A Casa Senhorial

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Casa da Marquesa de Santos

Casa da Marquesa de Santos
Palacete do Caminho Novo, Solar da Marquesa de Santos
XIX - XX
1826
Brasil

A construção foi realizada de 1824 a 1827; as obras ficaram a cargo do arquiteto português Pedro Alexandre Cavroé; a decoração escultórica atribui-se aos irmãos franceses Marc e Zepherin Ferrez, e o programa pictórico original, ao artista fluminense Francisco Pedro do Amaral.

Arquitectura

A edificação está situada na av. Pedro II, próxima à Quinta da Boa Vista. A casa foi construída no terreno de duas chácaras, onde já havia uma casa de dois pavimentos. O bairro de São Cristóvão encontra-se adensado ás antigas chácaras dando lugar a edifícios multifamiliares e industriais. O parque da Quinta da Boa Vista é a única área verde remanescente do período de ocupação do bairro. O antigo terreno da chácara da Marquesa foi desmembrado, restando uma pequena porção de forma retangular. A casa fica em frente da rua, com a fachada principal voltada para noroeste, ao centro da maior dimensão do lote. Há um pequeno lago oval nos fundos, único resquício do antigo jardim. Os edifícios de apoio e serviços desapareceram.




A edificação é pavilhonar, com dois pavimentos. A planta é retangular, com um prisma de planta oval projetando-se ao centro da fachada posterior, de onde saem duas escadas em curva, ligando o piso nobre ao jardim.


A fachada principal é voltada para a av. Pedro II. A composição é simétrica, em cinco corpos de diferentes larguras, sendo o central de maior dimensão, arrematado por um frontão triangular. A marcação do desenho faz-se com cunhais rusticados encimados por duplas pilastras com capitéis jônicos. Um largo friso ornamentado por estuques arremata o conjunto.

A fachada possui 9 vãos (1/2/3/2/1) com molduras em cantaria, em arco abatido, com exceção da porta de entrada, que tem arco de volta perfeita. O corpo central compreende três vãos, sendo o de entrada no piso térreo mais largo, ladeado por duas janelas de peitoril; o piso nobre apresenta três janelas de sacada com balcão corrido com grade de ferro. Os corpos intermediários contam com duas janelas de peitoril, nos dois pavimentos. Os corpos das extremidades, mais estreitos, possuem uma janela de peitoril no pavimento térreo, e uma janela de sacada com balcão e grade de ferro no piso nobre. O telhado é encoberto por platibanda.




Pormenor


Fachada posterior

A fachada dos fundos é marcada pelo volume ovalado que se projeta para o quintal, abrigando uma sala em cada pavimento. Do segundo pavimento saem duas escadas laterais em curva, possibilitando acesso direto ao jardim. As laterais retas da fachada têm duas janelas de arco abatido sobrepostas. O prisma ovalado tem uma porta central e duas janelas no pavimento térreo, e duas portas laterais, que dão acesso às escadas curvas, e três janelas de sacada centrais. Os vãos do prisma são todos em arco pleno. Todos os vãos têm molduras em cantaria. O conjunto é arrematado por friso com motivos fitomórficos em estuque e platibanda.

Portal de entrada

A porta de entrada é mais larga que os demais vãos da fachada, arrematada por arco pleno. A moldura é em cantaria, e a bandeira é composta por grade decorativa em ferro. As duas folhas de madeira têm almofadas com detalhes decorativos em relevo. Uma pequena marquise de ferro e vidro protege e marca a entrada.


Janelas e pormenores decorativos

A  maioria das janelas e portas do solar possui bandeiras de vidro com caixilhos em forma de coração descrevendo um semicírculo. Os baixos-relevos da fachada têm temática da mitologia greco-romana, com arabescos fitomórficos nos frisos.


ARAUJO, Patricia de Barros. Francisco Pedro do Amaral. A representação dos quatro continentes no Salão dos Deuses do Palacete do Caminho Novo. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006.

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FERREIRA-ALVES, Natalia Marinho; FERNANDES, Cybele Vidal Neto . O complexo caminho: da encomenda à obra realizada. Uma casa nobre no Rio de Janeiro. In: ______. (Org.). A encomenda, o artista e a obra. Portugal, 2011.

