A Casa Senhorial

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Fortunato Lodi (1812-1882)

Fortunato Lodi (1812-1882)
XIX

Nasceu em Bolonha em 1805, formando-se em Forlì com Missirini e Casali e em Bolonha na Academia de Belas Artes, entre 1820 e 1826, onde os seus projectos foram distinguidos com vários prémios. Em seguida frequentou cursos de filosofia, matemática e engenharia e começou a percorrer Itália e a realizar trabalhos de arquitectura, ornamentação e pintura decorativa. Em 1826, estando em Roma, onde acabara de ingressar no Alunnato Romano, veio subitamente para Lisboa, provavelmente por questões políticas ou por influência do seu tio, Francisco António Lodi, que, ao tempo era empresário e cenógrafo do teatro S. Carlos, e consigo veio um seu irmão que residiu numa quinta com palácio, localizada em S. Domingos de Benfica.

Rapidamente ingressou no círculo da alta sociedade lisboeta, através do conde de Farrobo, Joaquim Pedro Quintela, com quem desenvolveu não só laços de amizade como de parentesco, já que este desposou uma prima de Lodi, tornando-se o seu principal mecenas entre 1834 e 1848, sendo a sua obra principal a do Teatro D. Maria II.  

Em 1836, partindo de uma ideia do governador civil de Lisboa, Joaquim Larcher, para a criação dum teatro de arte dramática, de acordo com os ditames da nova cultura do liberalismo e da emergente sociedade burguesa romântica, Almeida Garrett, ao tempo nomeado inspector-geral dos teatros, apresentara um projecto da autoria do pintor e decorador italiano Luís Chiari, com uma feição neoclássica romana, e o local eleito foi o do arruinado edifício do Tesouro, antes Palácio dos Estaus e da Inquisição, no Rossio, coração da capital.

Contudo, a construção foi suspensa e a localização mudada para o Convento de S. Francisco da Cidade, tendo sido apresentados 3 projectos de Manuel Joaquim de Sousa com um gosto pombalino mais austero, mas nada foi feito. Entretanto, Garrett alcançou, em 1840, a elaboração de uma lei que impunha a edificação de um teatro nacional e a Comissão encarregue do mesmo, composta por vários arquitectos entre os quais Lodi, voltou a escolher o Rossio.

Após apresentação de 6 projectos, sem que nenhum fosse escolhido, em Abril 1842 foi a vez de Fortunato Lodi ver o seu traçado aprovado e modificado no ano seguinte para melhor se adaptar ao espaço escolhido, o que, sob patrocínio do rei-consorte D. Fernando II, se materializou num edifício de gosto moderno com linhas neoclássicas de influência paladiana que foi inaugurado em 1846, imprimindo uma forte marca na Praça do Rossio e que valeu a Fortunato Lodi a nomeação como arquitecto da Casa Real.

Anteriormente a esta realização, Lodi fora encarregue da reedificação do pequeno teatro Tália, integrado no Palácio dos condes de Farrobo nas Laranjeiras, cujo pórtico patenteia afinidades com o do teatro de D. Maria II, e foi provavelmente por influência e parentesco com os Quintela-Farrobo que obteve a aprovação do projecto deste, apresentado fora do concurso, o que gerou alguma polémica, sobretudo por ter sido preferido um arquitecto italiano a um nacional.

Outra das obras que Lodi efectuou em Lisboa foi no Palácio da Quinta das Águias, dos Corte-Real, em Alcântara, encomendada em 1841 pelo visconde da Junqueira, José Dias Leite de Sampaio.

Em 1848, Fortunato Lodi deixou Portugal e regressou a Bolonha, onde foi nomeado professor suplente de arquitectura na Academia de Belas Artes, pouco tempo depois dispensado por razões políticas e, em 1851, desempenhou o mesmo cargo na Academia Carrara de Bergamo, para onde se transferiu e permaneceu até 1859, realizando projectos para a Academia de Belas-Artes, fachada do Duomo, Câmara Municipal, Porta Nuova e dirigindo o restauro da Basílica de Santa Maria Maggiore.

De novo em Bolonha, dedicou-se ao ensino na Cátedra de Arquitectura e publicou vários manuais didácticos, ao mesmo tempo que continuou a exercer a sua actividade de arquitecto e decorador em igrejas, palácios, teatros e estação ferroviária de Bolonha, até ao seu falecimento que ocorreu em 1882 na mesma cidade.

Bibliografia

CARVALHO, Pinto de – Theatro D. Maria II. In______Revista Brasil-Portugal. Nº 68, 16 Novembro de 1901.

FRANÇA, José-Augusto – A Arte em Portugal no séc. XIX. Vol. 1. Lisboa: Bertrand Editora, 1990.  

Idem - A Arte Portuguesa de Oitocentos. Lisboa: Instituto de Cultura Portuguesa, 1979.

GORI, Mariacristina – Fortunato Lodi (1805-1882), un architetto bolognese in Portogallo. In______L’Arte in Romagna dal Rinascimento all’Ecletismo, scrito scelti (1978-2006). Cesena: Società Editrice “Il Ponte Vecchio”, 2011, pp. 205-217.

SEQUEIRA, Gustavo de Matos – História do Teatro Nacional D. Maria II. Lisboa: 1955.

 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009