A Casa Senhorial

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Aposento



APOSENTO ( apossento, apousentamento) [Der. Regressivo de apo(u)sentar]. O termo surge, segundo José Pedro Machadoi, nos inícios do século XVI. Bluteau, no seu Vocabulário, define como “casa em que se de ordinário se assiste”ii. Nas palavras do autor o sentido da palavra “aposento” implica um lugar habitado podendo estender-se tanto a um compartimento, a um conjunto de divisões numa casa ou, ainda, uma casa inteira. Nos paços reais são frequentes as referências aos aposentos do rei, da rainha, ou dos príncipes. Vemos, assim, o novo corpo mandado edificar por D. Manuel I, no paço real de Sintra, ser referido como os “apousentamentos dos Iffantes”iii

Na descrição das cerimónias do casamento no Palácio ducal de Vila Viçosa de 1537, os aposentos de D. João III eram compostos por um conjunto de divisões: “salla, antecamara, camara guarda roupa e retrete”iv. Ao longo dos séculos XVII e XVIII observamos o uso do termo referindo-se, sobretudo, a um conjunto de compartimentos de uma casa, afectos a uma determinada personagem.

Referências documentais

1508 - “E em tochar as traves no apousentamento dos iffantes e outros serviços” Certidão de obras realizadas no Paço de Sintra v

1537 “A maneira do concerto das cazas e aposentamentos de ElRei e dos Infantes” Descrição das cerimónias de casamento no Palácio Ducal de Vila Viçosavi

1554“triste como hua delicada donzella em alto apossento acostada ao seu estrado entre paredes soo podia estar vendo-se de altos muros cercada” in Menina e Moça de Bernardim Ribeiro”vii

1635 “Diz D. João Dessa Corte Real que elle quer de presente fazer hu aposento nobre em o sitio que tem indo a St Apolónia da parte do mar, tudo conforme as traças que para o dito sitio fez P Nunes Tinoco arquitecto de S. Magestade”. Pedido de autorização de obras ao Senado da Câmara de Lisboaviii


Hélder Carita (2014)

i MACHADO, José Pedro, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa, Livros Horizonte, 1ª ed. 1952, Vol. I, p,281

ii BLUTEAU, Rafael, Vocabulário Portuguez e Latino…, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1712, vol.I, 435

iii CONDE de Sabugosa - O Paço de Sintra, Lisboa, Imprensa Nacional, 1903, Apêndice documental, doc.1I, p.236

iv Biblioteca Nacional de Lisboa. Memórias da Caza de Bragança, Cód. 1544 (páginas inumeradas)

Festas e apercebimentos que fes em Villa / Vicoza o Duque de Bargança Dom Theo- / dosio. E os casamentos do Infante Dom / / Duarte e da srª Infante Dona Izabel/ sua irmam. No mes de Abril do / anno de 1537. s.n.

v CONDE de Sabugosa - O Paço de Sintra, cit. supra, doc.1I, p.236.

vi Biblioteca Nacional de Lisboa. Memórias da Caza de Bragança…, Cód. 1544. Cit. supra.s.n.

vii RIBEIRO, Bernardim, Historya de menina e moça por Bernaldim Ribeyro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada…, Florença, Abramo Usque,1554, fls. XI v.

viii AH da CML Livro de Cordeamentos (1614-1699) s.n.



 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009