A Casa Senhorial

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Engenho da Taquara

Engenho da Taquara
Fazenda da Baronesa
XVIII
Indeterminado
Brasil

Desconhecido

Admite-se que o brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim possa ter participado da reedificação do século XVIII.

Arquitectura

A casa está em amplo terreno arborizado, remanescente da antiga fazenda. O entorno é altamente urbanizado, composto principalmente de casas de até dois pavimentos, e alguns edifícios baixos.

A casa é térrea em sua maior parte, com sobrado parcial que ocupa o módulo central da faixa fronteira. A entrada acontece pela varanda, através de três escadas, uma central e duas laterais. A planta desenvolve-se em torno de um pátio central, com amplo telhado de telhas de barro tipo capa e bica. A fachada principal é voltada para o nordeste. A capela ocupa edifício anexo, ligado ao principal por um pequeno corpo recuado.

A fachada principal é composta pela varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria, interrompida no módulo central por cinco arcos plenos encimados por duas janelas de peitoril e três de sacada de construção posterior. Neste trecho o telhado de telhas de barro é encoberto por platibanda.

A fachada lateral evidencia a modificação do telhado original de duas águas para a ampliação da casa em direção aos fundos. As janelas são de verga reta, e uma porta dá acesso à zona de serviços.

Portal de entrada

O acesso ao interior se dá pelo arco central, por meio da escada de planta semicircular.

Janelas e pormenores decorativos

As portas e as janelas de peitoril têm vergas retas, sendo estas de guilhotina, com folhas externas de proteção. As três sacadas têm grades de ferro. As colunas toscanas, que sustentam o telhado da varanda, são em alvenaria, de seção circular, assentes sobre bases de seção quadrada ligadas por alvenaria. As colunas do pátio central são mais simples, de seção quadrada.


BIENE, Maria Paula Van. A arquitetura das casas-grandes remanescentes dos engenhos de açúcar no Rio de Janeiro setecentista. Disponível em: . Acesso em: 9 de outubro de 2013.

RUDGE, Raul Telles. As sesmarias de Jacarepaguá. São Paulo: Kosmos, 1983.

15 de fevereiro de 1635  Salvador Correia de Sá e Benavides vende a fazenda a João Rodrigues Bravo.

Tabelião Jorge de Sousa (Local de realização da venda da propriedade).

11 de março de 1637  João Rodrigues Bravo vende um terreno a André Vila Lobos da Silveira com 1150 braças de testada para o “caminho real que vai do Engenho d' Água do General Salvador Correia”, que é hoje a rua Geremário Dantas e que ia do “sertão até as encostas do morro Baitaquara, vertente oriental do Maciço da Pedra Branca".

23 de maio de 1648 A viúva de André Vila Lobos da Silveira, dona Izabel do Souto Maior vende a propriedade a André Tavares.

24 de maio de 1648 – André Tavares vende o engenho ao Padre Domingos da Silveira Souto Maior, filho de Izabel.

11 de junho de 1652 Padre Domingos  vende o engenho por escritura ratificada a Antônio da Silveira Vila Lobos, seu irmão, e Diogo Lobo Teles, seu cunhado. 

2 de dezembro de 1655  A venda é anulada. Parte da propriedade de Diogo Lobo Teles é vendida ao padre Francisco da Silveira Vila Lobos.

21 e 23 de junho de 1657 Duas partes da propriedade foram reunidas de novo em venda ao padre Domingos da Silveira Souto Maior. O mesmo padre vende o engenho ao primo Antônio de Andrade Souto Maior.

1 de novembro de 1658 Antônio de Andrade Souto Maior vende 300 braças a Francisco Teles de Barreto, filho de Diogo Lobo Teles. Durante 60 anos o engenho fica dividido em dois.

Sucedeu-o o filho Luis Teles Barreto. A outra parte do engenho ficara com Antônio de Andrade Souto Maior. A viúva de Luís, dona Maria Pimenta, casou em segundas núpcias, com Egas Muniz Telo.

1680 Egas falece, o engenho fica em proporções que variaram para Maria Pimenta, seus filhos e genro.

A propriedade passou a se chamar Engenho de Dentro.

24 de novembro de 1714; 15 de julho de 1717; 21 de julho de 1716 Os herdeiros de Egas vendem o Engenho de Dentro a Antônio Teles Barreto de Menezes, que já tinha 330 braças.

“Umas terras sitas em Jacarepaguá que foram engenho, nas quais está ainda a casa do engenho e casa de vivenda coberta de telhas, já danificada.” (RUDGE: 1983).

1738 Antônio Teles de Menezes edifica no Engenho de Dentro casas de vivenda e a capela da Santa Cruz.

"Uma data de terras de engenho chamado de Dentro, e é em que se acha situada a casa de Engenho de Santa Cruz e as de vivenda que todas são 1500 braças de testada e de sertão e atendendo ao estado em que se acham na forma de seus títulos e a uma capela de pedra e cal e barro em parte por acabar, com todis is preparos para se dizer missa, avaliam, cada braça em 4.800 réis".

