A Casa Senhorial

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

Estrado

ESTRADO - Plataforma de madeira, por vezes com vários degraus.

Segundo Morais e Silva, era um sobrado de madeira largo, e raso, pouco erguido do chão, sobre o qual se collocam cadeiras para assento de pessoas de distinção, um altar, um throno, a mesa de uma assembleia, etc.: sobre estrado se sentavam antigamente as mulheres a coser e lavrar, e ainda hoje ha esse uso em algumas officinas de alfaiates (António Morais da Silva, Diccionario da Lingua Portugueza, vol. I, Lisboa, 1890, 8ª edição, p. 854).

Este costume ibérico de influência islâmica que permaneceu ao longo de todo o Antigo Regime1, desapareceu ao longo do século XIX. No final do século XVI Gianbattista Confalonieri descreveu os estrados das mulheres nobres como: “grandes mesas acima do chão um palmo, cobertos no Inverno de tapetes finíssimos, e de Verão, de esteiras também finíssimas, com almofadas de veludo grandes sobre as quais se sentam. E em cada sala ou quarto principal se encontra este estrado para dar a audiência, e as matronas retiram-se para uma parte «fora do estrado»2.

Segundo Rafael Bluteau, o estrado era um “taboado cuberto com alcatifas, & almofadas em que as molheres se assentão” (Raphael Bluteau, Vocabulario Portuguez & Latino..., Coimbra, No Real Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1713, p. 330), definição igualmente dada por Costa e Sá: “Taboado coberto com alcatifas, e almofadas, em que as mulheres se assentão” (Joaquim José da Costa e Sá, Diccionario portuguez-francez-e-latino, Lisboa, 1794, p. 570).

Esta prática originou uma série de móveis de reduzidas dimensões, habitualmente designados “de estrado”.

Celina Bastos (2014)

1 Sobre este assunto, veja-se Celina Bastos, “Da utilidade do tapete: objecto e imagem. Séculos XVI e XVII”, in O Tapete Oriental em Portugal. Tapete e Pintura Séculos XV-XVIII, Instituto dos Museus e da Conservação/ Museu Nacional de Arte Antiga, 2007, pp. 151-160.

2 Gianbattista Confalonieri,, “Da Grandeza e Magnificência de Cidade de Lisboa. 1593”, in Bartolomé de Villalba y Estaña, Gianbattista Confalonieri, Por terras de Portugal no século XVI, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2002, pp. 249-250.



 

PTCD/EAT-HAT/11229/2009