FRANCO, Afonso Arinos de Melo. O palacete do Caminho Novo. Solar da Marquesa de Santos. Rio de Janeiro: UEG, 1975.

LACLETTE, Paula Parreiras Horta. A casa da Marquesa de Santos: os elementos fitomorfos. Rio de Janeiro, 1986. Monografia de conclusão de curso (bacharel em museologia), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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LOPES, Patrícia Frangelli Bugallo A construção do lugar de memória (Lieu de Mémoire em São Cristóvão: os mitos no solar da marquesa, 2007.

RANGEL, Alberto. Cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Arquivo Nacional, 1984.

REZZUTTI, Paulo. Domitila: a verdadeira história da Marquesa de Santos. São Paulo: Geração Editorial, 2013.

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SETÚBAL, Paulo. A Marquesa de Santos (1813-1829). São Paulo: Geração Editorial, 2009.

VALLADARES, Clarival do Prado. Rio neoclássico – Análise iconográfica do barroco e do neoclássico remanescentes do Rio de Janeiro.

1825 – Aparece coletado na Décima urbana em nome da Exma. sra. Demitildes.

1826 – Contratação do arquiteto frances Pierre Joseph Pézerat por D. Pedro I, para projetar a reforma do edifício existente, e início das obras, confiadas a Pedro Cravoé. As obras de talha do oratório são do frade carmelita José Antônio do Amor Divino; as pinturas decorativas originais de Francisco Pedro do Amaral, e os estuques, dos irmãos Ferrez.

1827 – Ocupação do prédio pela Marquesa de Santos.

1829 – Venda do prédio para D. Pedro I, em 13 de agosto.

1831 – Com a abdicação, a posse passa para os herdeiros do duque de Bragança.

1833 – Doação de uma pequena parcela do terreno para Manuel Antônio Alves.

1834 – Com a morte de D. Pedro I, a propriedade passa ao espólio.

1838 Entre fevereiro de 1838 e maio de 1843 o palacete da Marquesa de Santos foi ocupado pelo Exmo. Conselheiro Cândido José de Araújo Vianna, Visconde de Sapucaí que o alugava.

1843 – O palacete passa para a duquesa de Bragança, ex-imperatriz, dona Amélia.

1845-1846 – Edifício em obras.

1846 – Posse para a duquesa de Bragança, ex-Imperatriz dona Amélia.

1847 – José Bernardino de Sá, barão, e depois, visconde de Vila-Nova do Minho, adquire a propriedade de Antônio Manuel Alves.

1850-1851 – José Bernardino de Sá, barão, e depois, visconde de Vila-Nova do Minho, adquire a propriedade da duquesa de Bragança, em 15 de outubro.

1855 – Morte do visconde e transferência de posse para os seus herdeiros.

1869 – A propriedade é transferida para Irineu Evangelista de Sousa, futuro barão de Mauá, como pagamento de dívida à Mauá, McGregor e Cia.

1875-1882 – A propriedade é hipotecada ao Banco do Brasil como garantia de dívida do barão.

1882 – O barão vende a propriedade a Luis Jose de Sousa Breves, barão de Guararema.

1898 – Compra da casa e jardins pelo dr. Abel Parente, ginecologista, que a reformou para instalação de uma maternidade.

1915 – Instalação da Legação do Uruguai.

1921 – Venda da propriedade à firma Hime e Cia.

1922 – Compra dos terrenos laterais pelo Ministério da Guerra, mediante permuta por terrenos no Cais do Porto.

1929-1930 – Aluguel do prédio ao Serviço de Febre Amarela.

1961 – A propriedade é desapropriada pelo Governo do Estado da Guanabara, sendo governador o sr. Carlos Lacerda (decreto n. 361, de 4 de março de 1961).

1968 – Cessão do palacete à Universidade do Estado da Guanabara. Obras no Solar e restauração de pinturas.

1976 – O imóvel é cedido à Fundação Estadual de Museus para instalação do Museu do I Reinado.

1979 – Museu do I Reinado.


