A Casa Senhorial

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Palácio do Correio Mor

Palácio do Correio Mor
XVIII
Portugal

Manuel da Costa Negreiros (arquitecto); João Grossi (estucador); Bartolomeu Antunes (pintor de azulejos); José da Costa Negreiros (pintor decorador); José da Conceição Pinto (estucador)


Arquitectura

Inserido em ambiente rural, situa-se fora de Lisboa, no concelho de Loures. O seu acesso faz-se pela estrada nacional 8, sentido Loures – Malveira. Situa-se numa zona baixa do vale, sendo o corpo sul encostado à volumetria do terreno. O edifício tem a sua orientação Nascente – Poente, com a entrada de aparato a Este e o Jardim a Oeste.

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A morfologia do edifício assenta numa composição de um prisma rectangular regular em “U” com pátio-de-recebimento, hoje encerrado por gradeamento. As três faces exteriores do volume em “U” integram acrescentos. O corpo sul integra a Sudoeste o pequeno corpo da capela e uma torre sineira. O corpo oeste, voltado para o jardim, integra num grande volume a escada de aparato em torno da sala vaga e o acesso ao jardim por ponte. Salienta-se a elevação do volume da sala vaga na volumetria exterior. O corpo norte tem no topo sul uma largura superior ao seu corpo longitudinal, e é adossado por dois pequenos volumes, destinados a acessos ao exterior, arrumos e serviços.

A organização interior distribui-se por zona de aparato no piso 2, zonas particulares no piso 1 e zonas de serviços no piso térreo. A escadaria nobre situa-se a eixo do conjunto edificado com uma escadaria escalonada em “E”, com lanços e patamares rectos. A restante comunicação faz-se por escadas de serviço situadas nas extremidades dos corpos laterais.

A Sul da escada nobre situa-se a cozinha, cujo pé-direito alcança o piso 1. No seguimento deste corpo, para Este, localizam-se diversos armazéns e divisões, algumas destinada às cocheiras, semienterradas no terreno, sendo excepção a ultima divisão no topo Este. A esta, antecede um lanço de escada com patamar comunicante no piso 1, seguindo para o piso 2. O corpo sul integra, nos pisos 1 e 2, um conjunto de divisões intercomunicantes de desenho ortogonal e oblíquo. O piso 1 terá sido ocupado por uma zona particular e o piso 2, destinado à zona de aparato, volta-se para o pátio-de-honra com as divisões com janelas de sacada e para um jardim terraço a Sul, com janelas de peito e acessos directos.

A Norte da escada nobre, situam-se, no piso térreo, os serviços que incluem uma adega, e um lagar. No seguimento deste corpo longitudinal situam-se as cavalariças e duas grandes divisões ortogonais, uma rectangular, no topo nascente, e outra quadrangular. Neste mesmo corpo, os pisos 1 e 2 encontram-se actualmente alterados, devido a uma intervenção dos anos 70 do século XX.

O piso nobre, situado no piso superior corresponde a um conjunto de divisões de aparato intercomunicantes, desenvolvidas entre o corpo Sul e o corpo Poente. Por sua vez, corpo Norte que hoje se encontra alterado, terá sido uma zona particular do palácio, destinado aos aposentos da família.


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Fachada principal

Três corpos enquadram o pátio quadrangular de entrada, fechado por murete gradeado com três portões de ferro forjado, o central maior entre dois pilares, rematados por frontão de lanços curvos com pedra-de-armas.

Frontaria voltada a Nascente, com cinco panos divididos por pilastras rematadas por fogaréus, em composição simétrica, os três centrais com dois pisos. Ao meio uma fonte com tanque inscrita num arco em asa-de-cesto sob espaldar contracurvado almofadado e vazado por tetralóbulo, ladeada por dois portais em arco pleno. No piso 1, três janelas de sacada, as laterais em arco rebaixado e a central de lanços curvos, encimada por cornija contracurvada, interrompendo a linha do beiral, todas unidas por varanda com guarda de ferro forjado sobre mísulas volutadas. Sobre o beiral há uma empena de lanços, lateralmente curvos, tendo ao centro uma edícula com a imagem de Nossa Senhora da Oliveira, envolta em decoração vegetalista.

