A Casa Senhorial

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Carlos Mardel (1695-1763)

Carlos Mardel (1695-1763)
XVII,XVIII

Engenheiro militar de nacionalidade húngara, nascido em 1695, colheu formação em Inglaterra e França e chegou a Portugal em 1733 onde veio a falecer em 1763.

Desempenhou os cargos de arquitecto das Águas Livres, da Real Casa das Obras e do Almoxarifado do Sal de Setúbal. Em 1747, sucedendo a Custódio Vieira, teve a seu cargo o último troço do Aqueduto das Águas Livres, entre o vale de Alcântara e o depósito da Mãe d’Água, rematando-se com o Arco das Amoreiras, também de sua autoria. D. João V nomeou-o, em 1748, como arquitecto das obras dos Paços Reais da Ribeira de Lisboa, da vila de Sintra, Almeirim e Salvaterra de Magos e do Mosteiro da Batalha e da província do Alentejo e das partes do reino onde não houvesse mestre, auferindo 120.000 réis, e foi também arquitecto das Ordens Militares de S. Tiago e S. Bento de Avis, a partir de 1749, e medidor das obras das fortalezas da barra e do Castelo de S. Jorge, com ordenado anual de 153.200 réis. Em 1751, alcançou a patente de coronel-engenheiro.

Em Lisboa, após o terramoto, foi co-responsável, com Eugénio dos Santos, pelo novo traçado da Baixa e da Praça do Rossio, para a qual projectou um Palácio da Inquisição no topo norte, o Arco do Bandeira a centralizar a ala oposta e os edifícios circundantes da Praça, onde o esquematismo unitário dos vãos rectangulares pombalinos foi animado com janelas de sacada e quadrangulares, abertas em panos marcados por pilastras. Em 1760 sucedeu a Eugénio dos Santos na direcção da Casa do Risco das Reais Obras Públicas de Lisboa, dedicada ao ensino da arquitectura, escultura e pintura.

Construiu ainda a Casa de Lázaro Leitão na Junqueira, os Conventos de S. Domingos e de S. João Nepomuceno, o Colégio dos Nobres, os chafarizes da Rua Formosa, Rato e Esperança e outros que permaneceram apenas em projecto, a sua casa a Santa Isabel, o Bairro das Águas Livres para artífices da Real Fábrica do Rato, e projectou um palácio para o rei D. José em Campo de Ourique, e, no Convento de Santa Clara-a-Nova de Coimbra, interveio no Claustro e na Portaria.

A sua obra mais marcante e complexa foi, no entanto, o Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, que decorreu entre 1759 e 1770, com uma notável articulação entre as fachadas e os jardins, concebidos como espaços arquitectónicos que prolongavam o edifício, de acordo com um esquema geométrico que punha em relação diferentes áreas onde desenvolveu programas decorativos e cenográficos em que os azulejos desempenharam um papel de fulcral importância.  

A quantidade e diversidade de obras que coordenou e assinou apresentam-no como um artista multifacetado em termos estilísticos e estéticos, adequando-se ao gosto dos encomendadores e reflectindo algumas influências francesas.


Bibliografia:

CARVALHO, Ayres de - D. João V e a Arte do seu Tempo. Lisboa: ed. do autor, 1960-62.

MACHADO, Cirillo Wolkmar – Colecção de Memórias Relativas às Vidas dos Pintores, Escultores, Arquitectos e Gravadores Portugueses e Estrangeiros (…). Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922.

PEREIRA, José Fernandes – Arquitectura Barroca em Portugal. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1986.

PEREIRA, Paulo (dir.) – História da Arte em Portugal, vol. III. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995.

VITERBO, Sousa – Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, vols. II e III, 1988.

 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009