A Casa Senhorial

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Palácio Fronteira

Palácio Fronteira
XVIl
Portugal
Arquitectura

Inserido em ambiente semi-rural, na freguesia de São Domingos de Benfica. Encostado à mata de Monsanto, situa-se na extremidade noroeste do lote, com o perímetro hexagonal irregular, na intersecção da rua do Barcal com a rua de São Domingos de Benfica. A Este do pátio de recebimento situa-se o Jardim Formal e a Sul o jardim de Vénus e a mata.

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A morfologia do edifício assenta numa composição de três prismas, dois de desenho ortogonal regular, que correspondem ao edifício principal e ao volume situado à direita do pátio de recebimento, assumindo a continuidade deste volume um desenho irregular ou oblíquo, encostado ao limite do lote. Pelo interior deste, situa-se uma varanda terraço de desenho ortogonal, com acesso à capela, pelo piso nobre. O palácio integra dois pisos e cobertura de quatro, duas e três águas. O volume central corresponde a um corpo quadrangular rematado por três torreões evidenciados pelo recuo central das fachadas norte e oeste, na marcação das varandas. O volume situado à direita do pátio de recebimento é igualmente de dois pisos e desenho rectangular ortogonal.

Através do pátio de recebimento acede-se à entrada principal pelo alpendre que antecede a escadaria nobre situada no interior. O acesso ao piso nobre faz-se ainda por uma escada de serviço situada num saguão e numa escada de âmbito particular situada no corpo nascente. As divisões do piso térreo são praticamente todas ortogonais e intercomunicantes. No piso nobre, o espaço organiza-se pelo átrio de entrada, no cimo das escadas de aparato. Este espaço distribui a circulação para as varandas (uma destas actualmente fechada) e diversas divisões ortogonais referentes à zona de aparato, como gabinetes, sala grande, antigas antecâmaras e daqui para o volume a Este onde se situam os aposentamentos em que se integra o quarto de aparato do séc. XVIII. Pela sala grande e antecâmara acede-se à varanda-terraço com comunicação à capela.

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Voltada a Norte, para um amplo pátio rectangular de entrada, fechado por murete com gradeamento alto centrado por grande portão de ferro forjado, encimado por brasão-de-armas e firmado em grossos pilares decorados que suportam estátuas alegóricas, tendo em cada extremo um pequeno corpo cúbico da casa-do-guarda, guarnecido por pilastras e delimitado cunhais curvos, com duas faces vazadas por uma janela e uma porta rectangulares e coberto com telhado duplo. Ao do lado nascente adoça-se um corpo baixo corrido, com três largas portas de molduras rectangulares.

A frontaria compõe-se de três corpos: o central, reentrante, entre os dois torreões, em ligeiro avançamento, com dois pisos separados por friso. O pano central apresenta um esquema semelhante nos dois pisos, com composição estrutural serliana de três arcos levemente peralteados, suportados por colunas dóricas no piso térreo e jónicas, apoiadas sobre guardas de balaústres de pedra, no superior, intercalados por molduras quadrangulares preenchidas com óculos elípticos no piso zero e vazadas no andar nobre. Cria-se assim uma ”loggia” aberta nos dois pisos, localizando-se no seu interior, ao centro do piso térreo, uma escada de dois lanços simétricos unidos por pequeno patamar que dá acesso à porta principal de moldura pétrea, havendo mais duas, ladeando a escada, e outras duas nos panos laterais dos torreões, intercaladas por silhares de azulejos.

Os corpos dos torreões são delimitados por cunhais de dois registos: de cantaria rusticada ao nível do piso térreo e jónicos moldurados no andar nobre. No piso inferior abrem-se duas janelas de peito de moldura rectangular e no andar nobre duas janelas altas de sacada molduradas, com guardas de balaústres à face da caixa-murária.

O torreão esquerdo apresenta inferiormente uma fonte com tanque encimado por carranca.

Remate em entablamento sob os beirais dos telhados independentes a quatro águas, providos de várias chaminés altas.
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Fachada nascente

Antecedida por terraço corrido, com balaustrada de pedra e centrado por escada que acede ao jardim de buxo.