Os panos laterais têm embasamento pouco saliente e fenestração distribuída por três pisos, o último separado por friso: no inferior, três óculos elípticos de moldura lobulada, tendo a eixo janelas rectangulares; no superior, três janelas altas de sacada, rectangulares, com varandins de ferro forjado sobre mísulas, encimadas por tabela perfilada e cornija angular. Remate em cornija sob beiral.

Fachadas dos corpos laterais voltadas ao pátio

São idênticas entre si, com vãos semelhantes aos dos panos laterais da frontaria, mas, no piso inferior, aos dois óculos lobulados somam-se seis portas: as extremas de moldura rectangular, as seguintes em arco rebaixado, inscritas em panos estreitos divididos por pilastras rematadas por pinhas, tendo a eixo uma janela de moldura recortada com o mesmo perfil e, sobre a janela de sacada que a encima, uma cornija curva; do lado interno destes panos abre-se outra porta em arco rebaixado.

Fachadas dos topos voltados a nascente

Delimitadas por cunhais de cantaria, com quatro janelas em cada piso: rectangulares nos dois primeiros, as inferiores gradeadas, e de sacada no superior, idênticas às da frontaria.


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Fachada Norte

Constituída por dois corpos escalonados. O 1º saliente, delimitado por cunhais, com três pisos - no térreo, uma janela rectangular gradeada e duas transversais; no piso 1, três janelas rectangulares e, no superior, duas janelas de sacada iguais às da frontaria. Pano voltado a Oeste com construção adossada ao piso inferior e, no superior, duas janelas rectangulares. O 2º corpo é recuado e corrido, tendo no piso térreo corpo avançado com duas janelas quadrangulares, delimitado por cunhais e coberto por telhado a uma água; no piso 1 rasgam-se sete janelas rectangulares e no superior cinco janelas transversais sob a cornija. Sobre o telhado existe uma trapeira.


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Fachada Poente

Apresenta vários corpos escalonados. No extremo, três janelas rectangulares e gradeadas, rentes ao chão, seguindo-se cinco janelas rectangulares e no último piso outras cinco altas e um registo de azulejo figurativo religioso. Segue-se um corpo saliente que na fachada Norte tem uma janela rente ao chão; no 1º piso uma janela rectangular e, no 2º, quatro janelas altas em arco rebaixado. Sobre o telhado um corpo vazado por janelas elípticas de moldura lobulada. A fachada poente, com embasamento pouco saliente acompanhando o declive do terreno, tem uma composição simétrica centrada por um passadiço elevado sobre um arco de asa-de-cesto apoiado em pilastras; no piso térreo, duas portas em arco deprimido recortado e perfilado rematado em cornija, tendo de cada lado uma janela rectangular gradeada; no piso 1, cinco janelas de peito rectangulares, a central sob o arco do passadiço; no piso superior, duas janelas em arco rebaixado ladeiam a porta-janela que abre para o passadiço, de igual moldura. Remate em cornija sob a qual se abrem duas janelas transversais, elevando-se em frontão sobre o vão central. Na fachada sul deste corpo há duas janelas rectangulares no piso 1 e quatro janelas em arco rebaixado no piso 2.

Segue-se corpo recuado, tendo a Oeste quatro janelas rectangulares em cada piso e, ao centro, um registo de azulejo; na fachada sul, uma janela rectangular gradeada. Outro corpo mais recuado possui, na sua face poente, duas janelas rectangulares gradeadas em cada piso.

O corpo da capela, delimitado por cunhais lisos, é cego do lado norte e tem um óculo diminuto a Poente, encimado por cruz de pedra em relevo, rematado por frontão contracurvado com volutas laterais sobre a cornija.


