A Casa Senhorial

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Palácio Eugénio de Almeida

Palácio Eugénio de Almeida
Palácio Vilalva
XIX - XX
Portugal

Arquitecto / Artistas Jean-François Colson (engenheiro e arquitecto); Valentim José Correia (arquitecto); Giuseppe Cinatti (arquitecto); Anatole Calmels (escultor); Pierre-Joseph Godefroy (marceneiro); Hardouin (escultor); Manuel Afonso Rodrigues Pita (estucador); Isidore Jean de Rudder (escultor); Alexandre Bertrand (serralheiro); Séguin (marmorista); Melot (marmorista); Jacob Weiss (jardineiro).

Arquitectura

Inserido na malha da cidade, o palácio está em contacto directo com o largo de São Sebastião da Pedreira, dele separado por pátio rodeado por gradeamento, e com as ruas Dr. Nicolau Bettencourt e Marquês de Sá da Bandeira (as antigas estradas de Palhavã e do Rego), para as quais deita as fachadas laterais. O parque de Santa Gertrudes, como é conhecido o jardim que outrora fez parte do palácio, está separado do lote do palácio pela rua Marquês de Fronteira (a antiga estrada da Circunvalação); encontra-se hoje repartido entre as antigas cavalariças, adaptadas a residência dos últimos condes de Vilalva, e a Fundação Calouste Gulbenkian. O palácio pertence à freguesia de São Sebastião da Pedreira e está implantado num terreno plano.

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O edifício, de planta trapezoidal regular e volumetria prismática, ocupa parte de um quarteirão delimitado pelo largo de São Sebastião da Pedreira, a Sul, e pelas duas ruas laterais que a partir do largo divergem segundo um mesmo ângulo até entroncarem na rua Marquês da Fronteira, a Norte. A fachada posterior do palácio abre para um terraço que se prolonga sobre dois corpos baixos que acompanham as ruas laterais até ao muro alto que delimita o quarteirão do lado norte.

As três plantas originais ainda existentes revelam um edifício com uma notável lógica compositiva. O átrio, a que se acede através da fachada principal, estabelece a comunicação com o restante edifício: com a zona de serviços da cave, com os espaços públicos e privados do piso térreo (escritórios, sala de leitura e biblioteca, sala de banho, sala de bilhar, gabinete privado e antecâmara), com os espaços de representação situados no 1º piso, através da escadaria de aparato, e ainda com a zona privada do 2º piso, através de duas escadas situadas a Norte da caixa da escadaria nobre, a que se acede através de um corredor disposto em torno da caixa de escada central.

A distribuição do espaço no 1º piso faz-se através da sala de espera, situada sobre o átrio, com portas de comunicação com as salas de aparato e com as escadas de acesso ao piso superior. O piso nobre é invulgarmente grandioso, mantendo ainda a decoração aplicada original e algum equipamento: dois amplos salões simétricos (designados na documentação como “Galeria dos Espelhos” e “Galeria das Pilastras”), inicialmente em comunicação com salas menores situadas a Norte e a Sul, através de amplas “serlianas”, ocupam as duas alas laterais. Acede-se à sala de jantar, outrora unida por amplos arcos com duas saletas laterais, através de um pequeno átrio com porta para o patamar superior da escadaria nobre.

A planta do 2º piso revela-nos ainda a espacialidade original da zona privada, repartida em quartos de dormir, antecâmaras e gabinetes privados destinados aos membros da família. Um oratório privado situava-se a Norte da caixa da escada principal.

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Voltada a Sudeste, para um pátio murado e gradeado com lago central. É composta por três corpos, os laterais em avançamento oblíquo, divididos por pilastras de cantaria almofadada, rusticada no piso térreo, com capitéis dóricos, delimitados por cunhais de cantaria idêntica, que acompanham os três pisos, separados por frisos e cornijas.

