A Casa Senhorial

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Apresentação

O projeto “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro (séculos XVII, XVIII e XIX). Anatomia dos interiores” (PTDC/EAT-HAT/112229/2009) teve como objetivo primordial o estudo da casa de morada da nobreza e da alta burguesia, entre os séculos XVII e XIX, focando os múltiplos aspectos dos seus interiores, em duas regiões do mundo cultural e artístico luso-brasileiro: Lisboa e Rio de Janeiro. Pretendeu-se com este projeto criar uma nova metodologia de análise focada em quatro linhas de investigação: I. Mecenas e artistas. Vivências e rituais; II. Identificação das estruturas e dos programas distributivos e estudo aprofundado de nomenclaturas funcionais e simbólicas de cada espaço; III. Estudo da ornamentação fixa – tetos, azulejaria, talha, pintura, estuques, têxteis, pavimentos, chaminés, janelas e portas, mobiliário integrado; IV. O equipamento móvel nas suas funções específicas. 

Através de colóquios bilaterais e internacionais e da publicação dos resultados das pesquisas, o projeto pretendeu lançar os fundamentos para um estudo integrado e comparado da casa senhorial e dos seus interiores nos dois lados do Atlântico.

Os trabalhos desenvolveram-se ao longo de 36 meses, com início a 1 de agosto de 2011, quatro meses após a data inicialmente prevista, prolongando-se até 31 de julho de 2014.

Metodologia de trabalho e desenvolvimento das tarefas

Foram selecionados, como casos de estudo, 25 edifícios na região de Lisboa, com campanhas de obras significativas realizadas entre o século XVII e o primeiro quartel do século XX: Palacete da Quinta Nova da Assunção, Palacete das Laranjeiras, Palacete Ferreira Carvalho, Palacete Guilhermina Andrade Bastos, Palacete Mendonça, Palacete Ribeiro da Cunha, Palácio Barbacena, Palácio Cabral / Larre, Palácio da Ega, Palácio da Mitra, Palácio das Laranjeiras, Palácio de Porto Côvo, Palácio do Correio Mor, Palácio do Ramalhete, Palácio Eugénio de Almeida, Palácio Fronteira, Palácio Mitelo, Palácio Pombal, Palácio Quintela Farrobo, Palácio Rebelo de Andrade / Seia, Palácio Sousa Mexia, Palácio Tancos, Palácio Xabregas, Palácio da Francelha e Palácio do Beau Séjour.

Na região do Rio de Janeiro a escolha recaiu em dez edifícios representativos dos séculos XVIII, XIX e do primeiro quartel do século XX: Casa da Marquesa de Santos, Casa de Rui Barbosa, Engenho da Taquara, Engenho do Capão do Bispo, Engenho do Viegas, Palacete Guinle, Palacete do Catete, Palácio Imperial, Quinta da Boavista e Solar do Jambeiro.

No estudo dos edifícios foi utilizada uma mesma metodologia de trabalho, de acordo com a proposta de investigação inicial, apresentada à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT):

1.    Foram realizados levantamentos fotográficos exaustivos dos exteriores e interiores, com a posterior seleção de um conjunto representativo de fotografias para cada divisão e a sua distribuição por categorias (azulejaria, estuques, pintura decorativa etc). Procedeu-se ao redimensionamento da resolução de cada fotografia selecionada para um máximo de 350K.

2.    Foram elaborados desenhos em DWG das plantas arquitetônicas dos vários pisos, com a posterior transformação em desenhos de formato JPG, acompanhada da identificação numérica de todas as divisões em estudo e identificação cromática de cada divisão em análise. Foram ainda executados desenhos em AutoCAD de algumas plantas.

3.    Os dados recolhidos foram inseridos em uma base de dados especialmente criada para o projeto, repetindo-se a mesma operação para cada um dos edifícios: abertura de uma ficha, com campos editores novos em cada categoria; introdução de template para imagem e texto dentro de cada campo editor, de texto e upload de imagens, uma a uma; validação do campo editor seguida da validação da ficha após a introdução de cada imagem.