Repete o esquema compositivo da fachada principal, mas apresenta a ”loggia” fechada em ambos os pisos por portas e janelas de caixilhos envidraçados, e acrescenta de cada lado do pano central um pano estreito em ligeiro avançamento rasgado no piso térreo por janela de peito rectangular, encimada por moldura quadrangular vazada por óculo elíptico, uma janela de sacada com guarda de balaústres à face, encimada por pequena janela quadrangular. No rodapé e entre os vãos do piso térreo apresenta revestimento com painéis de azulejos figurativos polícromos.

Corpo poente

Desenvolve-se perpendicularmente à fachada principal, à qual se adossa por meio de um pano estreito à direita da mesma, onde se abrem duas janelas de sacada idênticas às do piso nobre dos torreões.

A fachada voltada ao pátio de entrada possui três pisos, sendo o térreo adossado à direita à casa-do-guarda e constituído por corpo avançado coberto com telhado de uma água, com quatro portas largas de moldura rectangular. No piso 1 abrem-se cinco janelas de moldura rectangular e no superior número igual de janelas quadrangulares, avultando uma pedra-de-armas na caixa murária.

A fachada norte, voltada ao largo de São Domingos de Benfica, à face da rua, com leve inclinação, possui dois pisos e é delimitada por cunhais de cantaria lisa, possuindo no piso térreo uma janela de peito de moldura em arco rebaixado com fecho saliente e, no piso superior, três altas janelas de sacada unidas por varanda com guarda de ferro forjado apoiada em mísulas volutadas e estriadas, e encimadas por cartelas decoradas sob cornijas, a central de lanços curvos e as laterais angulares, tangentes ao entablamento de remate.

A fachada poente, à face da rua do Calhau, apresenta um embasamento pouco saliente e escalonado, acompanhando o desnível acentuado do terreno, que sobe para Sul. Possui dois pisos e dois panos separados por pilastra, o da esquerda mais estreito com quatro janelas de moldura rectangular em ambos os pisos, as duas extremas do inferior mais pequenas, e no pano da direita uma janela rectangular e sete quadrangulares no piso térreo e nove rectangulares no superior.

Segue-se um corpo implantado obliquamente, que acompanha a curva e a pendente do arruamento, com três pequenas janelas abertas no embasamento e cinco janelas rectangulares ao nível do piso 1 do corpo anterior.
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AA.VV., Monumentos, Lisboa, Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº 7, Setembro de 1997.

AA.VV., Palácio dos Marqueses de Fronteira, Ficha IPA.00005598, Lisboa, IHRU, 1990/2001.

AZEVEDO, Carlos de – Solares Portugueses, Lisboa, 1969.

BARBOSA, Inácio Vilhena – Monumentos de Portugal, Lisboa, 1886.

BARRETO, D. José Trazimundo Mascarenhas – Memórias do Marquês de Fronteira e Alorna D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto ditadas por ele próprio em 1861, Lisboa, 1926/1932.

CASTELO-BRANCO, Cristina – Fronteira, An Analisys and Restoration Proposal for a Seventeenth Century Garden, dissertação de mestrado apresentada à Universidade de Massachussets, Boston, 1989.

CASTELO-BRANCO, Cristina – Os Jardins dos Vice-Reis, Lisboa, 1992.

CORREIA, Ana Paula Rebelo – “Estampa e Azulejo no Palácio Fronteira”, in Azulejo, nºs 3/7, Lisboa, 1995/1999, pp. .

MASCARENHAS, Fernando de – “Notas para uma análise estético-histórica dos painéis da Sala das Batalhas do Palácio Fronteira”, In AA.VV., Encontro Sobre História da Azulejaria em Portugal. Da passagem da monocromia seiscentista à azulejaria joanina, Lisboa, vol. II, 1991.

MECO, José – Azulejos de Lisboa. Lisboa, 1984.

MECO, José – Azulejaria Portuguesa, Lisboa, edições Alfa, 1985.

MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – “Os estuques decorativos do Palácio Fronteira e as oficinas de Lisboa na segunda metade de Setecentos”, in Portugal, a Europa e o Oriente. Circulação de artistas, modelos e obras, actas do colóquio realizado no Palácio Fronteira em Junho de 2010, no prelo.