Proprietário atual:  Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Tombada pelo IPHAN – 30 de março de 1938 – insc. 010, Livro de Belas Artes; Vol. 1; F. 003.

Nº Processo 0011-T-38.

Programa Interior

Vestíbulo

O vestíbulo é a entrada principal da casa, que já anuncia a suntuosidade do solar, com suas arcadas imponentes e a visão da escadaria central, iluminada pela claraboia. As paredes de madeira imitando mármore, em trompe l'oeil, compõem o elegante ambiente. Os vasos de Val d'Osne, semelhantes aos que se encontram no Palácio de Versailles, e os cupidos que pertenceram ao barão de Mauá completem a decoração do vestíbulo.



Salão Oval

Sua forma oval e as portas-janelas que o ligam ao jardim tornam o salão um espaço elegante e agradável. O piso decorado em mármore preto e branco compõe o ambiente, que à época da Marquesa era utilizado como sala de refeições.



Salão Oval Superior

O ritmo elegante de portas e janelas, com bandeiras de vidro colorido, produz agradável integração do exterior com o interior da casa. Utilizado como sala de jantar à época da Marquesa, o salão tem acesso direto ao jardim, através das duas escadas em ferro que decoram a fachada posterior. O piso trabalhado é um dos destaques do salão oval, que originalmente era todo decorado, com pinturas nas paredes e teto, como pode-se ver através das prospecçõs feitas recentemente.

Salão da Águia

O salão recebe este nome por causa da grande águia em estuque que decora o teto. Nas paredes, dois grandes painéis com cenas da mitologia completam a decoração do espaço que D. Pedro I utilizava como gabinete de trabalho, contíguo à alcova que reservava para seu repouso.

Salão dos Deuses

A decoração central do teto denomina o salão usado para os bailes do período imperial.

Salão da Música

Palco de inesquecíveis saraus no período imperial.


Salão Aurora

A deusa Aurora imortalizada no painel central do teto é o destaque desse espaço. Filha de titã da Terra, irmã do Sol e da Lua, responsável pela abertura do dia, a deusa casou-se várias vezes e quando perdeu um dos seus filhos, suas lágrimas foram tão abundantes que produziram o orvalho da manhã. Na representação, espalha com uma das mãos uma chuva de rosas, além de expulsar a noite e o sono.

Toucador

Decorado com a figura da deusa Flora, a sala era utilizada pela Marquesa de Santos como toucador ou quarto de vestir, compondo com a alcova seus aposentos íntimos. Ao contrário do quarto de dormir, protegido da luz solar e sem decoração mural, o toucador é inteiramente coberto por painéis, onde medalhões de flores revezam-se com cenas de gênero e paisagens convencionais.

No teto, a cena principal mostra a deusa Flora, Deusa da primavera, esposa de Zéfiro, Vento do Oeste, que lhe deu o Império das Flores, apresentada como uma formosa ninfa, ornada com guirlanda de flores.

Numa das paredes encontram-se vestígios de "mosca" que teria sido pintada por D. Pedro, enquanto aguardava a chegada da Marquesa. A original encontra-se  em posse da família Hime e a réplica foi feita pelo pintor Gutman Bicho, no mesmo local, para imortalizar a lenda.


Escada central e claraboia

Coroando a escada principal, encontra-se a claraboia, trazendo a luz natural para o interior da casa. No projeto original, os vidros eram foscos decorados com pequenas estrelas, representando o firmamento, em mais uma referência à maçonaria. Adornado o vão da escadaria, quatro painéis em gesso entalhado, em estilo barroco-rococó e cobertos de folhas de ouro, representando as quatro estações do ano. Sob os painéis, veem-se os 12 signos do Zodíaco, dispostos de acordo com o calendário do hemisfério norte, revelando a influência europeia na decoração do solar.

Azulejaria
Estuques
Piso 0, divisão 1 Vestíbulo

Arquivolta dos arcos decorada com modinatura neoclássica de perfil raso composta de astrágalo de contas e polias, e óvalos. Os motivos greco-romanos se repetem nos capitéis dóricos de colunas e pilastras com óvalos e folhas aquáticas (motivos cordiformes). Na cornija ressaltada, o cimácio reto e simples acompanha moldura de óvalos e motivos cordiformes. No teto, rosácea central ovalada gênero renascentista composta de quatro pequenas cartelas, folhagens de acanto e flores.