4.    Recolheram-se plantas e fotografias antigas dos vários edifícios com posterior redimensionamento da resolução de cada fotografia ou documento selecionado, no máximo de 350K, para posterior inclusão na base de dados.

5.    A par deste processo, foram elaborados textos descritivos e analíticos para os vários campos definidos em cada uma das fichas do inventário (Tarefa 1 do projeto).

Em paralelo procedeu-se ao levantamento bibliográfico e documental de cada um dos edifícios, em diversos arquivos e bibliotecas, públicos e privados: teses de mestrado e doutoramento, monografias e artigos. Foram igualmente identificados e analisados documentos relativos aos edifícios nos seguintes arquivos: Arquivo do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P. – Forte de Sacavém; Arquivo Municipal de Lisboa – núcleo intermédio (processos de obras); núcleo fotográfico; núcleo do Arco do Cego; Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas (coleção de desenhos); Arquivo Histórico do Tribunal de Contas (Décimas da Cidade); Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa (Livros da Desobriga Pascal). No Brasil, foram consultados os seguintes arquivos: Arquivo Nacional, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, Arquivo Central do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arquivo do Museu Imperial, Arquivo do Museu da República, Arquivo da Casa de Rui Barbosa, Arquivo da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro.

Uma atenção especial foi dedicada ao levantamento e transcrição paleográfica de inventários orfanológicos (Feitos Findos – Post-mortem) e de inventários de famílias, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, tendo sido transcritos 78 inventários referentes à casas senhoriais da região de Lisboa, realizados no período compreendido entre os séculos XVII e o XIX. No Brasil foram consultados inventários post-mortem no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, do período entre os séculos XVIII e XIX. Toda a informação reunida foi inserida na base de dados (Tarefa 2 do projeto).

O primeiro marco (Milestone 1) do projeto foi cumprido em nove de maio de 2012, com a apresentação pública da investigação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) por investigadores, bolseiros e um dos consultores: “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro (séculos XVII, XVIII e XIX). Anatomia dos interiores (PTDC/EAT-HAT/112229/2009). Investigação e estudos de caso”. 

A análise das casas senhoriais a partir das informações recolhidas e do cruzamento de toda a informação reunida na base de dados foi desenvolvida em quatro vertentes:

I. Mecenas e artistas, rotinas e rituais – Obtiveram-se resultados importantes com vista à caracterização das famílias que estiveram por trás da construção e decoração das casas selecionadas e identificaram-se alguns dos artistas envolvidos nesses processos. Criaram-se os fundamentos de um dicionário de artistas e artífices identificados no decurso da pesquisa, com as seguintes entradas já realizadas: “António de Oliveira Bernardes”; “Carlos Mardel”; “Cirilo Volkmar Machado”; “Domingos Meira”; “Ferreira das Tabuletas”; “Jean Pillement”; “João Antunes”; “José da Costa e Silva”; “João Grossi”; “Pereira Cão” e “Manuel da Costa” (equipa portuguesa); “Armando da Silva Telles”, “Bartolomeu Alves Maria”, “Emil Bauch”, “Francisco Pedro do Amaral”, “Gustav Waehneldt”, “Irmãos Ferrez”, “Joseph Gire”, “Júlio Koeler”, “Mario Bragaldi”, “Pierre Joseph Pezerat”, “Quirino Antônio Vieira” e “Theodor Marx” (equipa brasileira) (Tarefa 3 do projeto).

II. O espaço interno e as suas funções – A partir do levantamento das plantas estudadas, foi analisada a interligação dos espaços no interior das casas selecionadas. Foram escolhidas plantas de época que têm a particularidade de incluírem legendas com as funções dos vários espaços. Foi feita uma entrada com a planta do século XVII do Palácio dos Condes da Castanheira, da Academia Nacional de Belas Artes, que deverá servir de modelo a outras entradas a realizar pelos investigadores portugueses e brasileiros. O grupo brasileiro procedeu de igual forma, com a planta da Casa Rui Barbosa.