MESQUITA, Marieta Dá – História e Arquitectura, uma proposta de investigação: o Palácio dos Marqueses de Fronteira como situação exemplar da arquitectura residencial erudita em Portugal, tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Arquitectura de Lisboa, 3 vols, Lisboa, 1992.

NEVES, José Cassiano – Os Jardins e o Palácio dos Marqueses de Fronteira, Lisboa, Ed. Quetzal, 1995.

QUIGNARD, Pascal – A Fronteira, Lisboa, 1992.

SIMÕES, J. M. Santos –Azulejaria Portuguesa do Século XVII, Lisboa, 1971.

STOOP, Anne de – Quintas e Palácios nos Arredores de Lisboa, Porto, 1986.

1665/1675 – edificação do palácio promovida por D. João de Mascarenhas, 1º marquês de Fronteira, como residência sazonal. Na obra terá sido englobada parte do núcleo inicial quinhentista, já existente em 1584, de acordo com lápide colocada na capela.

1668/1669 – visita a Portugal de Cosimo III de Medicis, Grão-duque da Toscânia, relatada pelo marquês de Corsini, que refere a arquitectura e a decoração dos jardins do palácio, ainda em construção.

c. 1670 – aplicação de azulejos na Galeria dos Reis, Terraço das Artes, Sala das Batalhas e Vestíbulo.

1673 – no inventário de partilhas por morte de D. Madalena de Castro, 1ª marquesa de Fronteira, o palácio é descrito como uma quinta nobre com um pátio de recebimento, tendo à direita a estrebaria com quatro casinhas pequenas, frontaria com colunas de pedra sob uma varanda, duas casas com duas janelas, cada uma a ladear uma fonte de água com uma carranca, a porta principal que vai para cima com duas arcadas de pedraria e o jardim.

1678 – o palácio estaria provavelmente concluído, de acordo com a descrição feita nesse ano por Alexis Colotes de Jantillet.

Séc. XVIII

1707/1709 – campanha de obras de iniciativa de D. Fernando de Mascarenhas, 2º marquês de Fronteira, relatada em diversas cartas de sua esposa, D. Joana de Toledo e Meneses: são referidas a obra do tanque então em curso, alterações na fonte e várias obras de manutenção.

1755 – após o terramoto, com a destruição do palácio da rua das Chagas, em Lisboa, os marqueses de Fronteira fazem do palácio da quinta de Benfica a sua residência permanente.

1765/1780 – obras promovidas por D. José Luís de Mascarenhas Barreto, 5º marquês de Fronteira, avaliadas a 11 de Agosto de 1780 pelo desembargador Salter de Mendonça, pelos juízes do ofício de pedreiro e carpinteiro, João dos Reis e Severino António de Almeida, e pelo mestre das obras do palácio, José Ferreira: o “quarto novo”, do lado poente, com 36 casas, uma abegoaria separada do dito quarto, um celeiro, duas cocheiras, duas casas na entrada do pátio com a forma de torrinhas, o gradeamento de ferro da entrada do pátio com as suas pilastras de pedraria e estátuas de chumbo e algumas casas estucadas nas paredes e tectos.

1771 – a obra de decoração da capela estaria pronta, como parece indicar a lápide situada no altar do lado do Evangelho; nesse ano teve lugar o casamento do 5º marquês com D. Mariana Josefa de Vasconcelos e Sousa, filha do 1º marquês de Castelo Melhor.

Último quartel – prolongamento da Galeria dos Reis, sendo então aí colocados os bustos de D. José, D. Maria e D. João V; construção do terraço diante das fachadas nascente e sul, obrigando a modificações no jardim e no seu lago.

1799 – nova campanha de obras, dirigida pela marquesa de Belas, por altura do casamento do 6º marquês, segundo relato de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (1802/1881), 7º marquês de Fronteira.

Séc. XIX

Início - transformações no Jardim Grande e no Jardim de Vénus, obedecendo ao espírito romântico da época; fecho das duas lógias da frontaria norte voltada ao pátio, e da lógia superior da fachada nascente, sobre o Jardim Grande.