Piso 0, com embasamento alto, pouco saliente. No corpo central rasgam-se três grandes portais numa tripla arcada plena com fechos decorados com mascarões e enjuntas preenchidas com decoração de ramagens, sobre pilastras molduradas com capitéis dóricos, que se elevam de plintos. No piso 1 abrem-se três janelas emolduradas em arco pleno de dupla arquivolta, com pedras de armas nos fechos, a central com as iniciais de Eugénio de Almeida, e relevos de figuras alegóricas nas enjuntas, com guardas de balaústres de cantaria, flanqueadas por pilastras de capitel dórico. No piso superior, três janelas emolduradas em arco rebaixado com máscaras nos fechos, separadas por pilastras perfiladas com capitéis compósitos. Remate em frontão triangular, com frontão curvo inscrito, com o tímpano preenchido por um grupo escultórico em relevo figurando o “Estímulo ao Estudo”.

Os corpos laterais são simétricos e idênticos entre si, apresentando no piso 0 uma janela rectangular com medalhão simples sobre o lintel, flanqueada por pilastras estriadas encimadas por mísulas volutadas onde assenta o varandim com balcão de cantaria da janela de sacada do piso 1. Esta é emoldurada em arco rebaixado com máscara feminina no fecho e rematada por frontão semicircular sobre pequenas consolas. No piso 2 janela idêntica à do corpo central. Remate em platibanda de balaústres sobre friso com cornija, intercalada por pilares encimados por grandes vasos floridos.

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Fachadas laterais

São idênticas, inferiormente percorridas por embasamento pouco saliente, alto e escalonado com desnível pouco acentuado. Possuem um único corpo dividido em três panos, o central mais largo, divididos por pilastras de cantaria almofadada, inferiormente rusticada e delimitados por cunhais de aparelho idêntico, todos encimados por gárgulas em forma de carranca zoomórfica.

O piso 0 do pano central possui cinco janelas rectangulares gradeadas de ferro forjado pintado de branco. No piso 1 abrem-se cinco janelas de sacada em arco rebaixado com varandim de ferro forjado e no piso 2 outras cinco janelas em arco rebaixado com guardas de ferro forjado. Os panos extremos são idênticos aos corpos laterais da fachada principal. Remate em platibanda de balaústres sobre friso com cornija.

Fachada posterior

Voltada a Noroeste, para pátio ajardinado e murado, composta por cinco corpos em esquema simétrico, delimitados por cunhais de cantaria almofada, o central, saliente de forma trapezoidal, e os intermédios servidos por uma escalinata de dez degraus e os extremos, salientes e oblíquos, abrindo para terraços.

Na face central do corpo trapezoidal rasga-se um portal em arco pleno com fecho decorado com roseta entre pilastras apaineladas encimadas por mísulas decoradas com palmetas onde se apoia a varanda com balcão de balaústres de pedra, da janela de sacada em arco pleno, cingido por arco polilobado de lanços do 1º piso. Ladeiam o portal duas portas de moldura rectangular, também encimadas por mísulas volutadas que sustentam os varandins com guardas de ferro forjado das janelas de sacada do 1º piso, com moldura em arco rebaixado. No piso superior uma janela em arco rebaixado em cada face, a central com máscara no fecho.

Os corpos intermédios são idênticos, com 3 janelas em cada piso, rectangulares no térreo, de sacada em arco rebaixado com varandins de ferro forjado no 1º, e em arco rebaixado perfilado por cornija no 2º. Os corpos extremos possuem composição e vãos idênticos aos da frontaria. Remate em friso encimado por cornija onde se apoia platibanda de balaústres.

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AA.VV. – Palácio José Maria Eugénio de Almeida / Palácio Vilalva, ficha IPA.00007813, Lisboa, IHRU. Acessível em www. monumentos.pt.

AA.VV. – Cocheiras José Maria Eugénio / Casa de Santa Gertrudes, ficha IPA.00024255, em www.monumentos.pt.

ARAÚJO, Norberto de – Inventário de Lisboa, Fasc. VIII, Lisboa, 1950.

CALADO, Maria, FERREIRA, Victor Matias – Lisboa: Freguesia de São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 1991.

CARAPINHA, Aurora  – Fundação Calouste Gulbenkian. O Jardim, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2006.

FONSECA, Hélder Adegar e REIS, Jaime – “José Maria Eugénio de Almeida. Um capitalista da Regeneração”, in Análise Social, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, nº 99, 1987, pp. 865-904.

