A Casa Senhorial

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Palácio dos Marqueses de Marialva, Santa Catarina

Palácio dos Marqueses de Marialva, Santa Catarina
XVIII
Portugal

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Palácio dos Marqueses de Marialva às Portas de Santa Catarina. Alçado e planta

Planta do pavimento térreo do palcio do Illmo Ex.mo Sr. Marques de Marialva sitto às Portas de s. Catarina projectado pello Capitão Eng. Eugénio dos Santos e Carvalho

Fachada do Palácio dos Marquêses de Marialva. Assinado por Eugénio dos Santos e Carvalho. Desenho a tinta-da-china com aguada.    Dimenções: 360 X 970 mm.    Museu da Cidade DES. 0984

Planta do pavimento térreo do Palácio do Marquêses de Marialva. Situado junto às portas de Santa Catarina, actual Largo de Camões,  Projecto de Eujénio dos Santos e Carvalho. Desenho a tinta-da-china aguarelada (rosa, amarelo e cinzento. Dimenções: 511 X 1094 mm.    Museu da Cidade DES. 0985

Pormenor com a Legenda e explicação da planta anterior



Explicação da Planta. O que vai banhado de tinta parda he a parte velha que se conserva e a tinta amarela he o projectado q se ajunta:

A – Grande Saguão ou Logea que deve ser fechada de abobada, onde se ve a porta nova com colunas da parte do sul e a velha da parte do norte B tabuleiros da Escada principal a que se sobe com outros lances ao pº pavimento nobredece com hum a cozinha e suas oficinas  C – Cocheiras  D – Patios de luz E – Cozinha que deve ser fechada de abobada F – Dispensa G – Forno p. fabricarem as maças  I – serventia publica da cozinha L – Escadas particulares q dece dos andares superiores a cozinha e também serve p. particularmente ir cuscar a cocheira  M – serventia particular para a cozinha N – cazas pª o cozinheiro e mais criados do cozinheiro O – Corredor q da serventia aos criados graves e de libré P – Casas de criados graves que se dobram com os entreçolos  Q – Comuas no quarto dos criados R – logea que se serve para entrada particular do quarto do homem S – escada particular q serve os entreçolos e quarto do homem T – Escadas que servem mais particular todos os quartos U – Cazas de alugel com entreçolos por cima V – Casa de arreyos   Z – Casas de criados de libré.


Nota:

Não realizado, este projecto propunha reerguer o antigo palácio seiscentista dos Marqueses de Marialva, junto das Portas d Santa Catarina, que sofrera ruina e incêndio na sequência do terramoto de 1755. De clara influência francesa, o alçado proposto por Eugénio dos Santos apresenta uma extensa fachada principal, rematada por friso dórico decorado com tríglifos, com dois pisos nobres enquadrados por fortes pilastras que, nos cunhais, se desdobram em dupla pilastra. O autor desenvolve um esquema compositivo de grande originalidade, ao propor dois corpos simétricos, coroados por frontões triangulares, que, autonomizando-se do plano da fachada, conferem um elaborado sentido rítmico a todo o conjunto. Se deste projecto só nos chegou a planta do piso térreo, este desenho apresenta um aspecto pouco comum ao apresentar um programa das zonas de serviço com um alto nível de pormenorização. Digno de nota é a forma detalhada da zona cozinha com uma entada privativa decompondo-se em dois espaços associados, por sua vez, com uma casa de massas, dispensa, quarto de cozinheiro e quarto para ajudantes. De forma independente estrutura-se uma zona destinada aos aposentos de criados graves e de libré, apoiada por um espaço de latrinas, referido na planta por “comuas”. Em complemento verificamos ainda a proposta de uma sequência de lojas para aluguer com um piso de sobreloja, tradição que da Idade Média parece recuar à época romana e às grandes casas das famílias patrícias.


Bibliografia:

ARAÚJO, Agostinho – “História do Palácio Marialva ao Loreto”, Póvoa do Varzim, Separata do Boletim Cultural, vol. XXX, nº1-2, 1993.

Carita. Helder, A Casa Senhorial em Portugal, Modelos, tipologias, Programas Interiores e Equipamento, Lisboa, Leya, 2015, p.347-348.

Carita. Helder, “Das águas-furtadas às estrebarias: zonas de serviços na casa senhorial entre os séculos XV e XVIII”, In Anais do II Colóquio Internacional A Casa Senhorial: anatomia dos interiores. PESSOA, Ana; MALTA, Marize (Organizadoras). Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 2016.

Correia, José Eduardo Horta, “Eugénio dos Santos” in Dicionário do Barroco, Lisboa, ed. Presença, 1989, pp.v280-283

Moita, Irisalva, Lisboa e o Marquês de Pombal. Catálogo, vol. 2, Lisboa, CML, 1982, p.226



 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009