Coordenação:   Isabel Mendonça  /  Helder Carita     Julho de 2014  

Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

Isabel Mendonça – Estuques

Lina Oliveira – Arquitectura (Fachadas, Cronologia, Bibliografia) Azulejaria / Pintura Decorativa

Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição) / Programa Interior

Programa Interior
Piso 0

O piso térreo corresponde a um conjunto de divisões ortogonais distribuídas pelo edifício primitivo e pelas divisões afectas a serviços, como cavalariças e cocheira, voltadas para o pátio de recebimento. No edifício principal, o conjunto das divisões circunda a escada de aparato de acesso ao piso nobre. São maioritariamente divisões intercomunicantes. Na zona oeste verificam-se dois corredores e dois acessos ao piso nobre. Uma escada de serviço, com dimensões muito reduzidas permite acesso às cozinhas pelo saguão e uma escada de teor privado que comunica com o corredor da zona oeste do piso nobre.



Piso 1

O piso nobre constitui-se essencialmente de divisões ortogonais intercomunicantes e apresenta dois corredores. O interior do conjunto distribui-se em três zonas, uma de aparato, uma privada e uma de serviços.

Na zona de aparato destaque para a sala grande ou das batalhas, a varanda onde actualmente se encontra a biblioteca, a sala dos painéis, as pequenas divisões das torres sul e norte, a varanda norte sobre o átrio e a Sala de Juno. Salienta-se a comunicação que a Sala das Batalhas e a Sala dos Painéis têm com o Terraço das Artes e a comunicação que este tem com a capela situada na extremidade sul do conjunto edificado.

A zona privada situa-se no corpo noroeste, sobre a cocheira e as cavalariças, resultado das obras de ampliação que o palácio recebeu no século XVIII.

A zona de serviços situa-se no corpo sudoeste e corresponde à zona das cozinhas e outras divisões de apoio a serviços, tendo aqui um extenso corredor que percorre toda a fachada poente, desde a capela até ao quarto de aparato. Este corredor é interceptado por outro de dimensões reduzidas.



Azulejaria
Piso 0, divisão 1

Azulejos de padrão formando lambril, em bicromia azul-cobalto e amarelo em fundo branco sobre rodapé azul esponjado com friso branco, temática de motivos florais e vegetalistas estilizados com entrelaços, inscritos em quadrilóbulos, cortados a meio nos painéis menores, acantonados de palmetas e envolvidos por barra de motivos ornamentais da mesma temática.


Piso 1, divisão 1

Azulejos de padrão formando silhares e revestindo intradorso de abóbada, em monocromia azul-cobalto em fundo branco, de temática floral (camélias) e vegetalista estilizada, compondo quadrículas, emoldurados por cercaduras de palmetas.


Piso 1 divisão 4

Azulejos de composição figurativa dispostos em oito painéis que formam lambril, bicromáticos, azul-cobalto e manganês em fundo branco, com a temática de batalhas da Restauração: Montes-claros, S. Miguel, linhas de Elvas, Montijo, Castelo Rodrigo, Arronches, Trás-os-Montes e Ameixial, com figuras e elementos topográficos identificados com pequenas legendas e as cenas descritas em letreiros envoltos em cartelas a ladear as composições, circundadas por barras com motivos ornamentais vegetalistas e geométricos, acantonados por carrancas.


Piso 1 divisão 9

Azulejos de padrão em bicromia azul-cobalto e amarelo em fundo branco, formando lambris de temática floral e vegetalista formando quadrículas, e cantoneiras, cercaduras e frisos com elementos florais estilizados e geométricos.


Estuques

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Piso 0, divisão 1

(Átrio) Paredes: dos lados da porta de acesso à escada principal, molduras ovais com bustos relevados de perfil sobre fundo amarelo pálido.

Tecto de um plano horizontal, compartimentado em três painéis; no central as armas da família rodeadas por moldura circular decorada por losangos com rosetas intercalados por flores de lis; nos painéis laterais urnas e finas grinaldas. Fundo liso em verde seco, amarelo pálido e cor de tijolo, relevos em branco, cor de tijolo e dourado. Estuques de gosto neoclássico, de c. de 1799, provavelmente realizados no âmbito das obras que aqui tiveram lugar antes do casamento do 6º marquês de Fronteira (Mendonça 2010).