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Fachada Sul: 

A torre sineira tem piso inferior cego, delimitado por cunhais lisos, e o superior, com cunhais almofadados, é constituído pelas sineiras em arco pleno moldurado. Remate em cornija e cobertura em coruchéu tronco-piramidal acantonado por pináculos de pinha. Segue-se corpo baixo com piso único coberto com telhado de uma água, onde se abre uma porta rectangular e uma janela transversal. O corpo da entrada da capela é guarnecido por pilastras que ladeiam os cunhais curvos, rematados por pináculos, e possui entablamento. Na face nascente abre-se um portal de arco de lanços curvos e fecho decorado, sob cornija em cortina, encimado por óculo elíptico, sob cornija contracurvada perfilada. Remate em frontão curvo encimado por cruz de ferro sobre plinto.

Corpo corrido voltado ao jardim de buxo, de piso único onde se abrem uma porta e duas janelas em arco rebaixado encimadas por óculos elípticos que interrompem a linha da cornija e do beiral, intercaladas por pequenos registos de azulejos e ainda duas pequenas janelas transversais.

O corpo extremo é de piso único, delimitado por cunhais de cantaria lisa, rematados por pináculos, com uma porta em arco rebaixado sob cornija.

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AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de – Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 1963.

AZEVEDO, Carlos de – Solares Portugueses. Introdução ao estudo da casa nobre, Lisboa, Livros Horizonte, 1988.

BERGER, Francisco José Gentil – Lisboa e os arquitectos de D. João V. Manuel da Costa Negreiros no estudo sistemático do barroco joanino na região de Lisboa, Lisboa, Edições Cosmos, 1994.

MACHADO, Cirillo Volkmar – Collecção de Memórias relativas às vidas dos pintores, e escultores, architectos, e gravadores portuguezes, e dos estrangeiros, que estiverão em Portugal (...), Lisboa, Imprensa de Victorino Rodrigues da Silva, 1823.

MECO, José – Azulejaria Portuguesa, Lisboa, Edições Alfa, 1989.

MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – “Estuques decorativos em palácios da região de Lisboa: encomendadores, artistas e fontes de inspiração”, in Casas Senhoriais Rio-Lisboa e seus interiores (dir. de Marize Malta e Isabel Mendonça), Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lisboa, Instituto de História da Arte da FCSH-Universidade Nova de Lisboa e Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, 2014, pp. 175-201.

NOÉ, Paula – Palácio do Correio-Mor, ficha IPA.00006303, IHRU, 1991. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6303.

TAMAGNINI, Matilde Pessoa de Figueiredo – “Palácio do Correio-Mor em Loures”, in revista Belas Artes, nº 31, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1977, pp. 101-122.

VAZ, Maria Máxima – Património Histórico-Artístico, Loures Tradição e Mudança - I Centenário da Formação do Concelho 1886 – 1986, vol. 1, Loures, 1986, pp. 87-136.


Século XVII

1606 – Luís Gomes da Matta, proprietário de uma quinta nos arredores de Loures, foi investido no cargo de correio-mor do reino.

Século XVIII

1735 – o 9º correio-mor, José António da Matta de Sousa Coutinho (1718/1790), deu início às obras do actual palácio, integrando casas anteriores que correspondem à ala sul.

1744 –  data inscrita na torre, uma possível alusão à conclusão das obras da capela.

Antes de 1790 –  campanha de obras no palácio, então propriedade de Manuel José da Matta de Sousa Coutinho, último correio-mor. Após a reincorporação do cargo na Coroa,  foi nobilizado com o título de conde de Penafiel.

O palácio esteve alugado até 1812.

Século XIX

1833 – no palácio estiveram albergados soldados feridos na guerra civil. Foram então realizada algumas obras de melhoramento: pintura do tecto da sala do brasão, pinturas em painéis e sobreportas e restauro de azulejos.

