diversa
Piso 0, Divisão 1

Porta de madeira apainelada com almofadas e motivos circulares, com ombreiras superiormente recortadas, ladeadas por pequenos pingentes, encimada por cornija sobre pequenos modilhões à altura da sanca.

Chão revestido de embutidos largos geométricos polícromos, com pedras mármore e calcários brancos, cinzentos, negros, amarelos e vermelhos, centrado por grande círculo inscrito num octógono, circundado por oito trapézios com composições circulares.


Piso 0, Divisão 2

Escadaria com corrimão de madeira sobre guardas de ferro forjado com elementos esféricos, florais, volutas e arabescos e guarnecidas por maçanetas metálicas nos cantos.

Portas de madeira envidraçadas, com almofadas quadrangulares e elementos circulares.

Tecto com apainelados reentrantes, marmoreados, com molduras denticuladas e centrados por florão.


Piso 0, Divisão 3

Divisórias formadas por duas colunas e duas meias-colunas laterais de pedra mármore acastanhada, com anel central e capitéis campaniformes de folhas lanceoladas, encimadas por volutas cantonais, assentando sobre plintos altos de mármore branco, os centrais unidos por murete revestido por almofada marmoreada vermelha. A ladear as colunas, armação de aduela de porta de madeira com lintel encimado por duas volutas ladeando tarja rectangular sob uma cornija centrada por voluta.

Outra divisória formada por duas colunas soltas e duas pilastras de pedra mármore acastanhada, com anel central e capitéis campaniformes de folhas lanceoladas, encimadas por volutas cantonais, e assentando sobre plintos altos de mármore branco.

Lareira de mármore branco e rosa, flanqueada por duas meias-figuras femininas, com a função de cariátides, emergindo cada uma de sua estípite em forma de consola, decorada com folha recortada e inferiormente rematada por voluta revestida de escamas. As cariátides sustentam a grande pedra superior da lareira, que apresenta uma faixa recamada de folhagem centrada por uma pequena consola em voluta, decorada com folha sobre três gotas. Um frontão baixo de volutas, decorado com elementos vegetalistas estilizados, remata a lareira.

Espelho com moldura de toro almofadado, de recorte superior ladeado por pingentes e com pequenas volutas, encimado por friso de rosetas centrado por cartela recortada, enquadrada por volutas vegetalistas.

Chão revestido de parquet de madeira formando quadrados com as molduras sobrepostas em entrelaços nos cantos.  


Piso 0, Divisão 4

Divisórias formadas por duas colunas e duas meias-colunas laterais de pedra mármore acastanhada, com anel central e capitéis campaniformes de folhas lanceoladas, encimadas por volutas cantonais, e assentando sobre plintos altos de mármore branco, os centrais unidos por murete revestido por almofada marmoreada vermelha. A ladear as colunas, armação de aduela de porta de madeira com lintel encimado por duas volutas, ladeando tarja rectangular sob uma cornija centrada por voluta.

Tectos apainelados reentrantes com molduras sustentadas por modilhões em voluta.

Portas de madeira apaineladas com almofadas e motivos circulares, com ombreiras superiormente recortadas ladeadas por pequenos pingentes, encimadas por cornija sobre pequenos modilhões volutados.


Piso 0, Divisão 5

Divisórias formadas por duas colunas e duas meias-colunas laterais de pedra mármore acastanhada, com anel central e capitéis campaniformes de folhas lanceoladas, encimadas por volutas cantonais, e assentando sobre plintos altos de mármore branco, os centrais unidos por murete revestido por almofada marmoreada vermelha. A ladear as colunas, armação de aduela de porta de madeira com lintel encimado por 2 volutas ladeando tarja rectangular sob uma cornija centrada por voluta.

Outra divisória formada por duas colunas soltas e duas pilastras de pedra mármore acastanhada, com anel central e capitéis campaniformes de folhas lanceoladas encimadas por volutas cantonais, e assentando sobre plintos altos de mármore branco.

Tecto apainelado reentrante com molduras sustentadas por modilhões em voluta.

Chão revestido de parquet de madeira formando quadrados com as molduras sobrepostas em entrelaços nos cantos.


Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009