Piso 0, divisão 2

Teto com compartimentação geométrica formada por modinatura simples e de perfil reto, sem ornamentação. Cornija de perfil reto sem ornamentação.

Piso 1, divisão 1 Salão Aurora

Modinatura em estuque dourado de gosto neoclássico. No teto, larga moldura retangular decorada com feixe de junco enlaçado por ramagem florida, e friso de folhas e flores; na cornija ressaltada, sequência de pequenos consolos de folha de acanto, intercalados por ornato de flores, motivos cordiformes (folhas aquáticas) e fina moldura de óvalos; no contorno do rodateto, moldura de óvalos.

Piso 1, divisão 2 Salão dos Deuses

De autoria dos irmãos Marc e Zépherin Ferrez, o painel de estuque retrata os principais deuses do Olimpo, tendo ao centro a figura de Júpiter, Senhor dos céus, representando com seus atributos: o cetro, o raio e a águia. Abaixo, na mesma direção, Plutão, Senhor dos infernos. Do lado esquerdo, em primeiro plano, Ceres, protetora da agricultura, tendo ao seu lado, Vulcano, deus do fogo. Do lado direito, em primeiro plano, Juno, esposa de Zeus e protetora das mães e esposas, ladeada por Mercúrio, mensageiro dos deuses. Em segundo plano, aparecem Marte, deus da guerra, Vênus, deusa do amor e da beleza e Apolo, deus das artes e da luz. Outros personagens da mitologia grega, como Castor e Pólux, Andrômeda, Pluto e Perseu são retratados em outros painéis do teto.

Piso 1, divisão 3 Salão da Música

Nos estuques dos irmãos Ferrez, pequenos amorzinhos com asas presas no peito por laços e trajando saiotes de folhas de acanto, tocando instrumentos como violão, harpa, lira, flauta, corne francês, violino e clarineta.

Piso 1, divisão 8 Toucador

Teto com compartimentação geométrica formada por modinatura simples e de perfil reto, sem ornamentação. Na reserva central, moldura dourada de acanto, e na cercadura em estuque branco e dourado do entorno, friso clássico de óvalos e dardos. Cornija larga composta de frisos retos sem ornamentação e moldura central com sequência de folhas e palmetas.

Piso 1, divisão 11 Clarabóia

Os quatro painéis parietais guarnecidos de pintura decorativa da claraboia recebem moldura em estuque dourado de gosto rococó. Ao alto, um toro de feixes de junco e laçaria percorre todo o entorno, sob o qual caem pendentes nos quatro cantos, pequenos feixes floridos. Na zona superior, outros quatro painéis retangulares são guarnecidos de ornato central em baixo-relevo estucado. Cornija larga e ressaltada composta por sequência de mísulas e guirlandas floridas.

Piso 1, divisão 14

Teto e cornija compostos por modinatura em estuque branco, simples e de perfil reto, sem ornamentação.

Piso 1, divisão 16 Salão Oval

No entorno ovalado, friso de rodateto clássico composto de motivos greco-romanos de palmetas e flor de lótus. No teto, rosácea central de contorno irregular formando desenho de enrolamentos de acanto.

Pintura Decorativa

Piso 0, divisão 01 Vestíbulo

O vestíbulo possui decoração mural com pintura marmorizada formando um lambri de altura, onde a composição apainelada é representada por grandes blocos de mármore mais vastos e verticais, se estendendo do rodapé até a cornija. Na versão reduzida detalham também os nichos das janelas e prosseguem ao longo da escadaria principal. A composição representa um bloco central de pedra circundado por uma moldura dupla sem ornamentação, formando um conjunto de tipos cromáticos distintos de marmorizado.