Deu-se início ao estudo da terminologia específica relacionada com os diferentes espaços e com as suas funções específicas. Para tal começou a ser preparado um glossário relacionado com interiores, que corresponde a um estudo detalhado da nomenclatura de cada espaço interior, com base na documentação da época. Foram já elaboradas as seguintes entradas: “Gabinete”; “alcova”, “antecâmera”, “aposento”, “armação”, “câmara”, “camarim”, “estrado”, “guarda-roupa”, “oratório” e “sala” (Tarefa 4 do projeto).

III. Decoração integrada e IV. Objetos – A decoração integrada nas casas selecionadas e ainda os objetos e o equipamento móvel identificados foram analisados e comparados, com vista à identificação das oficinas e dos artistas envolvidos em trabalhos de pintura mural e decorativa, painéis de azulejos, estuques decorativos, têxteis, mobiliário, obras de serralharia e marcenaria. Deu-se início ao estudo da terminologia específica relacionada com os móveis e os têxteis integrados nos diferentes espaços. Foram realizadas as entradas “Estrado” e “Paramentos de cama”, que deverão servir de modelo a outras entradas a realizar pelos investigadores portugueses e brasileiros. (Tarefas 5 e 6 do projeto)

A metodologia de trabalho seguida pelas duas equipas foi constantemente posta em confronto ao longo do projeto, através de contatos à distância e em encontros periódicos, amplamente divulgados, sobretudo, através dos sítios das instituições envolvidas:

 

1. Em 17 de Janeiro realizou-se o primeiro colóquio organizado pela equipa portuguesa no palácio Fronteira em Lisboa, “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro: fontes primárias e investigações em curso”, com a participação de dez investigadores portugueses e brasileiros. O seminário foi acompanhado de um encontro de trabalho no palácio Azurara (FRESS) e de várias visitas a edifícios estudados pela equipa portuguesa e a coleções de artes decorativas. (Tarefa 7 do projeto)

2. Entre 20 e 21 de agosto de 2013 teve lugar o colóquio organizado pela equipa brasileira, na Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro: patrimônios comuns e circulação de experiências”. Contou com comunicações de 12 investigadores brasileiros e portugueses. Tiveram igualmente lugar encontros de trabalho e visitas a edifícios estudados pela equipa brasileira (Tarefa 8 do projeto).

Os dois encontros coincidiram com a realização de três “marcos” do projeto (M2, M3, M4), permitindo aferir e debater questões fulcrais da pesquisa, nomeadamente a contextualização das obras e os seus mecenas (Milestone 2), a compartimentação da casa nobre e as funções dos vários espaços, a terminologia com ela relacionada (Milestone 3) e as tipologias, técnicas e evolução estilística da decoração aplicada e dos objetos (Milestone 4). Todos estes aspetos ficaram consignados nas comunicações realizadas, algumas das quais foram posteriormente publicadas.

3. O colóquio internacional previsto para o período final do projeto realizou-se de 4 a 6 de junho de 2014 no salão nobre do Palácio Azurara, em Lisboa, atual Museu de Artes Decorativas Portuguesas da FRESS:  “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro (séculos XVII, XVIII e XIX. Anatomia dos interiores”. O “call for papers” para este colóquio foi divulgado em outubro de 2013, merecendo uma ampla resposta por parte de investigadores portugueses, brasileiros e de outras nacionalidades. O Conselho Científico criado no âmbito deste encontro analisou as propostas e selecionou 30 comunicações que preencheram integralmente os três dias do colóquio. Aos participantes e ao vasto público que assistiu ao colóquio foram distribuídos livros com os resumos das comunicações e uma nota biográfica de cada um dos conferencistas.

Os textos das comunicações apresentadas integraram-se nas quatro grandes áreas temáticas que serviram de guião na análise da casa nobre em Lisboa e no Rio de Janeiro ao longo dos três anos do projeto: 

I. Mecenas e artistas. Vivências e rituais. A casa senhorial através do conhecimento das famílias que a habitaram; os artistas que participaram na sua construção e decoração; os programas decorativos e iconográficos.

II. Arquitetura, estruturas e programas distributivos. O espaço interior e a função das várias divisões; a circulação, as escadarias e a sua articulação com a entrada, as salas de aparato, as zonas privadas e as zonas de serviço; nomenclaturas funcionais e simbólicas de cada espaço.