1859 – a propriedade passou para Maria Assunção da Matta Sousa Coutinho, filha de Manuel José de Sousa Coutinho, casada com um diplomata brasileiro.

1871 – execução de estuques nas paredes da sala de música pelo estucador de Viana do Castelo, José da Conceição Pinto (retirados no restauro de 1967).

1875 – a propriedade foi vendida a Quirino Luís António Lousa e a sua filha, Filipa Maria Lousa Canha, casada com José Baptista Canha, que empreenderam algumas obras de conservação.

Século XX

1961 – morte de Maria da Assunção Lousa Canha, que representava a família proprietária.

1966 – compra do palácio por Miguel Quina que empreendeu a total restauração do edifício, conforme projecto do arquitecto Francisco Gentil Berger.

1975 –  interrupção dos trabalhos de restauro, a seguir à nacionalização da propriedade.


ANTT, Feitos Findos – Inventários Post-mortem, Letra J, Maço 499, nº 3

Inventário que se faz dos bens que ficaram do Ilustríssimo Correio-mor do Reino, José António da Mata de Sousa Coutinho, o qual se continua com a viúva sua mulher, a Ilustríssima e Excelentíssima Dona Joaquina da Câmara, por lhe ficarem filhos menores e se achar na posse dos bens como cabeça de casal.

1793 – 1795 São referidos os seguintes palácios: palácio da Rua Direita de São Mamede, Lisboa; palácio na Rua de Dom Prior, em Lisboa; e palácio da Quinta da Mata, Loures.

Coordenação:   Isabel Mendonça  /  Helder Carita     Julho de 2014  

Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

Isabel Mendonça – Estuques

Lina Oliveira – Arquitectura (Fachadas, Cronologia, Bibliografia) Azulejaria / Pintura Decorativa / Decoração diversa

Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição) / Programa Interior

Programa Interior
Piso 0

O piso térreo agrega um conjunto de divisões maioritariamente ortogonais e intercomunicantes, interrompidas pelo vestíbulo situado a eixo do pátio de recebimento no corpo Poente. O vestíbulo, cujo pé direito alcança o piso 1, separa o conjunto edificado em duas alas, uma a Sul e outra a Norte.

Os serviços situados na ala Norte correspondem a cavalariças, adega, lagar, armazéns e cocheiras. Na ala Sul situa-se a cozinha no alinhamento da adega e diversas divisões destinadas a serviços, como cavalariças e cocheiras (da primeira edificação do conjunto) e ainda despensas para a cozinha. Estas comunicam directamente com o pátio-de-recebimento. A cozinha e a adega comunicam com o vestíbulo.

Os acessos nobres ao piso superior correspondem à escadaria de aparato a Poente, numa articulação de escadaria bifurcada em “E” com patamares rectangulares e lanços rectos com tecto em abóbada. Os acessos secundários, privados ou de serviços, situam-se nas extremidades dos corpos Sul e Norte. Importa salientar a escada privada, situada no topo nascente do corpo Sul, pela semelhante plasticidade espacial que esta tem com a escadaria de aparato. Esta escada particular corresponde a uma estrutura primitiva da primeira edificação do conjunto, que corresponde hoje ao corpo Sul.


Piso 1

Este piso mantém a particularidade já referida no piso térreo, de estar fisicamente separado em dois corpos pelo vestíbulo central e a escadaria de aparato que comunica unicamente com o piso 2 (Nobre). A designação atribuída a este piso varia entre primeiros mezaninos e entressolhos, sendo esta ultima maioritariamente reservada à zona de serviços.

Interessa referir que este piso foi largamente intervencionado na década de 70 do século XX, alterando significativamente a configuração espacial, em particular, no corpo Norte e no topo Poente do corpo Sul.

O corpo Sul corresponde a um conjunto de divisões assimétricas, de traçado irregular e oblíquo, sendo excepção a divisão situada no topo Nascente do corpo. Esta divisão mantém as conversadeiras nas suas janelas de peito. Este piso terá sido ocupado por uma zona mista, de serviços (com quartos de criados) e uma zona particular para uso da família.