Piso 1, divisão 1 Salão Aurora

Painéis parietais emoldurados por uma cercadura em tons de azul pintada com efeitos de sombra e luz, imitando a decoração plástica de molduras em estuque. Os quatro painéis principais são guarnecidos por pintura em trompe l’oeil de esculturas femininas em barro, apoiadas sobre consolos com ornatos esculpidos. O vocabulário ornamental do conjunto parietal de gosto Luís XVI reúne guirlandas e feixes pendentes de flores, cornucópias, diferentes arranjos florais em vasos sobre tripés, pássaros e pequenos cordões pendentes. Nos dois painéis mais estreitos destaque para o motivo de laçaria, de onde caem troféus com atributos distintos: um simbolizando a música e a pintura com o alaúde, partituras e a palheta de tintas; o outro simbolizando a abundância e as viagens com a cornucópia, o globo e o desenho de uma caravela. No remate superior, as paredes recebem um friso de fundo branco pintado com um feixe contínuo de florezinhas coloridas.

O silhar é separado da zona central parietal por uma estreita moldura em trompe l’oeil em tons de ocre com relevos esculpidos; e apresenta uma sequência de quatorze painéis retangulares que têm seus centros octogonais emoldurados por um ornamento de plano limitado de caráter naturalista estilizado, como ornamentação para ferro fundido. São guarnecidos com pinturas de diferentes paisagens do mundo, das quais se destacam os Alpes, cena de inverno, o Vesúvio, obelisco egípcio, pagode chinês e paisagem tropical.  

A sanca recebe a pintura de quatro painéis alongados em estilo Luís XV, semelhantes a painéis de sobreportas. As molduras finas e curvilíneas são pintadas em tons de ocre com efeitos de ornamento plástico. A decoração de seus interiores fica por conta de grupos de Amores esvoaçantes carregando véus e guirlandas de flores. Os quatro vértices da sanca recebem acabamento com a mesma ornamentação das cercaduras parietais.

O teto, de compartimentação geométrica com seções quadrangulares nos quatro vértices e retangulares nas laterais, tem sua zona central delimitada por uma moldura pintada com efeitos de relevo trabalhado; e painel octogonal com pintura decorativa de temática mitológica da deusa Aurora. Todo o conjunto apresenta a mesma gramática ornamental aplicada às paredes, onde as seções são emolduradas com pintura imitando ornamentação em estuque e feixes retilíneos de flores e folhas, repetindo a palhete cromática parietal. As seções quadrangulares dos vértices são decoradas com medalhões circulares, cujos interiores recebem a pintura de pássaros.

             


Piso 1, divisão 2  Salão dos Deuses

Ausência do esquema de divisão de zonas na estrutura formal das paredes, onde a pintura decorativa de quatro grandes painéis principais, dispostos por pares em paredes opostas do salão, desenvolve-se em uma única seção entre o rodapé e a cornija. A cor verde é predominante como pano de fundo dos painéis decorativos. As temáticas figurativo-narrativas exibem as Alegorias aos Quatro Continentes, onde a Europa é representada por uma jovem trajando túnica greco-romana, ladeada por livros, lunetas, compasso e um mapa-mundo, tendo ao fundo símbolos romanos, como a Coluna de Trajano, a cúpula da Basílica de São Pedro e um obelisco. O continente africano é simbolizado pela cultura egípcia, destacando-se o papiro, a flor de lótus e a palmeira, templo em ruínas, três pirâmides e a paisagem desértica. O continente asiático é lembrado pela imagem de uma princesa das mil e uma noites, envolta em véus, cercada de riquezas do Oriente, como pérolas, sedas e tapetes. A América é representada por uma índia de pele clara, com trajes estilizados, segurando um papagaio, cercada de frutas e plantas típicas dos trópicos.

Quatro outros painéis menores, de temática figurativa clássica representando vasos com enormes arranjos florais e jardins ao fundo, estão localizados nas demais paredes intercalando portas e janelas do salão. Completando o esquema apainelado, oito estreitos painéis decorativos situados nos quatro vértices da sala, são guarnecidos de arranjo ornamental ao gosto francês das composições de Gillot e Wateau, contendo gavinhas e folhagens espiraladas, cordões pendentes, flores, folhas de hera, pássaros, borboletas e como motivo central, um cisne.   