FRANÇA, José-Augusto – A Arte em Portugal no Século XIX, Lisboa, 1966.

LEAL, Joana Cunha – Giuseppe Cinatti (1808-1879. Percurso e Obra, Lisboa, dissertação de mestrado em História da Arte Contemporânea apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 1996.

LEAL, Joana Cunha – "Às portas de Lisboa: o palacete de J. M. Eugénio de Almeida em São Sebastião", in Revista de História da Arte, Lisboa, Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa , nº2, 2006, pp. 106-125.

MATOS, José Sarmento de  – “Uma escolha acertada”, in Sede e Museu Gulbenkian. A Arquitectura dos anos 60 (coord. de Ana Tostões), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2006, pp. 44-57.

MENDONÇA, Isabel Mayer Godinho – “Estuques de Paris e parquets de Bruxelas num palácio oitocentista de Lisboa”, in A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro. Anatomia dos Interiores (coord. de Isabel Mendonça, Hélder Carita e Marize Malta), Lisboa, Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa, Rio de Janeiro, Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2014, pp. 445-471.

PEREIRA, Gabriel – Pelos subúrbios e vizinhanças de Lisboa, Lisboa, A. M. Teixeira & Cia., 1910.

SILVA, Raquel Henriques da – Lisboa Romântica, urbanismo e arquitectura (1777-1874), Lisboa, 1997, tese de doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

SARDICA, José Miguel – José Maria Eugénio de Almeida. Negócios, Política e Sociedade no Século XIX. Lisboa: Quimera Ed., 2005.

SARDICA, José Miguel – “Economia e Política no século XIX português. O caso biográfico de José Maria Eugénio de Almeida”, in Gaudium Sciendi, Lisboa, Sociedade Científica da Universidade Católica, nº 1, Março de 2012, pp. 13-34. Acessível em www.ucp.pt.

Documentação

Câmara Municipal de Lisboa: Arquivo de Obras, Procº nº 27.953.

Arquivo e Biblioteca de Eugénio de Almeida (ABEA), Évora: Desenhos e plantas do palácio de S. Sebastião da Pedreira assinados por Jean-François Colson: plantas do piso térreo, 1º e 2º pisos; desenho da fachada principal; cortes transversais e longitudinais.

Álbum de fotografias do palácio Eugénio de Almeida realizado antes da venda ao Estado português.

Séc. XIX

1858, 22 de Junho – José Maria Eugénio de Almeida, capitalista detentor de uma das maiores fortunas da época, comprou o arruinado palácio mandado construir na década de 1720 por Fernando de Larre, Provedor dos Armazéns. Dois anos antes tinha já adquirido o vasto terreno situado a Norte da Estrada da Circunvalação, com cerca de oito hectares, conhecido como quinta da Provedora, que fizera parte da propriedade da família Larre.

1859, Fevereiro  – início das obras de demolição e aterros com vista à implantação do novo palácio.

1859, Dezembro  – aprovação do projecto de remodelação do palácio, da autoria do engenheiro e arquitecto francês Jean-François Colson, pela Câmara Municipal de Lisboa.

1860, Maio – Colson regressou a Paris, continuando a acompanhar a obra à distância até inícios de 1864, contratando os serviços do marmorista parisiense Séguin e intermediando a obra de decoração de estuques com o escultor Hardouin.

1861 (Junho/Outubro)  –  Eugénio de Almeida realizou uma viagem a Paris e a Bruxelas, contratando então os serviços de Pierre-Joseph Godefroy, fornecedor das cortes belga e francesa e proprietário de uma moderna oficina de marcenaria em Bruxelas.

1862/1867  –  Godefroy forneceu os parquets, o mobiliário para a biblioteca e escritório, além das portas e janelas e do projecto para uma casa de banho, instalados pelos seus operários que por várias vezes se deslocaram a Lisboa. Intermediou ainda o fornecimento de lareiras, encomendadas ao marmorista belga Melot, e o projecto inicial para os estuques da biblioteca, da autoria do escultor Isidore Jean de Rudder.

