A Casa Senhorial

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Palácio de D. Rolim de Moura

Palácio de D. Rolim de Moura
XVIII
Brasil
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Palácio de D. António Rolim de Moura

Philipe Sturme. S.d. [Assin.]

BNP, Iconografia - Des. 202A

Planta do Palácio novo feito por ordem do Ex.mo Senhor Joaquim de Mello Povoas Governador da Capitania para o Ill e Ex. mo Sr. D. António Rolim de Moura, Plenipotenciario das Demarcações da parte do Norte. 

Legenda do piso térreo: Igreja, Capella mor, Entrada principal, Escada principal, Caza do oficial da guarda, Cazas para família, Dispensa, Dispensa, Dispensa, Cazas para familiares, Comunicação para a cozinha, Caza do cozinheiro, Casa das massas, Cozinha do palácio, Cozinha do Governo, Dispensa, Cazas para familiares, Caza principal, Alcova, Seg. Caza,  Logea,

Legenda do piso nobre: Salla de Officias, escada principal, Varanda, Antecâmara, Sala Principal, Câmara, Gabinete, Guarda Roupa, Caza de jantar, Copa, Cazas para familiares, Tribuna do altar mor, Igreja, Couro.


Nota:


D. Antonio Rolim de Moura (1709-1782), antes de Vice Rei do Brasil, foi Governador de Mato Grosso entre 1751 e 1765, sendo deste período de governação o levantamento deste palácio onde viveu. Sem data, mas assinado, este levantamento foi realizado pelo engenheiro alemão Philipe Sturm, que viera para o Brasil integrado no grupo de matemáticos e cartógrafos incumbidos pela Coroa Portuguesa de realizar as chamadas “Demarcações”.  

No seu programa arquitectónico, o edifício apresenta uma estrutura complexa que se desenvolve à volta de dois pátios, com o corpo da fachada principal ladeado por grande capela. De forte sentido tropical os pátios são rodeados por varandas e alpendres, permitindo uma circulação interior ao ar livre com funções associadas de ventilação e protecção solar.  

No programa distributivo cada compartimento aparece designado com as suas funções permitindo uma análise detalhada das lógicas de organização interior do palácio que apresenta uma notável transposição de hábitos de corte para o interior do Brasil. Verificamos assim a existência no piso nobre, de um espaço de gabinete na sequência das salas de aparato articulando-se com as zonas mais privadas de câmara de dormir e guarda- roupa.

A este aspecto associa-se a presença de uma casa de jantar apoiada, por sua vez, de uma copa com ligação á cozinha que mais uma vez denota uma precoce chegada de hábitos citadinos e de corte desenvolvidos. No piso térreo destaca-se uma racional organização dos serviços, com duas grandes cozinhas, uma para o “Governo” outra do “Palácio”, apoiadas, por sua vez de dispensas, casa de cozinheiro e casa de massas.  

 


Bibliografia:

Araújo, Renata, As Cidades da Amazónia no século XVIII –Belém, Macapá e Mazagão, Porto, FAUP, 1992, p.334

Carita, Helder “do scriptorium ao gabinete e à casa da livraria. Espaços  da escrita  nos interiores da casa senhorial em Portugal” in Casas Senhoriais Rio-Lisboa e seus Interiores, UFRJ/UNL/FRESS, Lisboa-Rio de Janeiro, 2014, pp. 25-49

-------“Das águas-furtadas às estrebarias: zonas de serviços na casa senhorial entre os séculos XV e XVIII”, In Anais do II Colóquio Internacional A Casa Senhorial: Anatomia dos interiores. PESSOA, Ana; MALTA, Marize (Organizadoras). Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 2016.

Carvalho, Ayres de, Catálogo da Colecção de desenhos da Biblioteca Nacional de Lisboa, Lisboa, Secretaria de Estado da Cultura, 1977, p. 139.



 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009