O programa ornamental do conjunto é combinado com pintura em trompe l’oeil sugerindo uma moldura rendada ao redor de todos os painéis. Sobre fundo verde escuro, o motivo de renda branca é executado em stencil ou pochoir com acabamentos de luz e sombra realizados no pincel, conferindo realismo à pintura. O conjunto recebe ainda uma moldura de arremate com motivos de arabescos, folhagens estilizadas e contas; e um friso românico de dentículos abaixo da cornija, ambos pintados na cor verde em pochoir à plat.

Na sanca, sequência de painéis com temática alegórico-mitológica, dos quais se destacam as representações dos quatro elementos, terra, ar, água e fogo.
Piso 1, divisão 3  Salão da Música

Localizados na zona nobre da parede, quatro grandes painéis com pintura figurativa narrativa, representando oito figuras femininas em diferentes cenas de lazer ambientadas com jardins ao fundo. Os trajes femininos, condizentes com a moda do segundo Império francês, indicam que as pinturas são provavelmente posteriores à década de 1850, período em que a casa era de propriedade do barão de Mauá. Nas cercaduras dos painéis destacam-se delicados feixes de ramagens verticais e horizontais, tendo borboletas como elemento de liame dos ramos alongados. Na moldura interna, ornamentação com folhagens espiraladas ligadas a pequenos festões, motivos de joalheria e outros elementos florais. As folhagens em ocre são ricamente trabalhadas com efeitos de relevo, sombra e luz; e pedras preciosas em vermelho e azul ultramar são simetricamente posicionadas como motivos de arremate. Outros motivos ornamentais tais como pássaros e pequenos mascarões femininos, completam a decoração dos painéis.

 Na ornamentação do silhar, cártulas com moldura trabalhada com acabamento em mosaico, contendo três motivos distintos; cisnes com folhagens espiraladas, pequenos medalhões femininos e guirlanda com pássaros. As cártulas se unem à figuras femininas por arabescos formando uma espécie de rendilhado, conferindo ao conjunto ornamental um gosto ao estilo dos desenhos de Berain. Pintura trabalhada em trompe l’oeil em tons de verde-escuro.   

 A sanca e o teto recebem pintura decorativa neoclássica com temática mitológica representando cenas das Metamorfoses de Ovídio, donde se destacam personagens como Apolo, Daphne, Marsias, Sibila e Jacinto.

No teto, representação do de “Paethonte e o carro Sol”, da Fábula I do Livro II. Ornamentação com feixes florais verticais, guirlandas, arabescos e fitas na sanca; e medalhões circulares com arranjos florais no teto.