1862/1864  –  realização dos estuques do palácio pela oficina lisboeta do estucador Manuel Afonso Rodrigues Pita, natural de Carreço, Viana do Castelo, utilizando os desenhos do escultor parisiense Hardouin.

1864 – primeiro projecto de ajardinamento do terreno da antiga quinta, que passou a ser designado como parque de Santa Gertrudes, incluindo um edifício destinado a cocheiras e cavalariças, pelo arquitecto português Valentim José Correia, posteriormente adaptado pelo cenógrafo italiano Giuseppe Cinatti.

1866 – início da obra do parque de Santa Gertrudes, sob a direcção do jardineiro suíço Jacob Weiss.

1883 – cedência de parte do parque de Santa Gertrudes para instalação do Jardim Zoológico e de Aclimação de Lisboa, aí permanecendo até 1909.

Séc. XX

1943/1947 – durante este período funcionou no parque de Santa Gertrudes uma Feira Popular, cujos proventos reverteram para a colónia balnear do jornal “O Século”.

1947 –  o palácio foi adquirido pelo Estado para instalação do Quartel-General do Governo Militar de Lisboa, pelo montante de 15.000 contos. Procederam-se então a obras de adaptação às novas funções, sob a direcção do arquitecto António Quinina e dos engenheiros João de Deus Pimentel e Filipe Ribeiro (compartimentação das galerias dos espelhos e das pilastras e da casa de jantar). Procedeu-se à construção de anexos para a cozinha, refeitório e camaratas, e ao levantamento de uma cerca provida de guaritas, na vertente voltada á Av. Duque de Ávila.

1948, 28 de Agosto –  instalação do Quartel-General do Governo Militar de Lisboa.

1973–  um incêndio destruiu o sótão do palácio; a água que caiu nos andares inferiores danificou alguns estuques e pavimentos, levando à realização de obras de reparação e restauro; obras de ampliação com a construção de um piso adicional, diminuindo-se para tal o pé-direito do piso 2.

Pormenor da CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA E SEUS SUBÚRBIOS EM 1807, Duarte José Fava, 1807.

mc.gra.0481.3 - pormenor


Desenhos do projecto de renovação integral do antigo Palácio Larre, assinados pelo Arquitecto Jean-François Colson para Eugénio de Almeida. Piso 0, 1 e 2

Album de fotografias do Palácio de Eugénio de Almeida. 1900. Arquivo e biblioteca de Eugénio de Almeida

album sala de canto 2 758 album sala de jantar 763 album sala de jantar 764 ea_ 4 ea_ 5 ea_ 6 ea_ 7 ea_ 8 ea_ 9 ea_ 10 ea_ 11 ea_ 12 ea_ 13 ea_ 14 ea_ 15 ea_ 16 ea_ 17 ea_ 19 ea_ 20 ea_ 21 ea_ 22





Coordenação:   Isabel Mendonça  /  Helder Carita     Julho de 2014  

Autoria dos textos referentes aos campos da ficha:

Isabel Mendonça – Arquitectura / Estuques

Lina Oliveira – Decoração Diversa

Programa Interior
 Piso -1

Corresponde ao espaço da cave situada sob o terraço para o qual abre a fachada norte do palácio e debaixo da ala poente, virada para a rua Dr. Nicolau Bettencourt. Ao piso -1 correspondem ainda os dois corpos cobertos por terraço no prolongamento das duas alas laterais simétricas do palácio, a Poente e a Nascente. No corpo nascente, alinhado com a rua Marquês de Sá da Bandeira, existem ainda as antigas cozinhas do palácio de Fernando de Larre, com a sua lareira de triplo vão, guarnecida de cantaria.

