A Casa Senhorial

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Palacete Ferreira de Carvalho

Palacete Ferreira de Carvalho
XIX - XX
1861
Portugal
Arquitectura

Inserido na malha urbana, o palacete Ferreira de Carvalho localiza-se na freguesia das Mercês, junto à praça do Príncipe Real. Está orientado pela fachada principal a Nordeste, estando esta de frente para o jardim da praça.

O edifício está confinado a mais duas ruas laterais (a rua do Jasmim, na fachada a Noroeste, e a rua da Palmeira, na fachada a Sudeste) e a uma zona de logradouro – jardim, no alçado tardoz, a Sudoeste.

O lote do terreno é ocupado por cerca de 2/3 pelo edifício. Este lote tem um desenho trapezoidal, sendo a sua largura maior na zona do logradouro. A morfologia do terreno é em declive, estando a fachada principal na zona mais alta, com as ruas colaterais em posição descendente.

A morfologia do edifício apresenta-se na composição dum prisma trapezoidal, escalonado no alçado tardoz com dois corpos rectangulares similares.

O edifício organiza-se em quatro pisos (-1, 0, 1 e 2). A entrada faz-se pelo piso 0, na fachada principal a nordeste. A circulação vertical interior distribui-se por quatro escadas, uma de aparato de comunicação com o piso 1 e três de serviço (uma debaixo das escadas nobres que permite o acesso à antiga caixa forte da casa no piso -1, uma canto sudoeste do edifício que interliga os pisos 0, 1 e 2 e outra ainda do piso 2 para a cobertura).

A organização espacial dos pisos caracteriza-se por uma grande ortogonalidade em volta da escada de aparato, sendo esta o eixo estrutural da composição espacial.

A composição decorativa do edifício apresenta nas quatro fachadas uma leitura de simetria. O remate do corpo central é realizado pela cornija com platibandas vazadas centrais apoiadas em pilastras que percorrem o edifício até à mansarda. Na fachada tardoz o remate da cobertura faz-se por um tímpano apoiado por pilastras. Este remate é ainda ladeado por volutas.

Voltada a Este, para o Jardim do Príncipe Real, possui dois pisos divididos por friso e encimados por uma mansarda e três panos em organização simétrica, partindo do central, mais estreito, divididos por pilastras almofadadas e delimitados por cunhais formalmente idênticos às pilastras, todos rematados por urnas sobre plintos.

O piso térreo é centrado por portal em arco rebaixado protegido por cornija do mesmo perfil, sobre uma consola em forma de voluta. De cada lado do portal corre inferiormente um embasamento de aparelho regular de pedra, onde se rasgam dois vãos em arco rebaixado, preenchidos com grade de ferro forjado, cada um encimado por uma janela moldurada em arco rebaixado, com avental rectangular almofadado.

No piso 1, a eixo do portal, o pano central é preenchido por uma janela de sacada com base de perfil contracurvado e varandim de ferro forjado sobre mísula em voluta, com moldura em arco rebaixado rematado por um elemento escultórico concheado, de onde emergem folhagens ondulantes a acompanhar a forma do arco. Em cada um dos panos laterais abrem-se outras duas janelas de sacada de perfil e decoração idênticos à central, com varandins simples de ferro fundido.

O remate é em cornija, sobre a qual, unicamente no pano central, se eleva uma platibanda de pedra com entrelaçado de folhas, existindo sobre cada pano lateral uma chaminé cilíndrica.

No telhado, revestido com placas de cerâmica, localizam-se cinco janelas trapeiras, igualmente em arco rebaixado sob cornija diminuta.

Fachadas Laterais

As Fachadas Laterais têm desenho igual entre si. Acompanham o declive do terreno e apresentam uma organização de composição, igual à da fachada principal, excepto no que respeita à zona central, repetindo aqui as janelas de peito, de morfologia idêntica às já descritas nos panos laterais da fachada principal e nas marquises. Estas de desenho idêntico entre si adoçam-se às fachadas e têm marcado dois pisos, -1 e 0, com a mesma cornija que faz a leitura do piso térreo. Assim o seu desenho em cantaria no piso -1 tem uma porta e uma janela. No piso 0 possui alinhado com os vãos inferiores duas janelas rematadas com arco e curvilíneo e avental em cantaria.