Piso 1, divisão 1

(Caixa da escada) Paredes: acima de um silhar de azulejos, painéis moldurados separados por pilastras, decorados inferiormente por palmetas, plumas e concheados relevados; escudo com as armas da família sobre a porta de acesso à Sala das Batalhas; fundo liso com marmoreados de várias cores.

Tecto em masseira de cantos arredondados delimitada inferiormente por moldura composta paralela à sanca. No pano horizontal, duas molduras compostas concêntricas, a interior enquadrando um painel pintado sobre estuque, com a representação de Hércules, a exterior decorada por cartelas de concheados e plumas entrelaçados, ladeados por reservas de fundo reticulado. Nos panos oblíquos, reservas de contornos assimétricos com fundo reticulado alternam com cartelas de concheados centradas por grinaldas; nos quatro cantos, cartelas de concheados e plumas entrelaçados encimados por meninos ostentando flores. Uma fita enlaçada em folhagem corre os quatro panos, paralela à moldura exterior, unindo as cartelas dos panos maiores e dos cantos. Fundo liso em tons mate de verde e rosa; ornatos relevados em branco. Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).

Piso 1, divisão 2
(Biblioteca) Tecto em abóbada de berço redondo, com abóbadas semiesféricas nos topos. Faixas transversais compartimentam o tecto em cinco panos desiguais, alternando um maior e um menor; no pano central um medalhão circular composto por friso vegetalista; nos panos extremos o caduceu. Fundo liso verde seco e cinza claro, relevos a branco. Estuques de gosto neoclássico, de c. de 1799, provavelmente realizados no âmbito das obras que aqui tiveram lugar antes do casamento do 6º marquês da Fronteira (Mendonça, 2010).

Piso 1, divisão 4

(Sala das Batalhas) Paredes: acima de um silhar de azulejos, painéis emoldurados, de diferentes dimensões, intercalados por pilastras; friso de remate decorado por folhas de água; nos painéis alternam bustos figurando os representantes da casa de Fronteira e os seus ascendentes (nas sobreportas) com mascarões com argolas na boca (apoios para luminárias); no painel central da parede O. a figura equestre do 1º marquês, D. João de Mascarenhas, a quem se deve a construção do palácio (fal. em 1681); na parede N., começando pelo canto NE., os bustos de D. Manuel de Mascarenhas, governador de Arzila (fal. em 1545), de D. Fernando Mascarenhas (fal. em 1578) e de D. Manuel de Mascarenhas (fal. em 1612); na parede O., ladeando a representação equestre do 1º marquês de Fronteira, os bustos de D. Fernando de Mascarenhas, 1º conde da Torre (fal. em 1651) e de D. Fernando de Mascarenhas, 2º marquês de Fronteira (fal. em 1729); na parede S., os bustos de D. João José de Mascarenhas, 3º marquês de Fronteira (fal. em 1737), D. Fernando José, o 4º marquês (fal. em 1765) e de D. José Luis, o 5º marquês e encomendador da obra de estuque; na parede E. os bustos de D. Francisco de Mascarenhas, 1º conde de Coculim (2º filho do 1º marquês de Fronteira) e de D. Fernão Martins Mascarenhas, senhor de Lavre.