Piso 0

Do vasto átrio, virado a Sul, acede-se por escadas de um lanço à caixa da escadaria nobre, de planta oval, a dois corredores que a circundam e às duas alas laterais simétricas, a Nascente e a Poente. Um corredor estabelece a comunicação entre a caixa da escadaria nobre e a antiga sala de bilhar, de planta circular, que abre para o terraço, em comunicação com o jardim, do lado norte. Dos lados deste corredor dispõem-se dois saguões e duas escadas privadas de acesso aos pisos superiores. Duas escadas de serviço, nas extremidades do corpo norte, estabeleciam outrora a comunicação com a cave. Na ala nascente existe ainda a sala de leitura em comunicação com a ampla biblioteca, ambas forradas de madeira e ainda com as lareiras e parte do mobiliário original. A seguir à biblioteca ficava a casa de banho privada (o “cabinet de bain” referido na documentação) de José Maria Eugénio de Almeida, restando ainda o tecto original de perfil oitavado e a lareira em mármore. Na ala poente situavam-se os escritórios onde estavam sedeadas as actividades económicas do prprietário, que tinha também o seu gabinete privado com antecâmara na extremidade norte e na sala contígua. A imponente escadaria em cantaria, com anteparas lavradas, permitia o acesso apenas ao piso nobre, através dos seus duplos lanços simétricos, divergentes e convergentes, intercalados por patamares.


Piso 1

Corresponde ao piso nobre do palácio. O acesso aos dois amplos salões, situados nas alas nascente e poente, fazia-se através da sala de espera, situada a Sul, por cima do átrio. Os salões, referidos na documentação como “Galeria dos Espelhos” e “Galeria das Pilastras” prolongavam-se por salas menores situadas nas extremidades, a Norte e a Sul, com as quais comunicavam por “serlianas”. A sala de jantar, virada a Norte, por cima da sala de bilhar, era inicialmente ladeada por duas salas menores rasgadas por amplos vãos em arco redondo. Tal como no piso 0, um corredor circunda a caixa da escada, estabelecendo a circulação entre a sala de espera e os saguões e as duas escadas de serviço.


Piso 2

Neste piso situavam-se os quartos de dormir com as suas antecâmaras e os gabinetes privados dos membros da família. A norte da caixa da escadaria nobre existia ainda um oratório, situado entre os dois saguões. À excepção de algumas lareiras em mármore, nada resta da decoração original, que terá desaparecido com a adaptação do palácio às novas funções e com o incêndio de 1973.


 


Azulejaria
Estuques

Piso 0, divisão 1

Nos tímpanos dos frontões das quatro portas laterais do átrio figuram os bustos de Vasco da Gama e Luís de Camões, de um lado, de Rafael de Urbino e Isaac Newton, do outro. O tecto é preenchido por uma malha de octógonos regulares centrados por rosetas, alternando com pequenos quadrados e círculos.

Piso 0, divisão 2

Compreende a sala de leitura e a biblioteca, separadas por antepara em madeira. Os tectos das duas salas, de diferentes proporções – o primeiro de planta quadrada, o segundo de planta rectangular – mostram palmetas e concheados nos cantos e rosáceas centrais com motivos florais dentro de concheados e uma malha de fundo engradada.  


Piso 0, divisão 3

O antigo “cabinet de bain” mostra ainda o tecto original de perfil oitavado, com grande rosácea de folhas de acanto ao centro e cartelas de concheados e gradinhas nos cantos.


Piso 0 divisão 4

Tecto com rosácea central de folhas e flores de acanto. Os estuques foram realizados em 1864 pela oficina lisboeta do estucador Manuel Afonso Rodrigues Pita, natural de Carreço, no concelho de Viana do Castelo.


Piso 0, divisão 5

O tecto da antiga sala do bilhar, de perfil oitavado, é centrado por grande rosácea de folhas de acanto. Finas molduras enquadram a rosácea central e os medalhões dos cantos com pinturas alusivas às fábulas de La Fontaine.


Piso 0, divisão 6

Tecto com rosácea central composta por enrolamentos fitomórficos em baixo-relevo a que se sobrepõem folhas de acanto e rosas relevadas. Motivos idênticos preenchem os cantos do tecto.


Piso 0, divisão 7

O tecto do antigo gabinete de Eugénio de Almeida é centrado por painel com dupla moldura contracurvada centrado por rosácea com folhas de acanto de relevo acentuado, destacando-se sobre enrolamentos fitomórficos e engradados em baixo relevo.


Piso 0, divisão 8

No eixo longitudinal do tecto alinham-se três painéis moldurados centrados por rosáceas, compostas por folhas e flores de acanto, rosas e engradados.