O corpo Norte corresponde a um conjunto de quartos e aposentos para familiares. No entanto são notórias as intervenções aqui realizadas no século XX. Apresenta actualmente, um conjunto de divisões de desenho ortogonal que comunicam com um corredor longitudinal junto ao alçado Norte do corpo Norte e um outro corredor central e na zona Poente.


Piso 2

O andar nobre situado no último piso do conjunto edificado é composto por um vasto conjunto de divisões intercomunicantes dispostas em torno do volume do edifício em “U”.

No topo Poente do corpo Sul, situa-se a capela e torre sineira. A eixo do conjunto, situa-se a caixa de escadas em torno da sala vaga. A sala vaga comunica com o Jardim a Poente e com o salão central do Piso Nobre. A organização espacial do andar nobre do palácio pode ser dividida em três corpos, um a Poente, um a Sul e outro a Norte.

As divisões situadas no corpo Poente correspondem a um conjunto de salas de grande dimensão, amplamente decoradas por estuque, azulejaria e pintura decorativa integrada na decoração aplicada.

O corpo Sul integra a zona mais antiga do palácio. As divisões, situadas em torno dos alçados do corpo, são intercomunicantes e de configuração ortogonal ou oblíqua. Ao centro deste situam-se um conjunto de pequenas divisões que terão pertencido a zonas de serviços do palácio. Pelo alçado Sul, no alinhamento da escada de âmbito privado existe um acesso directo ao jardim terraço situado na zona Sul.

As divisões de aparato neste corpo situam-se junto ao alçado Norte e a decoração aplicada corresponde a revestimentos de painéis de azulejaria de albarradas e tectos de madeira em maceira. No topo Nascente situa-se a sala de jantar, amplamente decorada com painéis de azulejaria nas paredes ao nível do lambrim, tendo o seu tecto em maceira de madeira pintada com cenas campestres de temática mitológica. Imediatamente antes desta divisão situa-se a copa de exposição das pratas de mesa.

O corpo Norte, de divisões intercomunicantes e com um acesso oriundo do piso 1, corresponde à campanha de obras que o palácio teve na década de 70 do século XX. A única divisão que entendemos ser completamente original situa-se no topo Nascente deste corpo, no alinhamento longitudinal do corpo. O alçado posterior do topo Nascente tem ainda uma escada exterior de comunicação com o piso térreo.


Azulejaria
Piso 0, divisão 1

Painéis de figura avulsa monocromáticos, azul-cobalto em fundo branco, tendo superiormente pendentes peças de carne e peixes em manganês e azul-cobalto; guarnição de cercadura lanceolada com enquadramento marmoreado. Na chaminé, grande painel de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, representando quatro cozinheiros a prepararem uma refeição numa cozinha com mesas, armários e vários utensílios, vendo-se no chão alguns roedores a comerem restos de alimentos; guarnição formada por barra recortada com elementos arquitectónicos, festões atlantes e cartelas; aos lados do painel pende um boi e um veado em azulejos recortados. Sobre a porta um painel de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, com representação do desmancho de um porco suspenso de uma armação; guarnição formada por barra recortada com volutas, cartelas e concheados; aos lados do painel pendem peixes e peças de carne cozinhada e de caça em azulejos recortados azul-cobalto e manganês. Azulejos da 1ª metade do século XVIII.


Piso 2, divisão 1

Lambrins de azulejos marmoreados monocromáticos amarelos.


Piso 2, divisão 3

Grandes painéis de composição figurativa monocromática em azul-cobalto sobre fundo branco, formando lambril de temática alusiva às “Idades do Homem” posta em paralelo com a vida de um navio, desde a sua construção. Guarnição superiormente recortada com elementos arquitectónicos, sanefas, urnas, flores, putti, volutas vegetalistas, máscaras e concheados. Inferiormente corre friso de azulejos marmoreados amarelos, pontuados por flores em azul. Nos cantos, pequenos painéis em azul-cobalto com putto alado segurando pilastra decorada com volutas de forma auricular e motivos florais, encimada por urna recortada. Azulejos da 1ª metade do século XVIII.