Fachada Posterior

O alçado posterior tem o desenho da sua planimetria dividido em 3 panos através de pilastras. O corpo central, prolongado até ao último piso, é rematado na zona superior à frente da massarda, por tímpano triangular com platibandas em murete, encimadas por volutas. Aos panos extremos adoçam, ao nível do piso térreo, 2 corpos de planta rectangular (marquises) e cobertura piramidal de 4 águas, articulados entre si por galeria directamente comunicante com lanço de escadas axial, conducente a pátio na cota do piso -1.  



BAIRRADA, Eduardo Martins – “A Praça do Príncipe Real e os Vários Prédios que a Circundam”, in revista ICALP, nº 1, Lisboa, Março de 1985.

FRANÇA, José-Augusto – Monte Olivete. Minha Aldeia, Lisboa, 2001.

SANTANA, Francisco, “Praça do Príncipe Real”, in Dicionário da História de Lisboa (dir. de Francisco Santana e Eduardo Sucena), Lisboa, 1994, pp. 737, 738.

VALE, Teresa e FERREIRA, Maria – Palacete Ferreira de Carvalho, ficha IPA.00014195, IHRU, 2002. http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=14195

Século XIX

1861 – construção do edifício para servir de residência a António Ferreira de Carvalho, administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro, que casara com uma filha de Ribeiro da Cunha, um capitalista com residência nas proximidades.

Século XX

1919 – os proprietários alteraram o extremo sul do lado da rua do Jasmim para adaptação a garagem.

1920 – construção da mansarda.

Década de 1920, final – estiveram sucessivamente instaladas no palácio as Legações da Polónia e da Roménia.

1976 – aquisição do edifício aos proprietários António e Vasco Guerreiro Galla pelo Sindicato Nacional dos Telefonistas e Ofícios Correlativos do Distrito de Lisboa, actual Sindicato dos Trabalhadores da Portugal -Telecom, que aí instalaram os seus serviços e procederam a várias campanhas de obras de adaptação às novas funções.

Século XXI

2000 / 2002 – união dos dois corpos da fachada posterior, com criação de um espaço fechado.

Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom e Empresas Participadas

CML: Arquivo de Obras, Procº nº 9.058

Coordenação:   Isabel Mendonça  /  Helder Carita     Julho de 2014 

Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

Isabel Mendonça – Estuques

Lina Oliveira – Arquitectura (Fachadas, Cronologia, Bibliografia) / Decoração diversa

Tiago Molarinho Antunes – Arquitectura (Enquadramento Urbano e Paisagístico, Morfologia e Composição) / Programa Interior

Programa Interior

Piso -1

O piso -1 corresponde às fundações do palacete e terá albergado uma zona de serviços com quatro acessos, dois para o jardim a sudoeste na zona tardoz do palacete e dois para a rua; a sudeste para a rua da Palmeira, e a noroeste para a rua do Jasmim, lugar das cavalariças e cocheira.

Ao centro, as fundações da escada de aparato, confinam com a caixa forte do palacete, com respiração para o vestíbulo, no piso 0. O acesso à caixa forte é directo do piso 0, por lanço de escada, em comunicação com o corredor central do piso 0.


 

Piso 0

O piso 0 é ocupado por uma série de divisões ortogonais, localizadas entre o eixo marcado pelo vestíbulo, a escada de aparato e as fachadas laterais.

No piso 0 situa-se a entrada de aparato, na fachada principal, de frente para o jardim da praça do Príncipe Real.

A organização da distribuição interior corresponde a uma zona central com vestíbulo de comunicação principal com a caixa de escadas, situadas no centro do palacete, com acesso ao piso nobre. Do vestíbulo acede-se lateralmente a duas divisões (a localizada a Este terá sofrido uma intervenção na segunda metade do século XX). Em torno da caixa de escadas existe um corredor que comunica com as divisões que dão para a rua da Palmeira, a Sudeste, e para a rua do Jasmim, a Noroeste. Este corredor cria uma zona de intercomunicação entre o vestíbulo, a caixa de escadas de aparato e os corredores laterais. As divisões da zona sudeste são intercomunicantes. Pelo corredor tardoz acede-se a duas escadas, uma de ligação ao piso -1, num lanço de escadas directo à caixa forte, e outra no canto oeste, de dois lanços e patamar, que interliga os pisos 0, 1 e 2.

