A Casa Senhorial

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Palacete do Marquês de Pombal, à Calçada Caetanos

Palacete do Marquês de Pombal, à Calçada Caetanos
XVIII
Portugal
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Planta e alçado  do largo e casas do Marques de Pombal na R. Formosa e Calçada dos Caetanos. Arquivo do Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações. D17B

Alçado das casas do Marquês de Pombal na Calçada dos Caetanos.

Planta do piso térreo das casas do Marquês de Pombal na Calçada dos Caetanos. Legenda dos compartimentos    “Cocheyra, Cocheyra, Casa de Areyos, Cavalharyce, Palheyro, Cavalharyce, Cozinha, Casa pª criados, Casa pª criados”. Arquivo do Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações. D17B

Planta do piso Nobre "nas casas que medeyão entre a nova calçada da Rua Formoza". Legenda dos compartimentos    1ª Sala, 2ª sala, Gabinete, Despença, Camara, Cozinha, Despensa, Escada que desce aos entresolhos, Escada paricular que sobe ao 2º pavimento, Escritório, Câmara. AN/TT, Ministério do Reino, Plantas, P-5263-19

Nota:

Em termos de cronologia, estes projectos apresentam a assinatura de Pombal ainda como Conde Oeiras, situando-se a data de realização deste projecto entre 1759, atribuição do título de conde e 1769, data de atribuição do titulo de marquês. O facto de os elementos do projecto terem sido guardados em arquivos oficiais aponta para um projecto realizado na Casa do Risco, eventualmente por Reinaldo Manuel, na altura arquitecto em chefe desta instituição

Caso raro confrontamo-nos com um projecto não só com alçados mas com duas plantas. Separadas em dois arquivos diferentes reunimos aqui estas plantas facto que permite um mais aprofundado estudo deste projecto. Implantado numa encosta muito acentuada, o edifício situado no início da antiga calçada dos Caetanos é concebido em estreita articulação com o traçado desta via que, contornando-a, vai subindo paulatinamente até ao interior do Bairro Alto. Esta solução, se origina a formação de quatro fachadas, conferindo ao edifício uma clara unidade, vai possibilitar uma maior iluminação e arejamento aos interiores, na linha de uma reflectida valorização dos aspectos funcionais e construtivos que, em última análise, caracterizam, a arquitectura pombalina e as orientações dos arquitectos da Casa do Risco.

Com quatro pisos e um último de mansarda para criadas e arrumos, a fachada principal, com frente para o início da antiga calçada dos Caetanos, mostra uma composição rigorosamente simétrica, centralizada pela ligação do portal de entrada com duas janelas de sacada, o que imprime uma forte leitura axial ao conjunto. Este eixo central articula-se com dois eixos secundários marcados pelo alinhamento vertical de portal, janela de sacada e janela de peito, constituindo um elaborado sistema rítmico de animação do desenho da fachada e de acentuação da unidade do conjunto.

Pela análise das plantas tanto do piso térreo como do andar nobre confirmamos tratar-se de uma casa nobre. Assinalando as plantas as funções de cada compartimento, verificamos estar perante uma nova proposta de programa de distribuição interior, onde o piso nobre aparece vocacionado apenas para a vida social, separando-se da vida mais íntima, localizada num segundo andar de quartos. Digno de nota, o piso nobre surge dividido em duas zonas, uma com uma sequência de duas salas seguidas de gabinete e, em oposição, uma outra com um escritório, que apoiado por dois pequenos compartimentos, denota claramente funções de comércio. Este escritório, com entrada directa para a rua, associado à separação, da vida social e da vida íntima em dois diferentes andares, emergem como elementos que veremos afirmarem-se de forma sistemática na tipologia de palacete do século XIX.


Bibliografia:

Carita, Helder “O Palácio Ramalhete, nas Janelas Verdes: uma tipologia de palacete pombalino” in A Casa Senhorial em Lisboa e Rio de Janeiro: Anatomia de Interiores, Lisboa, IHA/EBA, 2014, pp. 190-207

Moita, Irisalva, Lisboa e o Marquês de Pombal. Catálogo,  vol. 2, Lisboa, CML, 1982, p.226



 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009