Piso 2, divisão 4

Painéis de composição ornamental polícroma, vegetalista e floral, centrados por registos de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, onde estão representadas cenas de caçada, música, repouso e passeio, com guarnição de volutas vegetalistas, concheados, cornucópias, cestos e vasos floridos e frutados, asas, máscaras e festões. Nos cantos e entre portas, pequenos painéis de composição ornamental polícroma de temática vegetalista, com volutas, concheados e máscaras. Azulejos de meados do século XVIII.


Piso 2, divisão 5

Painéis de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, formando lambril, com a representação de vistas panorâmicas da zona ribeirinha da cidade de Lisboa, anterior ao terramoto de 1755, desde o Terreiro do Paço até Belém, com edifícios e muitas embarcações no Tejo. A guarnição é formada por barra de motivos vegetalistas e asas de morcego,  ladeada por candelabros revestidos de folhas e volutas. Azulejos de meados do século XVIII.


Piso 2, divisão 6

Painéis de composição ornamental polícroma azul-cobalto, manganês e amarelo, formando lambrins, com ramos floridos, volutas, pássaros e festões, guarnecidos por barra centrada por cartela e ladeada por candelabros vegetalistas encimados por efígies. Azulejos de meados do século XVIII.


Piso 2, divisão 7

Painéis de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, formando lambrins, com representações das quatro Estações, três identificadas com letreiros, apresentando cenas dos trabalhos de cada época: vindima no Outono, matança do porco no Inverno, ceifa e malho dos cereais no Verão e cenas galantes e campestres na Primavera (sem inscrição). As guarnições são compostas por barras com cartelas de volutas concheadas e elementos vegetalistas. Azulejos de meados do século XVIII.


Piso 2, divisão 8

Painéis de composição ornamental monocromática azul-cobalto em fundo branco, com temática de albarradas ladeadas por putti que seguram taça onde assenta um remate de volutas e, no painel maior, centradas por um candelabro encimado por cabeça alada. As guarnições são formadas por barras de volutas vegetalistas a envolver friso de ferroneries e óvulos. Azulejos de inícios do século XVIII.


Piso 2, divisão 9

Painéis de composição ornamental seriada monocromática azul-cobalto em fundo branco, representando albarradas, nos maiores ladeadas por putti sobre pedestal segurando cornucópias floridas e enquadradas por barra de volutas vegetalistas. Sob as conversadeiras os azulejos representam consolas e sob a janela volutas vegetalistas encimadas por festões.  Azulejos de inícios do século XVIII.


Piso 2, divisão 10

Painéis de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, formando lambrins de temática religiosa que representam monges em oração e a praticarem acções piedosas; as guarnições são formadas por barras com elementos arquitectónicos e ornamentais, com volutas, festões, concheados, máscaras, cartelas e óvulos. Azulejos da 1ª metade do século XVIII.


Piso 2, divisão 12

Grandes painéis de composição figurativa monocromática azul-cobalto em fundo branco, formando lambrins, com representações de caçadas, lide de um touro, concerto de música num jardim e piquenique com cenas galantes. As guarnições são formadas por barras superiormente recortadas com elementos arquitectónicos, sanefas pendentes de volutas vegetalistas, concheados, urnas, frisos de óvulos, putti, cartelas, festões e máscaras. Azulejos da 1ª metade do século XVIII.