Tecto em forma de masseira com os cantos arredondados, delimitada inferiormente por moldura composta paralela à sanca. No pano horizontal duas molduras compostas concêntricas, de diferente perfil mistilíneo: a moldura interior, que serve de apoio a uma balaustrada, enquadra uma cena alegórica representando um guerreiro vitorioso, com dois prisioneiros acorrentados aos pés, rodeado por material bélico e por sete meninos esvoaçantes tocando trompas com flâmulas, apregoando a fama da casa dos marqueses de Fronteira; sobre a balaustrada, nos lados maiores, um mocho e um galo; entre as duas molduras palmetas, cartelas e enrolamentos florais. Os panos oblíquos são compartimentados por composições de carácter arquitectónico com volutas laterais e cornijas mistilíneas, centradas por pedestais preenchidos por reticulados; nos lados menores, os pedestais são encimados por alegorias à Paz (uma figura feminina coroada por pomba e empunhando um ramo de oliveira, sentada numa panóplia de armas) e à Guerra (um guerreiro com elmo emplumado, com elmo e lança, igualmente rodeado por panóplia de armas, ladeado por menino segurando uma coroa de louros), enquanto que, sobre as cornijas, cornucópias da abundância derramam frutos; nos panos maiores, aos pedestais sobrepõem-se alegorias à Fama: meninos tocando instrumentos musicais dos lados de um vaso florido apoiado num balcão de onde pende um teliz; nos cantos repetem-se idênticas alegorias à Fama: figuras aladas tocando trombetas, ladeadas por troféus militares, encimadas por ovais com bustos com legendas, amparados por meninos, representando antepassados da casa Fronteira, que se distinguiram pelos seus feitos militares: D. António Manuel de Mascarenhas, D. Gil Eanes de Mascarenhas, D. Filipe de Mascarenhas e D. Francisco de Mascarenhas. Paralelo à sanca, um friso de rosetas; nos cantos, palmetas, a que se sobrepõem cartelas de concheados; estes mesmos motivos e ainda plumas, pedúnculos foliares e motivos auriculares preenchem o fundo dos panos. Fundo liso em tons mate de verde e rosa; ornatos relevados em branco e dourado.

Um restauro realizado em 1915 encontra-se assinalado em cartela colocada na sanca do lado O.: “Mandada restaurar em 1915 com especial interesse por D. Leonor Maria de Mascarenhas e António José de Ávila, 2º marquês de Vila e Bolama, que herdaram esta com a sua prima coirmã, D. Maria Mascarenhas Barreto, 8ª marquesa de Fronteira e 6ª marquesa de Alorna”.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).


Piso 1, divisão 5

(Sala de Música ou Sala dos Painéis) Paredes: acima de um silhar de azulejos, painéis de grandes dimensões intercalados por painéis mais estreitos, enquadrados inferior e superiormente por dinâmica conjugação de volutas, concheados e pedúnculos foliares; nos painéis menores estão suspensos instrumentos musicais; os maiores enquadram retratos a óleo; nas paredes S., N. e E., sobreportas com molduras de concheados, com pássaros e cestos floridos.

Tecto em abóbada de esquife enquadrada por sanca moldurada. No pano horizontal, duas molduras concêntricas organizam a composição: a exterior rectangular e decorada por hastes com folhas enroladas, a interior ovalada, centrada por lira com grande sol radiante no topo rodeada por um turbilhão de elementos foliares assimétricos, plumas e hastes. Nos panos laterais e nos cantos medalhões circulares organizam a composição, alternando com telas pintadas; dentro dos medalhões cartelas compostas por concheados de perfil assimétrico, centradas por flores nos cantos, por flores e pássaros nos lados maiores. Relevos em branco e dourado sobre fundo liso em tons pastel de azul e rosa; um restauro recente pôs a descoberto o fundo original amarelo torrado e com listas em tons rosa e azul esverdeado.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010). [ATT: retirar a 1ª imagem que corresponde ao átrio do r/c]


Piso 1, divisão 6
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Piso 1, divisão 7

(Sala dos quatro elementos) - Tecto em abóbada de esquife rodeada por sanca moldurada. No pano central, uma moldura composta, de traçado oval, centrada por ornatos encadeados em turbilhão: fitas, concheados simples e elementos flamíferos, de onde pendem cachos de uvas e espigas no eixo longitudinal, flores no eixo transversal, cestos, tochas, um balde e uma gaita de foles nos eixos diagonais. Os panos laterais são percorridos por cornija movimentada apoiada em mísulas perspectivadas, sobre as quais assentam vasos floridos; abaixo da cornija, nos dois eixos, vasos floridos ladeados por pássaros; nos cantos, pinturas representando paisagens. Concheados sobrepõem-se às molduras e preenchem os fundos. Fundo liso em azul, amarelo e rosa pálidos, relevos a branco.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).