Piso 1, divisão 8 Sala Flora
Diferentes motivos ornamentais vem contornando as extremidades das paredes, unidos apenas por uma delicada cercadura curvilínea, formando uma espécie de malha decorativa, que é aplicada também aos nichos das janelas. Com isso, tem-se a profusão leve de uma ornamentação alegre e graciosa bem ao estilo do rococó da época de Luís XV.  Como ornamentação de cercadura nota-se a presença de finas e ondulantes molduras que separam a grande área em branco de pequenos espaços externos em azul, onde posicionados de forma simétrica destacam-se motivos ornamentais de arremate. Além dos enrolamentos em formato de “C”, ora trabalhados com simplicidade, ora como folhas e gavinhas de acantos, tem-se o acabamento aplicado nas partes superior e inferior dos medalhões e também nas laterais, aufere o desenho de uma pequena concha, elemento do rococó. As presentes curvas que contornam as extremidades das paredes, recebem outro acabamento sugerindo uma flor-de-lis, pintada como se incrustada de coloridas pedras preciosas. Toda a cercadura curvilínea recebe a cor ocre trabalhada com relevos de sombra-luz semelhante às boiseries douradas do rococó.
Na Sala Flora as flores aparecem por toda parte, em guirlandas na forma de finos festões presos às cercaduras ou formando pingentes que despencam dos ornatos, encenando o naturalismo empregado nas decorações segundo o estilo Luís XV. A flora, a fauna e as formas vegetais que brotam das curvas são também elementos decorativos explorados pela fantasia do rococó francês. No canto esquerdo da entrada da sala existem ramagens que ficam entrelaçadas na estrutura ornamental em que forma-se uma haste encurvada. Nela encontra-se pousada, uma arara canga, ave nativa das florestas brasileira. Ainda destaca-se as albarradas retratadas no interior dos dois medalhões pintados. São fartos arranjos de flores coloridas e variedades diversas.
São seis medalhões que compõem a ornamentação mural do toucador. Dois são guarnecidos de arranjos florais, outros três apresentam duas cenas e uma paisagem. As cenas representam casais vivenciando momentos distintos de lazer: um deles parece entreter-se com a leitura em um ambiente interior, e o outro com a brincadeira pueril de balançar-se sob as árvores, sugerindo o espírito galante. As temáticas de lazer e vida doméstica do rococó personificam uma maior valorização do indivíduo e do seu cotidiano. A pequena cena de paisagem da Sala Flora revela a atmosfera de um jardim encantado, cercado por longos ciprestes. O sexto medalhão localizado ao fundo da sala não apresenta condições visuais para uma análise iconográfica adequada. Em face das restaurações mais recentes optou-se por uma reintegração de abstração cromática.
O teto da Sala Flora é do tipo abobadado em forma de esquife, onde as seções verticais são em curva e a parte superior reta. Todo o conjunto recebe pintura decorativa em medalhão central e ornamentação variada. As molduras em estuque delimitam os diversos planos geométricos que dão forma à composição pictórica. O medalhão central recebe pintura com temática alegórico-mitológica. O tema é a representação da deusa Flora que reina sobre as flores. Flora era uma ninfa grega denominada Clóris que em um dia de primavera errava pelo campos quando foi raptada por Zéfiro, que apaixonado o transformara em deusa. Na pintura Flora aparece colorida e esvoaçante com o manto branco envolto por outro vermelho, distribuindo ramos de flores e simbolizando a ideia da deusa que preside a tudo que floresce. A deusa Flora, portanto, além de dar nome ao recinto, assume posição privilegiada na composição decorativa da sala.
Pintado nas duas seções laterais,  está o acabamento do tipo mosaico, de franca inspiração nas composições e decorações de Jean Berain e Claude Audran. Seu contorno é trabalhado com um arremate decorativo pintado na cor ocre formando um redondilho de trilóbulos em sequência. Todo o trabalho recebe uma pincelada de contorno mais escuro, formando um sombreado que confere relevo à pintura. A tonalidade deste redondilho segue a escolha cromática empregada nas molduras em estuque do medalhão central e também às  modinaturas em relevo que definem as diferentes seções que compartilham o teto. Completando todo o conjunto pictórico nota-se quatro painéis idênticos localizados nos vértices do retângulo com pintura decorativa que segue a mesma tipologia já empregada nos adornos da parede. As finas e curvilíneas molduras ocres que separam os fundos azuis dos brancos formam pequenos espaços claros que recebem a ornamentação delicada de uma ramagem de flores.

Piso 1, divisão 5 Sala da Águia
Esquema de divisão parietal em duas seções onde um largo friso amarelo determina a separação entre a seção superior ou área nobre da parede, e o silhar, zona inferior. O friso, que se repete também abaixo da cornija, recebe um traço contínuo escuro em filet sugerindo sombra e relevo. A área superior tem o fundo cromático em verde claro e é decorada com uma sequência de painéis octogonais de tamanhos distintos. Os painéis apresentam temáticas diferenciadas, são pintados com efeitos de sombra e luz e ornados com uma fina moldura amarela com motivos de arremate nas extremidades. Destaque para os grandes quadros com temática neoclássica representando duas cenas mitológicas.
Outros quatro painéis verticais de fundo claro, são guarnecidos cada um, com a pintura em trompe l’oeil em tons de ocre de um grande vaso de ornamentação rebuscada, portando arranjos florais diversos. O vaso encontra-se apoiado sobre um consolo simulando trabalho escultórico, cujo principal ornato é a máscara radiada com guirlandas. O conjunto é completado com três estreitos painéis de acabamento e um painel de sobreporta isentos de temática figurativa.
O silhar apresenta decoração simplificada com sequência de painéis retangulares e por vezes quadrados, ornados apenas por um arranjo de finas modinaturas em azul e vermelho com motivos de arremate nas extremidades. As molduras de todos os painéis, tanto do silhar quanto da área nobre, são pintadas em pochoir à plat.