Piso 0, divisão 9

Tecto decorado por elaborada composição que agrega motivos relevados – cartelas de concheados e rosas – com motivos fitomórficos e fitas enlaçadas em baixo-relevo. 


 

Piso 0/1, divisão 10

As paredes arredondadas da caixa da escada estão divididas em dois registos e compartimentadas em painéis. A sanca apoia-se em mísulas decoradas com cabeças de meninos. As duas portas de acesso ao piso nobre, enquadradas por estípites terminadas em troncos de homens barbados, são rematadas por frontões com cartelas com as iniciais entrelaçadas do proprietário (“EA”), amparadas por meninos. Frontões rematados por meninos e “espagnolettes” encimam as várias janelas que rasgam as paredes da escada.


Piso 1, divisão 1

No átrio de acesso à sala de jantar, um friso de óvulos e dardos rodeia a sanca do tecto, por sua vez compartimentado em painéis, decorados por finos enrolamentos de acantos. 


Piso 1, divisão 2

Nas paredes da antiga sala de jantar molduras delimitam um lambril e enquadram os dois espelhos sobre as lareiras, alternando com painéis decorados com motivos florais, concheados e fitas enlaçadas. No tecto destacam-se cartelas com meninos brincando, comendo e bebendo.


Piso 1, divisão 3

A saleta estava inicialmente unida à sala de jantar por arco entretanto entaipado. As paredes são compartimentadas em painéis decorados por motivos florais. O tecto, rodeado por sanca com cartelas de concheados centrados por flores, é decorado nos quatro cantos por frutos.


Piso 1, divisão 4

Saleta situada a norte da Galeria dos Espelhos, inicialmente com ela comunicando através de uma “serliana”, entretanto entaipada. As paredes estão compartimentadas em painéis maiores decorados com urnas e bustos de homens barbados, pendurados de fitas e grinaldas, alternando com painéis menores decorados com festões. Sobre as portas e janelas, vêem-se alegorias às estações do ano figuradas por meninos entretidos em várias actividades. Sobre o arco que outrora unia esta saleta à Galeria dos Espelhos está figurada uma cartela com a águia do timbre das armas da família Almeida. O tecto é preenchido por duas molduras de ornatos vegetalistas, concêntricas, a exterior quadrada e a interior circular. Pares de meninos seguram as grinaldas que percorrem a sanca.


Piso 1, divisão 5

Galeria dos Espelhos - as paredes são compartimentadas em painéis alternando com as portas-janelas e com os espelhos da parede oposta, decorados com motivos florais, festões e gradinhas preenchidas por abelhas. Nas sobreportas painéis com meninos ladeando cartelas; sobre os vãos que outrora uniram esta sala às saletas das duas extremidades, encontramos cartelas com águias com besantes no corpo, uma alusão ao timbre das armas da família Almeida, da nobreza do antigo regime. O tecto é densamente preenchido por rosáceas alternando com painéis com cartelas de concheados, “espagnolettes” e engradados de pequenas flores. 


Piso 1, divisão 6

Saleta situada a Sul da Galeria dos Espelhos, inicialmente com ela comunicando através de uma “serliana” que entretanto foi entaipada. As paredes estão compartimentadas em painéis decorados com concheados, folhas e flores de acanto e gradinhas. Sobre o arco que outrora unia esta saleta à Galeria dos Espelhos está figurada uma cartela com a águia da pedra de armas da família Almeida. O tecto é decorado por painel moldurado de perfil circular. Destaca-se a sanca densamente preenchida por folhas de acanto e motivos estriados, com os cantos marcados por cartelas preenchidas por gradinhas.


Piso 1, divisão 7

A sala de espera, situada na ala sul, diametralmente oposta à sala de jantar e abrindo directamente para o patamar da escada, tem as paredes compartimentadas por pilastras de fuste estriado com capitéis compósitos. Molduras vegetalistas rodeiam espelhos dos lados da porta principal, sobrepujados por cabeças de meninos ladeadas de concheados. O tecto, de planta oitavada, é densamente preenchido por painéis decorados com rosáceas de acantos alternando com fundos engradados.