Piso 1, divisão 8

(Sala de Eros) - Tecto em abóbada de esquife rodeada por sanca moldurada. No pano central, uma moldura composta, de traçado oval, centrada pela figura de Cupido de olhos vendados, com o arco na mão e o carcaz às costas; paralelo à moldura um encadeado de concheados, pedúnculos foliares e ornatos em “C”, onde se empoleiram pássaros, entre os quais se distingue um mocho. Nos panos laterais, cartelas de fundo liso alternam com zonas densamente preenchidas com concheados e elementos vegetalistas. Fundo liso em azul e amarelo pálidos, relevos a branco.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).


Piso 1, divisão 9

(Sala das quatro estações) - Paredes: acima de um silhar de azulejos, painéis pintados com paisagens enquadrados por molduras com volutas, concheados, elementos foliares e flamíferos.

Tecto de um plano horizontal circundado por sanca moldurada. Uma moldura composta, de traçado ovalado, centra a composição; paralela à moldura um encadeado de concheados, fitas e flores e a meio um feixe de elementos vegetalistas atados por fitas. Nos cantos pinturas com alegorias às 4 estações, em medalhões ovais enquadrados por ramos atados de loureiro e de roseira; paralelas à sanca pinturas com paisagens, enquadradas por molduras lisas. Fundo liso em azul e rosa pálidos, relevos a branco.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).

Piso 1, divisão 10

(Quarto de aparato) - Paredes: acima de um silhar de azulejos a decoração está compartimentada em panos separados por pilastras; pinturas de carácter mitológico nas sobreportas e num painel entre as 2 portas da parede S., emolduradas por fita envolvida por concheados, palmetas, volutas, pedúnculos foliares e flores; destaca-se o painel figurando os três ciclopes forjando o raio, o relâmpago e o trovão que permitiram a Zeus apoderar-se do trono celeste; as pilastras são também divididas em painéis e decoradas por palmetas, fitas enlaçadas e bustos coroados de louros em grisalha.

Tecto em abóbada de esquife, apoiada em sanca moldurada. No pano central uma cena pintada, figurando a queda de Faetonte fulminado por Zeus, envolvida por moldura composta percorrida por friso de folhas de água. Nos panos laterais cartelas de concheados densos ladeadas por reservas reticuladas, centradas por pinturas alusivas às artes e às ciências, representadas por meninos com emblemas, nos cantos e a meio dos lados maiores; o espaço entre as cartelas é preenchido por molduras simples, grinaldas e fitas enlaçadas por pedúnculos foliares enrolados e por concheados. Fundo liso amarelo e laranja, marmoreado (pilastras), relevos a branco.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira entre 1765 e 1780 (Mendonça 2010).

Piso 1, divisão 11

(Capela) - De planta em cruz latina, é integralmente revestida de estuques, bem como a sacristia e uma pequeníssima capela dedicada à Paixão de Cristo, dos dois lados da capela-mor.

Nave - Paredes: sobre a porta de entrada um painel de perfil losangular envolvido por duas fiadas de concheados contracurvados semeados de flores com emblema mariano a meio figurando a Porta do Céu; na luneta, abaixo da abóbada, cartela de concheados e pedúnculos vegetalistas, centrada pela Torre de David; nos alçados laterais arcos semicirculares enquadram telas pintadas; o extradorso e o intradorso dos mesmos é decorado por enrolamentos de flores e concheados.

Tecto em abóbada de berço redondo, delimitada inferiormente por sanca moldurada. Dois arcos torais decorados por frisos de folhagem enquadram lateralmente o tecto, centrado por moldura oval composta sobre pilastras perspectivadas; a meio da composição um menino alado segura, com uma mão, uma coroa de estrelas sobre as iniciais marianas entrelaçadas, com a outra uma das flores de uma cartela de plumas e concheados que envolve as inicias coroadas; entre as pilastras, cartelas de concheados e ramos floridos centradas pelo Sol e pela Lua, outros 2 emblemas marianos. O cruzeiro é coroado por pequena abóbada de barrete de clérigo sobre planta rectangular, vazada por lanternim; cartelas de concheados enquadram emblemas marianos e cristológicos: Arca de Noé, Nave do Céu, Poço da Sabedoria, a Cruz e a Coroa de Espinhos.

