A Casa Senhorial

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José da Costa e Silva (1747-1819)

José da Costa e Silva (1747-1819)
XVIII,XIX

Arquitecto nascido em 1747 que cursou engenharia em Lisboa com Filipe Rodrigues e desenho figurativo com o mestre milanês Carlos Maria Ponzoni. Em 1769 deslocou-se a Bolonha na companhia de Angelo Brunelli para completar os seus estudos, e aí teve como mestres Petronio Francelli, pintor de perspectiva, e Carlos Bianchoni, desenhador, arquitecto civil e pintor histórico, alcançando uma qualidade que lhe valeu dois prémios e a sua inclusão no grupo dos académicos de honra e mérito da Universidade de Bolonha, em 1775. Nesse ano partiu para Roma e daí para Nápoles, Vicenza, Veneza, Pisa, Verona, Florença, onde colheu vasta informação artística e inspiração neoclássica.

Em 1779 regressou a Portugal e, após declinar o convite para reger a cadeira de Arquitectura na Universidade de Coimbra, teve a seu cargo a conclusão da capela-mor da igreja do Loreto, dos italianos, em Lisboa. Quando, em 1781, D. Maria criou a nova Aula de Desenho, foi Costa e Silva que ocupou a Cadeira de Arquitectura Civil e teve temporariamente à sua responsabilidade as Obras Públicas. No mesmo ano enviou à Academia de S. Lucas de Roma alguns desenhos que lhe valeram a patente de Académico de Mérito. Em 1789 projectou e dirigiu a obra do novo Erário Régio no alto da Cotovia, baseada em Serlio, de que se conhece apenas a planta e a maqueta, já que a construção foi suspensa em 1795 por falta de verba.

Da sua autoria é o risco do Teatro Nacional de S. Carlos, destinado exclusivamente para ópera e que foi iniciado em 1792 com o patrocínio de ricos burgueses ligados ao negócio do tabaco. Costa e Silva colheu inspiração em Itália e na tratadística, sobretudo no teatro da ópera de Nápoles e na fachada do Scala de Milão, com um pórtico rusticado e varanda balaustrada, embora de composição mais simplificada. No interior trabalharam importantes pintores de decoradores como Cirillo e Manuel da Costa.

Quando D. João VI determinou construir um grandioso Palácio na Ajuda em 1795, Manuel Caetano foi o arquitecto escolhido, mas as obras foram suspensas poucos anos depois e só retomadas em 1802, na sequência de problemas financeiros e das críticas dos “inovadores” Fabri e Costa e Silva ao plano “antiquado”, mais barroquista, de Caetano, que se viu afastado da obra. Aqueles foram então nomeados arquitectos das Obras Públicas e Reais e incumbidos de delinear um projecto para a conclusão do Palácio, o que fizeram já dentro de um espírito neoclássico, embora mantendo o que já estava construído. A obra decorreu sem interrupções até 1807, data em que a primeira invasão napoleónica determinou a ida da família real para o Brasil, fazendo parar a edificação.

Outra obra grandiosa foi-lhe encomendada pela Princesa D. Maria Francisca Benedita, para ser erguida em Runa, Torres Vedras, que incluía um hospital militar, um palácio real e uma igreja a centrar a sua fachada, como em Mafra, de linhas sóbrias, possuindo uma planta em cruz latina com topos redondos, revestida de embutidos e decorada com estatuária portuguesa e italiana. Foi projectada em 1792 e a obra decorreu até 1827, sendo muito prejudicada pela ausência da família real e interrompida na sua fase final.

Em 1803 Costa e Silva projectou ainda a Academia Real da Marinha e Comércio do Porto, remodelados quatro anos depois por Carlos Amarante.

Em 1812 foi chamado à Corte do Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 1819, tendo no ano anterior vendido à Biblioteca Real a sua enorme e valiosa colecção de obras de arte, livros, manuscritos, gravuras, desenhos e esboços de mestres italianos e seus, hoje pertença da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Bibliografia

CARVALHO, Ayres de – Os Três Arquitectos da Ajuda. Lisboa: Academia nacional de Belas-Artes, 1979.

MACHADO, Cirillo Wolkmar – Colecção de Memórias Relativas às Vidas dos Pintores, Escultores, Arquitectos e Gravadores Portugueses e Estrangeiros (…). Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922.

PEREIRA, Paulo (dir.) – História da Arte em Portugal, vol. III. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995.

VITERBO, Sousa – Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, vol. I. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1988.

 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009