III. A ornamentação fixa. A decoração aplicada: do azulejo à pintura mural, passando pelos estuques decorativos, pela madeira e pedraria, pelos tecidos e papel de parede.

IV. O equipamento móvel. Os objetos que contribuíram para o aparato e conforto das casas ao longo de gerações: prataria, vidros, louças, candelabros, tapeçarias, tapetes, móveis, bibelots e equipamento utilitário. (Tarefa 9 do projeto).

Nós consideramos fundamental a divulgação da investigação realizada durante o projeto, em acordo com a Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através de uma das investigadoras da equipa brasileira, Marize Malta, professora naquela instituição, a criação de uma linha editorial com vista à publicação dos textos apresentados nos encontros do projeto, uma edição conjunta da EBA e do IHA da FCSH da Universidade Nova de Lisboa.

Durante o colóquio foi lançado o primeiro livro, integralmente pago pela EBA, que reúne as comunicações proferidas no encontro do palácio Fronteira e no primeiro seminário de apresentação do projeto, realizado em 9 de maio de 2011 na FCSH: Casas senhoriais Rio-Lisboa e seus interiores (coord. de Marize Malta e Isabel Mendonça), Rio de Janeiro / Lisboa, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Nova de Lisboa, Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. (2014 / ISBN:  978-85-87145-58-1; 978-989-20-4409-5; 978-972-8253-57-8). A apresentação da obra foi feita por Gonçalo de Vasconcelos e Sousa.

O segundo livro, com os textos do colóquio internacional, está em fase de conclusão, com lançamento previsto para fevereiro de 2015: Casas senhoriais em Lisboa e no Rio de Janeiro. Anatomia dos Interiores (coord. de Isabel Mendonça, Hélder Carita e Marize Malta), Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A publicação destes dois livros, reunindo os textos apresentados nos vários encontros, será o melhor meio de divulgarmos não só a investigação realizada no âmbito do projeto, como também aquela que tem sido desenvolvida em paralelo pela comunidade científica, permitindo assim a abertura de novas perspectivas e orientações em um horizonte geográfico que desta forma se abre a outras realidades artísticas e culturais, quer em Portugal, quer no Brasil (Tarefa 11 do projeto).

Com a realização do colóquio final e do respetivo livro cumpriu-se o último marco do projeto (Milestone 5), lançando-se assim os fundamentos para um estudo integrado e comparado da casa senhorial e dos seus interiores nos dois lados do Atlântico.

A base de dados do projeto

A base de dados foi desenhada para recolher toda a informação reunida ao longo dos três anos de duração do projeto pelos dois grupos de pesquisa, mas com a possibilidade de continuar a receber contributos de futuros pesquisadores. Amplamente discutida e melhorada nos vários encontros entre os investigadores portugueses e brasileiros, a sua estrutura flexível e a abrangência dos seus conteúdos permitirão certamente uma utilização adicional por outros investigadores interessados nesta área do conhecimento.

A base de dados está desde o início sediada na plataforma da Casa Rui Barbosa, instituição associada que dispõe nos seus quadros de técnicos informáticos com capacidade para responder aos problemas que inevitavelmente foram surgindo ao longo dos três anos.  

Os campos criados disponibilizam informação genérica relativa ao projeto, às instituições associadas e às equipas de investigação, permitindo ainda referenciar atividades com ele relacionadas, nomeadamente os encontros e colóquios realizados no seu âmbito e a inclusão de artigos de investigação relacionados com a área de estudo.

As fichas das casas senhoriais de Lisboa e do Rio de Janeiro apresentam-se de forma dinâmica, associando sempre texto e imagem (plantas e fotografias de conjunto e de pormenor). No cabeçalho de cada uma das fichas, a par da identificação do imóvel, é indicada a cidade onde o mesmo se localiza, o período de construção e os autores, mestres ou construtores.

Cada edifício é escrutinado tendo em atenção diferentes aspetos, identificados nos campos seguintes:

1. Arquitetura – Enquadramento urbano e paisagístico (sempre acompanhado de uma planta de localização e de uma fotografia antiga). Morfologia e composição. Fachadas. Bibliografia (principal e complementar). Cronologia e proprietários. Documentação.