Piso 1, divisão 8

Saleta situada a Sul da Galeria das Pilastras, inicialmente com ela comunicando através de “serliana” entretanto entaipada. Nas paredes destacam-se as sobreportas decoradas por painéis de engradados. Tecto com painel circular rodeado por moldura. A sanca é preenchida por pares de meninos segurando grinaldas, intercalados por cartelas centradas por rosas.


Piso 1, divisão 9

Galeria das Pilastras - as paredes são compartimentadas por pilastras com capitéis decorados com “espagnolettes”, dispostas entre as portas-janelas e dos lados das portas e do espelho que encima a lareira. O tecto é densamente preenchido por grandes painéis ovais transversais, preenchidos por rosetas, enrolamentos e gradinhas, alternando com rosetas e painéis engradados.


Pintura Decorativa
Piso 0, divisão 5
Tecto com pintura decorativa do século XIX, composta por oito painéis inscritos em reservas circulares com cenas representando fábulas.
Decoração Diversa

Piso 0, divisão 1

Fechadura e puxador metálicos com formas volutadas e auriculares, decoradas com motivos vegetalistas e florais.


 

Piso 0, divisão 2

Escada com guardas de madeira entalhada com formato de finos balaústres decorados com anéis de esferas e motivos vegetalistas.

Paredes revestidas por grandes armários de madeira, compostos por um corpo inferior baixo, com 2 portas apaineladas de molduras filetadas rectangulares com cantos curvos, decoradas com elementos vegetalistas, que se repetem no cimo das ilhargas. Segue-se um par de gavetas baixas igualmente apaineladas com fechadura inscrita numa flor que emerge de elemento vegetalista estilizado e, sobre estas, um corpo alto com portas apaineladas filetadas, superiormente curvas e decoradas com elementos vegetalistas, idênticos aos das ilhargas. O remate é recortado, centrado por pequeno medalhão elíptico envolto por cartela concheada flanqueada por folhagens, motivos auriculares concheados e florais, que se repete num friso.

Pavimento em parquet de madeira formando losangos, com cercadura de meandros quebrados.

Lareira em mármore negro de pés-direitos lisos e superiormente filetada e centrada por um pequeno arco pleno onde se inscreve uma roseta. A armação metálica interior é guarnecida por elementos vegetalistas estilizados, em dourado.

Fechadura e puxador metálicos com formas volutadas e auriculares, decoradas com motivos vegetalistas e florais.


Piso 0, divisão 3

Lareira em mármore branco, com pedra superior almofadada, centrada por círculo em relevo, com intradorso em arco deprimido sobre pilastras almofadadas a envolver a armação metálica decorada com motivos geométricos e vegetalistas estilizados.


 

Piso 0, divisão 5

Lareiras de calcário vermelho com pedra superior almofadada, centradas por círculo em relevo, com intradorso em arco pleno de enjuntas almofadadas e fecho em voluta estriada, sendo a armação metálica interior decorada com volutas e elementos vegetalistas.


 

Piso 0, divisão 6

Porta envidraçada com caixilhos de madeira formando moldura de cantos curvos e superiormente em meio-arco pleno com a enjunta talhada em losangos. Fechadura e puxador metálicos com volutas.

Paredes com lambril apainelado de madeira.

Puxadores metálicos das janelas com motivos auriculares concheados, folhas e flores.


Piso 0, divisão 7

Lareira em mármore negro com pedra superior almofadada centrada por fecho de volutas estriadas e intradorso rebaixado, suportada por consolas. Armação metálica com decoração geométrica e vegetalista estilizada.


 

Piso 0, divisão 8

Grande armário de 3 corpos altos com almofadas espelhadas na frente, de cantos curvos; os corpos inferiores são baixos e encimados por gavetas e as almofadas dos corpos superiores possuem um arco idêntico ao das portas da Divisão 6; o remate é superiormente elevado em volutas que ladeiam um pequeno florão.

Fechadura e puxador metálicos com formas volutadas e auriculares, decoradas com motivos vegetalistas e florais.


Piso 0, divisão 9

Puxadores metálicos das janelas com motivos auriculares concheados, folhas e flores.