1745 As casas da família Teles de Menezes, na Praça XV, são reconstruídas pelo brigadeiro Alpoim. Admite-se que ele tenha também trabalhado na casa do engenho.

28 de abril de 1757 – Falece Antônio Teles de Menezes, seu herdeiro foi Francisco Teles Barreto de Menezes.

Na relação do Marquês de Lavradio (1779) os dois engenhos aparecem como Engenho Velho e Engenho Novo da Taquara (o original Engenho de Dentro e o Novo).

 13 de dezembro de 1806 Francisco Teles Barreto de Menezes falece, e deixa um filho Luiz Teles Barreto de Menezes e cinco filhas.

O Engenho da Taquara fica para Ana Inocencia Teles de Menezes, Ana Maria Teles Barreto de Menezes e Francisco Pinto da Fonseca (1836).

4 de outubro de 1882 Francisco Pinto da Fonseca Teles recebe o título de Barão de Taquara.

Proprietário atual: Descendentes do Barão de Taquara.

Descrições antigas

“Uma morada de casas de vivenda no engenho da Taquara com seu sobrado no meio que tem de frente 187 palmos e fundos 77; no meio dessa quadra um sobrado com 76 palmos de largo e fundos 56; uma formação na frente uma varanda toda ladrilhada de tijolo, com seus assentos arcos e colunas e outra dita varanda no sobrado também com suas colunas; as paredes dos lados e algumas divisões de pedra e barro até a altura do vigamento, com três salas embaixo e vários quartos de acomodação, todos forrados, menos um; e a dita varanda na extensão do sobrado também forrada e com vários ladrilhos e soalhos, a varanda de dentro também ladrilhada, com dois armários dentro da parede; e no sobrado dois quartos forrados com seus armários de cantarias; os seus lados, fundos e divisões frontais de tijolo com suas janelas de madeira para o lado e fundos; no fundo da varanda inferior o pátio que tem de largo 104 palmos, e de fundo 62, também ladrilhado de tijolo; em toda a roda deste pátio, 9 quartos de acomodação e sua cozinha com dois fornos e seu fogão; assim mais uma casa de fazer farinha, na frente desta casa de vivenda um terreiro com 286 palmos de frente e fundos 80 palmos, mais outro dito a um lado com largura de 77 palmos e fundos 46, e outro dito na parte da igreja, que tem de largo 31 palmos e fundos 50, tudo ladrilhado de tijolo, e vários assentos com seus encostos e suas pirâmides; a dita casa de vivenda está precisada de reforma e é avaliada em 1:841 $600 reis.” (RUDGE: 1983, p. 95-96).


Tombada pelo IPHAN – 30 de julho de 1938 – insc. nº 197, Livro de Belas Artes. insc. nº 094, livro histórico.

Programa Interior

Programa geral – Tipologia e planta


A planta desenvolve-se em volta de um pátio central, circundado por varanda que serve de circulação.

A faixa frontal é composta de salas e cômodos menores abrindo para a varanda de entrada de forma direta ou indireta. Um desses cômodos recebeu a escada de acesso ao sobrado, de construção posterior. A divisão da faixa intermediária não é simétrica, e as paredes têm espessura menor do que aquelas da faixa frontal. Há um corpo de ligação com a capela pelo lado esquerdo, que possivelmente servia de acesso privado da família aos serviços religiosos. A faixa dos fundos é ocupada por compartimentos estreitos e de grande profundidade, possivelmente dedicados ao serviço.

A capela de Nossa Senhora dos Remédios tem frontão e campanário de características barrocas, e talha interior oitocentista.

Entrada/vestíbulo/átrio

A entrada se dá pela varanda frontal, e por ela há acesso direto a uma grande sala, a uma sala menor ou saguão que permite a passagem direta para a varanda central, ao cômodo que contém a escada e a vários outros compartimentos menores, com difrentes graus de permeabilidade em relação à zona mais íntima da casa.

A capela tem entrada independente.

Salas

A sala principal é o maior cômodo da casa, de proporções tendendo ao quadrado. Tem ligação direta com a varanda frontal, e indireta com o pátio central, através de um cômodo menor. Outros compartimentos menores da faixa frontal podiam ter também a função de sala. A descrição do século XIX do quinhão de herança de Ana Inocência Teles de Menezes menciona a existência de 3 salas, e diversos cômodos de acomodação.

Serviços

Por tradição, considera-se que os serviços ficassem na faixa dos fundos. O termo do quinhão de herança de Ana Inocência Teles de Menezes menciona que na roda do pátio havia 9 cômodos e cozinha com dois fornos e fogão.

Azulejaria
Estuques
Pintura Decorativa
Decoração Diversa
Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009