Na zona tardoz da planta, localizam-se três salas unidas (uma alteração da 2ª metade do século XX transformou a varanda ladeada por duas marquises exteriores, numa só divisão).


Piso Nobre (1)

O piso 1 repete a organização das divisões em volta da escada de aparato. As três salas que abrem para a fachada principal foram abertas na intervenção que o edifício sofreu na 2ª metade do século XX, correspondendo hoje a uma única divisão, cuja antiga compartimentação é visível no tecto tripartido.

Piso 2

O piso 2 repete novamente a organização do piso 1, com a zona frontal repartida simétrica e ortogonalmente. A zona central da escada de aparato é aqui encerrada por claraboia interior que ilumina a caixa de escada de aparato, nos pisos 0 e 1. Esta zona central tem escada de serviço com dois lanços e permite o acesso à cobertura.

Azulejaria
Estuques

Piso 0, divisão 1

O estuque relevado reveste a cobertura em quarto de esfera do nicho sob o primeiro lanço da escada, simulando uma concha; as paredes são decoradas com molduras de frisos de folhagem e o tecto mostra um engradado de pequenas flores.

 


 

Piso 0, divisão 2

Tecto de um plano rectilíneo, rodeado por friso de folhagem e pequenas conchas e compartimentado em painéis. A meio da composição, dentro de uma moldura de toros enlaçados, de perfil oval e contracurvada, figura uma grande rosácea de acantos rodeada de frutos. Os mesmos frutos repetem-se nos quatro cantos do tecto, dentro de cartelas de concheados e motivos vegetalistas, indiciando a função do espaço como sala de refeições. Na faixa que envolve o grande painel central vêem-se idênticas cartelas com as iniciais entrelaçadas “AH”, possivelmente do nome de baptismo do proprietário (António) e de sua mulher.  Os fundos são densamente preenchidos por engradados de pequenas flores.


Piso 1, divisão 1

Os alçados dos dois pisos da caixa da escada estão compartimentados em painéis por pilastras de fuste liso (1º piso) e estriado (2º piso) com capitéis com volutas e motivos vegetalistas e entablamento com friso de óvulos e dardos. O tecto, decorado com painéis de engradados centrados por cartelas com bouquets de rosas, é vazado por claraboia emoldurada por friso de flores enlaçadas.


Piso 1, divisão 2

Tecto sanqueado. O pano central é decorado por grande rosácea de folhas de acanto e bagas, dentro de uma reserva losangular, preenchida por engradado de botões. As faces oblíquas do tecto são preenchidas por enrolamentos de folhas de acanto com pequenas bagas, intercalados por palmetas e por cartelas de concheados.


Piso 1, divisão 3

Tecto sanqueado com reserva central circular decorada por roseta; nos quatro cantos, cartelas de concheados dentro de reservas preenchidas por engradados de botões.


Piso 1, divisão 4

Tecto sanqueado com reserva central octogonal decorada com rosácea; os fundos da reserva central e do painel envolvente são densamente preenchidos por engradados de botões, alternando com engradados de rosetas.


Pintura Decorativa
Decoração Diversa

Piso 1, divisão 1

Paredes vazadas por arcos de pedra calcária de perfil em asa-de-cesto sobre pilastras de faces emolduradas e pedra de fecho floral; o arco frontal, provido de guarda-vento de madeira, abre-se à largura total da parede, tendo inferiormente, a ladear os degraus de pedra que lhe dão acesso, dois plintos com grilhagem metálica de forma octogonal de cantos curvos decorada com motivos vegetalistas centrados por florão.

Pavimento de ladrilhos de pedra calcária e mármore, branco, cinzento e negro, formando um padrão de cubos perspectivados, emoldurado por faixa de lajes de calcário vermelho.

Corredor com pavimento de ladrilhos de pedra mármore branca e negra em forma de trapézio, conjugados em sequência alternada de cor e posição.

Porta de madeira com bandeira do mesmo, formando um arco pleno.


 

Equipamento Móvel
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009