Puxador de porta decorado com pequeno medalhão elíptico, elementos vegetalistas e volutas.

Puxador de porta de ferro com elementos vegetalistas.


Piso 0/1, divisão 10

Dupla escadaria de pedra com guardas de balaústres gomados e estriados com remate vegetalista, iniciando-se com pilares facetados encimados por candelabros metálicos com globos de vidro.

Paredes laterais da escadaria revestidas com silhares de forma triangular de mármore branco e negro com rosetas nos vértices.

Ao cimo do 1º lanço de escada, parede apainelada e almofadada com silhar rectangular de mármore branco e negro com moldura de cantos curvos acantonada de rosetas, encimado por vão em arco pleno sobre mísulas, de moldura recortada e guarnecida de pequenas volutas, centrada por fecho vegetalista e encimada por cornija rematada por máscara envolta em cartela enquadrada por volutas vegetalistas e coroada por elemento floral.

Na curvatura da escadaria entre lanços, as guardas são preenchidas, em ambas as faces, por painéis decorados com relevos de motivos de forma auricular volutados e concheados e folhagem recortada, com ilhargas decoradas com festões.

Grande espelho com moldura rectangular de pedra almofadada sobre mísulas de palmetas, a central maior e recortada com volutas, encimado por cornija que suporta composição em relevo formada por 2 putti sentados de lado que seguram um medalhão elíptico inscrito numa cartela de recortes volutados, guarnecido por folhagens e coroado por florão.

Porta em arco pleno flanqueada por 2 estípites encimadas por hermas figurando atlantes, onde se apoia a moldura do arco, perfilado por filete de óvulos e tendo como fecho uma voluta estriada e vegetalista, onde se apoia, seguro por 2 putti sentados lateralmente, um medalhão com monograma envolto por cartela de volutas concheadas e vegetalistas e encimado por elementos volutado de onde pendem festões.

Óculo elíptico com vital armoriado, de moldura pétrea superiormente centrado por fecho com palmeta que sustenta cabeça de leão.

Puxadores de porta metálicos recortados com elementos vegetalistas.

Piso 1, divisão 1

Portas emolduradas em arco recto e em arco pleno com fecho volutado decorado com palmeta.


 

Piso 1, divisão 2

Lareiras de calcário vermelho de pedra superior almofadada e recortada, centradas por grande florão, apoiadas em consolas decoradas com palmetas recortadas, conchas e volutas.

Pavimento de parquet de madeira, formando painéis axadrezados e um medalhão elíptico com monograma entre 2 ramos com os pés passados em aspa.


Piso 1, divisão 4

Lustre de metal com aplicações, pingentes e festões de vidro.


Piso 1, divisão 5

Pavimento em parquet de madeira formando padrão de losangos preenchidos com elementos compostos por 4 volutas de folhagem estilizada compondo pétalas em redor de um botão, emoldurado por cercadura vegetalista.

Grande lustre de metal com pintura dourada, com volutas, ramagens floridas, cartelas e pequenas sanefas fingidas.


Piso 1, divisão 6

Lustre metálico com aplicações e festões de vidro, composto por enrolamentos helicoidais de ramagens estilizadas.


Piso 1, divisão 7

Pavimento de parquet de madeira formando padrão de losangos emoldurado por cercadura com elementos geométricos e vegetalistas centrados por monograma.

Porta apainelada de molduras guarnecidas por elementos vegetalistas e florais em alto-relevo.

Ferragens de fechaduras em metal recortadas com volutas e elementos vegetalistas estilizados e puxador com pequeno medalhão elíptico.


Piso 1, divisão 9

Lareira de mármore cinzento, com moldura dourada de folhas e flores, encimada por friso de palmetas que sustenta pedra de perfil côncavo contra espaldar liso, com caneluras preenchidas com série de elementos esféricos.

Ferragens de fechaduras em metal recortadas com volutas e elementos vegetalistas estilizados e puxador com pequeno medalhão elíptico.


Equipamento Móvel
Piso 1, divisão 5
Equipamento Diverso


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PTCD/EAT-HAT/11229/2009