Piso 1, divisão 11 Hall da Escada Superior

Na escadaria, os arcos das colunas são pintados em tons de amarelo e azul, dos quais destacamos uma série de molduras rígidas e finas dispostas lado a lado, formando uma espécie de lambri que percorre toda a extensão sobre as arcadas.  As almofadas arqueadas do lambri exibem no centro de seus interiores pequenos e redondos medalhões guarnecidos com pinturas representando os doze signos do zodíaco ou os doze meses do ano. Acima da cornija, decoração com quatro pinturas ilustrando as alegorias das quatro estações, cercadas por molduras em estuque dourado.

Os corredores do hall superior apresentam uma decoração parietal composta pela pintura de painéis verticais de tamanhos irregulares que seguem contornando os arcos das colunas e as vergas das portas. No contorno, finas cercaduras curvilíneas pintadas em ocre, e um tom azul-esverdeado cobre toda área externa aos painéis.  A decoração das paredes é completada por grandes medalhões pintados em ocre, cujos interiores se veem representados arranjos florais, e na moldura motivos ornamentais de folhagens entrelaçadas e máscaras femininas. As colunas que contornam o hall apresentam ornamentação com alongados painéis de cercadura fina e curvilínea, guarnecidos de delicados feixes verticais de flores e folhas, sobre um fundo azulado. 
Decoração Diversa
Piso 0, divisão 1 Vestíbulo

Pavimento em mármore claro e escuro com padrão geométrico de grandes cubos em diagonal tratados com rica perspectiva ilusionista. A composição se difere na entrada principal, formando um largo tapete com quatro linhas de retângulos tratados também com ilusionismo perspectivo. Tabeira estreita em mármore branco sem ornamentação.

Piso 0, divisão 8

Escada de madeira clara guarnecida de fina balaustrada de perfil circular sem ornamentação, repetindo o padrão das duas colunetas do patamar inicial. Corrimão liso e abaulado.

Piso 0, divisão 9

Pavimento da base da escada principal, em mármore claro e escuro, com padrão geométrico de quadrados acantonados e losangos. Painel quadrangular central guarnecido de medalhão esférico com motivo de mandala remetendo a signos da maçonaria.

Piso 1, divisão 6

Escada caracol de madeira guarnecida de fina balaustrada de perfil circular sem ornamentação.

Piso 1, divisão 8 Toucador

Pavimento em tábua corrida decorado com ornatos fitomorfos estilizados nos quatro cantos.

Piso 1, divisão 11 Escada Principal

Escada principal de madeira em três lanços, formando dois braços laterais a partir do patamar central. Guarda corpo composto de finos balaústres com plinto e ábaco de formatação quadrangular, e fuste arredondado tratado com marchetaria bicolor. Pavimento em tábua corrida decorado com ornatos fitomorfos estilizados no patamar central.No alto, claraboia de vidro, cujo projeto original apresentava vidros foscos decorados com pequenas estrelas representando o firmamento.

Piso1, divisão 13, Galeria

Galeria de arcadas tendo de um lado arcos de meia-volta abertos para o vão da escada principal, e do outro, os corredores de acesso às salas e salões do primeiro pavimento. Guarda corpo em madeira com balaustrada de perfil circular sem ornamentação. Nos corredores, portas duplas almofadadas com bandeiras de vidro com caixilhos em forma de corações descrevendo um semicírculo. Piso em madeira de tábuas corridas.

Piso 1, divisão 16 Salão Oval

Portas-janelas em arco, com vitral policromado de motivos fitomorfos estilizados. Nas soleiras, largo friso em mármore preto e branco de composição losangular. Pavimento em tábua corrida com grande reserva central circular, guarnecida de roseta e motivos de rinceau, de onde partem quatro frisos que se unem à larga cercadura oval do entorno, formando um desenho cruciforme. A madeira clara e escura define a ornamentação geométrica dos frisos e da tabeira, compondo sequência de retângulos e triângulos invertidos.

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009