Estuques
Piso 2, divisão 4

Na Sala de Música encontramos uma original decoração naturalista no pano central da masseira: flores de grandes pétalas e uma ave exótica de longas plumagens cobrem integralmente a superfície, num espírito de horror ao vazio. Os panos laterais são divididos em dois registos por uma moldura mistilínea: nos quatro cantos do registo superior, meninos com vários instrumentos musicais alternam com bustos femininos e masculinos, dentro de molduras ovais; o registo inferior é decorado, nos panos laterais, por cartelas compostas por concheados encadeados e preenchidas por gradinhas, e nos quatro cantos por pássaros, apoiados em plintos. Cascatas de conchas e concheados preenchem os cantos, derramando‑se sobre a cornija. Estuques da década de 1760.


Piso 2, divisão 5

Na Sala da Fama os estuques enquadram pinturas sobre tela: uma alegoria à Fama, no pano central da masseira, e aos quatro continentes, nos cantos do tecto. Nos panos laterais, quatro grandes arcos perspectivados enquadram plintos que servem de apoio a brincadeiras de meninos com animais. Concheados de influência germânica enquadram os plintos e circundam as telas, caindo em cascata nos quatro cantos do tecto. Gradinhas, grinaldas de flores, plumas e pássaros de longos pescoços completam a decoração. Estuques da década de 1760.


Piso 2, divisão 6

No pano central da Sala dos Troféus uma cena em estuque representa o Tempo, ladeado por um menino com um círculo na mão, símbolo da eternidade, puxando um lençol e assim desvelando a nudez de uma jovem, que aqui figura a Verdade. Nos panos laterais, várias cartelas de concheados de contornos flamíferos, organizadas em dois registos delimitados por molduras contracurvadas, enquadram troféus compostos por instrumentos, bandeiras, flâmulas e armas, meninos e aves. A meio dos lados menores do tecto, um busto feminino e outro masculino, uma possível alusão aos proprietários do palácio. Um turbilhão de concheados marca os quatro cantos do tecto, confundindo‑se com a cornija. Estuques da década de 1760.


Piso 2, divisão 7

A Sala das Estações, de menores dimensões, assim chamada pela temática dos silhares de azulejos, revela no pano central uma outra cena mitológica: uma figura feminina sentada sobre um leão, coroada por uma jovem, com um disco gigante a seu lado, que representa o globo terrestre. Trata‑se de uma figuração de Cibele (a Reia dos gregos), a deusa‑mãe primordial, geradora de todos os deuses do panteão clássico, a deusa‑terra que simboliza a fertilidade da Natureza. Nos quatro cantos do tecto repetem‑se as armas falantes de Luís Gomes da Mata, o instituidor do vínculo da família, sediado na quinta da Mata, em Loures. Uma balaustrada em que se apoiam bustos e vasos floridos rodeia o tecto, ao longo da sanca. Estuques da década de 1760.


Pintura Decorativa
 

Piso 2, divisão 3

Tecto de masseira com sanca pintada a imitar marmoreado e elementos decorativos laterais e cantonais em forma de pequenas cartelas vegetalistas com volutas rematadas por concha, pintadas de dourado. Apainelados do tecto com molduras pintadas a imitar marmoreado com filetes dourados a enquadrar ramos floridos estilizados que emergem de volutas vegetalistas, em azul verde e cor-de-rosa, tendo ao centro grande roseta dourada.


Piso 1, divisão 4

Painéis pintados emoldurados por cartelas filetadas de dourado representando caçadas, marinhas e cenas campestres.


Piso 2, divisão 5

Medalhões elípticos com pinturas de alegorias aos quatro Continentes. Painéis pintados emoldurados por cartelas filetadas douradas com cenas campestres e marinhas. Grande medalhão elíptico com alegoria à Fama, anjo voante tocando trombeta.


Piso 2, divisão 8

Tecto de masseira com pinturas inscritas em painéis octogonais de molduras marmoreadas representando caçadas, pesca e cenas campestres.


Piso 2, divisão 9

Tecto de maceira apainelado e almofadado, com molduras marmoreadas.