2. Programa interior, analisado piso a piso. Azulejaria. Estuques. Pintura Decorativa. Decoração Diversa. Equipamento Móvel.

A base de dados permite ainda a inclusão de informações adicionais, nos seguintes campos:

Fontes documentais (Inventários; Plantas Antigas; Desenhos e Pinturas; Fotografias).

Glossário. De acordo com a metodologia de investigação selecionaram-se alguns termos que evoluindo semanticamente ao longo dos séculos foram considerados fundamentais ao aprofundamento da evolução dos interiores da casa senhorial: antecâmara, alcova, aposento, câmara, camarim, casa de jantar, casa nobre, casa do tinelo, gabinete, guarda-roupa, oratório, paço, palácio, saguão, sala, sala vaga, solar. Para cada entrada foi elaborado um texto articulado com um conjunto de referências documentais que o fundamentam.    

Artistas. Como apoio aos diferentes temas estudados foi constituído um conjunto de biografias de artistas relacionados com os edifícios estudados. Deste conjunto constam os artistas: António de Oliveira Bernardes, Carlos Mardel, Cirillo Volkmar Machado, Domingos Meira, Fortunado Lodi, Jean Pillement, João Antunes, João Grossi, José da Costa e Silva, Luis António Ferreira, Manuel da Costa, Manuel da Costa Negreiros, Pereira Cão, Reinaldo Manuel dos Santos. No Brasil, os artistas foram Armando da Silva Telles, Bartolomeu Alves Meira, Emil Bauch, Francisco Pedro do Amaral, Gustav Waehneldt, Irmãos Ferrez, Joseph Gire, Júlio Frederico Koeler, Mario Bragaldi, Pierre Joseph Pezerat, Quirino Antonio Vieira e Theodor H. Marx.

Objetivos atingidos

O projeto de investigação “A casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro (séculos XVII, XVIII e XIX). Anatomia dos interiores” permitiu chamar a atenção do público para um dos aspetos mais interessantes e menos conhecidos do patrimônio artístico luso-brasileiro: a casa senhorial em contexto urbano e rural, analisada enquanto testemunho da vivência das famílias proprietárias, através da organização e da articulação do espaço interno e da decoração dos seus interiores. O projeto constituiu por isso um eloquente testemunho do encontro de heranças artísticas e culturais comuns, separadas por um oceano, mas em constante interação.

A base de dados criada no âmbito do projeto, reunindo uma ampla documentação sobre a casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro, disponibiliza a um vasto público, português e brasileiro, uma informação inovadora e variada, base para estudos futuros sobre este e outros temas relacionados. O projeto vai ainda deixar os fundamentos para a criação de um glossário de termos relacionados com os interiores domésticos, bem como a elaboração de um dicionário de artistas e artífices que trabalharam, sobretudo, na decoração desses interiores, muitos deles ainda ignorados da historiografia da arte portuguesa e brasileira.

O projeto permitiu também a criação de uma metodologia de análise do espaço da casa senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro nas suas várias dimensões: sociais, arquitetônicas e artísticas. Futuramente será possível a aplicação desta metodologia em estudos diversos, por forma a alargar o campo de análise a outras casas e a outros fundos documentais e iconográficos.

O interesse suscitado pelo colóquio luso-brasileiro de encerramento do projeto, com uma significativa participação de investigadores brasileiros quer do Rio de Janeiro quer de outras regiões do Brasil, levou a Fundação Casa de Rui Barbosa, entidade parceira que no Brasil liderou os trabalhos de pesquisa, a propor a continuidade da investigação em curso, garantindo as verbas necessárias à manutenção e desenvolvimento da base de dados. A associação dos dois investigadores principais do projeto apresentado pela FCSH – Isabel Mendonça e Hélder Carita – bem como de outros pesquisadores portugueses em Artes Decorativas portuguesas, irá garantir a continuidade do trabalho já realizado e a sua extensão ao estudo da casa senhorial e dos seus interiores em outras regiões do mundo artístico e cultural luso-brasileiro.

 


PTCD/EAT-HAT/11229/2009