Transepto - Paredes: nas sobreportas painéis centrados por cartelas de concheados flamíferos, intercalados por flores, com pedestais de reticulado onde se apoiam emblemas marianos e cristológicos: o Livro e o espelho, um turíbulo, uma píxide, um vaso, um ramo de rosas, a caveira e o Livro; sobre os vãos dos altares: enrolamentos de hastes floridas, concheados e plumas; estes motivos repetem-se no intradorso dos arcos onde se inscrevem os altares; na parede do fundo dos 2 altares nichos perspectivados, decorados exteriormente por grinaldas de flores, interiormente por concheados.

Tecto em abóbada de berço, com cartelas centradas por emblemas marianos e cristológicos: a estrela, a cruz e o Livro.

Capela-mor - Paredes: no 1º tramo, sobre os arcos laterais, painéis envolvidos por concheados com a arca da aliança, do lado do Evangelho, o cordeiro místico do lado da Epístola; no 2º tramo, nas paredes laterais e rodeando o retábulo, concheados entrelaçados com ramagens floridas, intercalados por tochas ardentes; o retábulo é coroado por frontão em estuque com o símbolo da Santíssima Trindade no tímpano, no meio de um resplendor rodeado por nuvens com cabeças de anjinhos.

Tecto em abóbada de berço redondo ladeada por arcos torais, decorados por frisos de folhagem; a meio da abóbada uma moldura circular enquadra a pomba do Espírito Santo, no meio de um resplendor de raios atravessando as nuvens; dos lados, no eixo transversal, dentro de molduras, cartelas de concheados e ramagens floridas, centradas por emblemas eucarísticos: o cacho de uvas e o feixe de espigas.

Sacristia - tecto em abóbada de berço com painel central moldurado, decorado com concheados e hastes floridas com fita central pendente; plumas e cartelas de concheados nos espaços laterais; na luneta abaixo da abóbada, uma cruz de troncos podados.

Capela da Paixão - de pé direito muito baixo, sugerindo uma gruta de paredes vazadas por nichos onde se inscrevem pequenas esculturas com os Passos da Paixão de Cristo, é coberta por tecto em abóbada rebaixada com os símbolos da Paixão dentro de cartelas de concheados: o pano da Verónica, a coroa de espinhos, o azorrague, os cravos.

Fundo liso em rosa, azul pastel e marmoreados de tonalidades camurça, relevos em branco e dourado.

Estuques de gosto rococó realizados na campanha de obras de decoração realizada pelo 5º marquês de Fronteira, c. de 1771, segundo data inscrita no altar do transepto do lado da Epístola (Mendonça 2010).


Pintura Decorativa

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Piso 1, divisão 1

Pintura central do tecto a representar Hércules.

Apainelados das paredes com fundos pintados de marmoreados e esponjados em azul, cor-de-rosa e amarelo.


Piso 1, divisão 5

Sobreportas e sancas guarnecidas com painéis pintados com paisagens campestres, fluviais e marinhas.


Piso 1, divisão 6

Pinturas murais em sobreportas, sobrejanelas e tecto, polícromas e em grisalha, com cenas de temática mitológica, grutescos, anjos, grinaldas, ranmalhetes, putti, e pássaros, inscritos em molduras arquitectónicas e vegetalistas com formas circulares, elípticas e poligonais.


Piso 1, divisão 3
Texto

Piso 1, divisão 7

Sobreportas e cantos da sanca pintados com painéis de temática paisagística campestre e fluvial, incluindo ruinas e embarcações.


Piso 1, divisão 9

Pintura de motivos paisagísticos, caçadas e cenas galantes em painéis parietais rectangulares e a circundar o tecto, onde surgem igualmente medalhões pintados com putti que representam deuses da Mitologia.


Piso 1, divisão 10

Painéis parietais, sobreportas, tectos e sancas pintados com temática mitológica alusiva à história de Mercúrio, e medalhões com bustos de feição clássica em grisalha.


Piso 1, divisão 11

Pinturas parietais lisas em azul e cor-de-rosa e marmoreados em vermelho, amarelo e castanho.


Decoração Diversa
Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009