Piso 2, divisão 10

Painel pintado com uma custódia dourada encimada por hóstia sagrada com as iniciais IHS (Jesus) inscritas e circundada por um resplendor dourado, tudo enquadrado por uma moldura marmoreada e dourada, recortada e decorada com elementos vegetalistas estilizados. Painel com pintura que representa os Doutores da Igreja reunidos sob uma custódia em glória de anjos.


Piso 2, divisão 11

Pintura dos degraus para exposição das pratas da mesa no espaço de copa, com elementos vegetalistas estilizados. Florão circundado por vasos floridos e conchas envoltos em finas grinaldas, volutas vegetalistas e concheados. Cartela concheada e recortada encimada por coroa, contendo três elementos florais, envolta em finos ramos de folhagem estilizada. Pintura parietal perspectivada a imitar armários embutidos, com faces em arco e prateleiras e decorados com elementos vegetalistas estilizados.


Piso 2, divisão 12

Tecto de masseira apainelado preenchido com pinturas de temática mitológica, emolduradas por frisos com elementos florais e folhagens, marmoreados e filetes dourados com florões cantonais do mesmo.


Decoração Diversa
Piso 0, divisão 1

Lavatório duplo de pedra calcária com bacias de forma trapezoidal, cada uma sobre o seu pé tronco-piramidal de lados côncavos, tendo defronte um respaldo rectangular de pedra com almofadas de cantos curvos e com recortes circulares inferiores de onde emergem círculos concêntricos em relevo onde se encaixam as torneiras.

Arco em asa-de-cesto sobre pilastras com capitéis dóricos.

Lintel de pedra calcária com fecho estriado.



Piso 0, divisão 2

Fonte de taça elíptica com caneluras, imitando a forma de uma grande concha, de onde se eleva, ao centro, uma estátua feminina sentada sobre rochedos com conchas, semi-coberta com panejamentos ondulantes. Sobre ela destaca-se uma escultura de putto alado segurando medalhão com busto masculino em relevo.


Piso 0, divisão 4

Lavatório de pedra de bacia trapezoidal lisa sobre pé paralelepipédico, com pequeno respaldo solto, rectangular, centrado por máscara feminina, em cuja boca se encaixa a torneira, entre dois vasos floridos estilizados, com restos de policromia vermelha e azul.

Baias com divisórias de madeira apresentando recortes num dos extremos e um colunelo rematado com maçaneta no outro extremo.

Pilares de pedra de secção quadrangular, com fuste de arestas chanfradas e ábaco liso, com argolas de ferro cravadas no cimo do fuste.


Piso 2, divisão 5

Lareira de mármore branco com pedra superior polilobada centrada por carranca semi-vegetalista, sobre pés-direitos formados por colunelos e pilastras com capitéis canelados e pequenas volutas laterais.

Espelho encimado por pintura paisagista com dupla moldura de talha dourada de motivos vegetalistas, concheados e grinaldas, ladeado por dois painéis longitudinais de madeira pintada de branco e dourado, com elementos vegetalistas estilizados, onde se cravam castiçais metálicos.

Suportes metálicos de grelha de lareira, decorados com pequenas urnas com fogaréus e grinaldas.


Piso 2, divisão 9

Pequeno lavabo com taça de calcário vermelho em forma de concha, encimado por respaldo de mármore de forma bojuda, centrado por folha em relevo com perfuração para torneira, encimado por pequeno frontão interrompido de calcário vermelho com cornija curva e tímpano com concha de mármore negro.


Piso 2, divisão 10

Altar de calcário branco e vermelho com apainelados. Sobre o altar figura um retábulo ladeado por dois pares de colunas de calcário vermelho, com capitéis coríntios de talha dourada. Sobre o entablamento apoiam-se dois anjos em talha dourada dos lados de uma cartela de elementos vegetalistas.

Cancela de balaústres de madeira com portas decoradas com grande flor circundada por moldura concheada orlada de folhagens de videira e acantonadas por rosetas.

Pia de água-benta concheada, de calcário vermelho.


Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009