A Casa Senhorial

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Francisco Vilaça (c.) 1850 – 1915)

Francisco Vilaça (c.) 1850 – 1915)
XIX

Arquitecto, pintor e decorador oitocentista, ao que se julga de grande cultura, desenvolvendo a sua actividade em Lisboa até ao início do século XX.

Como decorador e pintor, a sua obra mais marcante foi a direcção da redecoração dos interiores do Palácio do Beau Séjour, em Benfica, no âmbito de uma importante campanha de obras de enriquecimento decorativo promovida pelos herdeiros do Barão da Glória, na qual, para o efeito, reuniu os melhores artistas da época, na maioria do “Grupo do Leão”, responsáveis pela introdução do naturalismo na pintura portuguesa, tendo ainda a seu cargo particular a decoração da Galeria e a Sala da Música.

O tecto da Galeria data de 1887, contendo representações alegóricas da Escultura e Pintura e medalhões com retratos de Rafael e Miguel Ângelo ou Cellini, em estilo neo-renascentista. Em 1891-1892 pintou a Sala da Música com cenas festivas em que participam várias personagens da mitologia clássica dançando ao som de instrumentos musicais numa floresta, em telas que revestiam as paredes, conjugados com emblemas, instrumentos musicais, figuras e máscaras em estuque, e, no tecto, outra figura mitológica tocando flauta.

As composições de fundos paisagistas foram provavelmente fruto da inspiração que colhera durante algumas deslocações a França alguns anos antes, onde se impunha uma nova pintura ao ar-livre de carácter naturalista desenvolvida por Barbizon, viagens que foram promovidas pelo seu mecenas e co-proprietário do palácio José Leite de Guimarães.

De sua autoria na mesma sala são um baixo-relevo, uma vez mais de inspiração mitológica ligada a Baco, duas placas de estuque pintado representando a deusa Diana, e ainda os bancos-floreira semicirculares, posteriormente modificados. Para as paredes da Sala de Estar executou diversas pinturas de cavalete com temática de marinhas para serem expostas nas paredes.

Da sua traça é o Palacete O’Neil, actual Museu Condes Castro Guimarães, em Cascais, iniciado em 1904, com base num desenho de Manini, de acentuado eclectismo revivalista, e a “Casa branca”, em Monte Estoril.

Realizou ainda várias pinturas a pastel e óleo com a temática de paisagens de Sintra, de gosto naturalista.

Bibliografia

BRAGA, Pedro Bebiano – Beau Séjour: Interiores 1887-1892, Comunicações e painéis, III Encontro de Técnicos da CML – Lisboa: Câmara Municipal, 1995, p.103-107.

PAMPLONA, Fernando de – Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses. Vol. V. 2º ed. Lisboa: Livraria Civilização Editora, 1988.

VALE, Teresa Leonor M. – O Beau Séjour: uma Quinta Romântica de Lisboa. Lisboa: Livros Horizonte, Lda., 1992.

 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009